A Ameaça Cibernética que Paralisa Empresas e Instituições em Todo o Mundo

Descubra o que é um ransomware, como funciona, seus efeitos prejudiciais e como os usuários podem identificá-los
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28/06/2023 às 09:48 | Atualizado há 12 meses
A Ameaça Cibernética que Paralisa Empresas e Instituições em Todo o Mundo 1

No mundo digitalizado em que vivemos hoje, a ameaça do ransomware tem se destacado como um dos crimes cibernéticos mais lucrativos e devastadores. Com ataques cada vez mais sofisticados e frequentes, empresas e instituições em todo o mundo têm enfrentado prejuízos significativos, além de danos à sua reputação. Neste artigo, exploraremos o que é ransomware, como funciona, os efeitos prejudiciais que causa, as medidas de proteção que podem ser adotadas, como agir durante e após um ataque ransomware, o grupos mais proeminentes dos últimos anos e como fazer a descriptografias de arquivos ransomware.

O que é ransomware?

Ransomware é um tipo de malware (software malicioso) que bloqueia o acesso a sistemas, arquivos ou dispositivos de um usuário e exige o pagamento de um resgate para restaurar o acesso. Os criminosos cibernéticos costumam criptografar os arquivos da vítima, tornando-os inacessíveis, e só fornecem a chave de descriptografia após o pagamento ser efetuado. O resgate geralmente é solicitado em criptomoedas, como Bitcoin, que são difíceis de rastrear.

Como funciona o ransomware?

Os ataques de ransomware podem ocorrer de várias formas. Um dos métodos comuns é através de e-mails de phishing, nos quais os usuários são enganados para clicar em links maliciosos ou abrir anexos infectados. Uma vez que o ransomware é ativado, ele se espalha rapidamente pela rede, criptografando os arquivos em todos os dispositivos conectados.

Além disso, os hackers também podem explorar vulnerabilidades em sistemas desatualizados ou usar técnicas avançadas, como a engenharia social, para obter acesso aos sistemas da vítima. Em alguns casos, os criminosos até mesmo desenvolvem seu próprio ransomware ou adquirem versões disponíveis na dark web.

Os impactos prejudiciais do ransomware 

O impacto do ransomware pode ser desastroso para empresas e instituições. Além do custo financeiro do resgate exigido, as organizações enfrentam a interrupção de suas operações, perda de dados importantes, danos à reputação e possíveis ações judiciais devido à violação da privacidade dos clientes.

Os ataques de ransomware têm o potencial de paralisar setores inteiros, como hospitais, escolas e empresas de serviços essenciais. Em alguns casos, os ataques podem até mesmo representar uma ameaça à segurança pública, como no caso do desligamento temporário de um sistema de abastecimento de água.

Exemplos de ataques de ransomware 

Nos últimos anos, diversos ataques de ransomware chamaram a atenção da mídia e mostraram o quão prejudiciais podem ser. O ataque global do WannaCry em 2017 afetou mais de 200.000 computadores em mais de 150 países, explorando uma vulnerabilidade no sistema operacional Windows. Grandes empresas, como a FedEx e a Renault, foram atingidas, bem como sistemas de saúde no Reino Unido.

Outro caso notório foi o ataque ao Colonial Pipeline, um dos principais sistemas de oleodutos dos Estados Unidos. O ransomware DarkSide interrompeu as operações do oleoduto, causando escassez de combustíveis e desencadeando uma crise no país.

Medidas de proteção contra ransomware

Prevenir ataques de ransomware requer uma abordagem abrangente de segurança cibernética. Algumas medidas importantes incluem:

  • Manter sistemas e software atualizados, corrigindo vulnerabilidades conhecidas;
  • Implementar firewalls, antivírus e soluções de segurança de rede;
  • Realizar backups regulares dos dados, armazenando-os em locais seguros e offline;
  • Treinar funcionários para identificar e evitar ameaças cibernéticas, como e-mails de phishing;
  • Estabelecer políticas de segurança claras e orientar os colaboradores sobre as melhores práticas.

Como identificar um ataque ransomware e o que fazer após a identificação

O ataque ransomware tem um potencial altamente desastroso, por isso é importante saber identificar se o sistema está sob ataque e o que fazer caso o ataque já tenha ocorrido.

Identificar se um sistema está sob ataque de ransomware é fundamental para tomar ações rápidas e minimizar os danos causados. Aqui estão alguns sinais comuns que podem indicar um possível ataque de ransomware:

Criptografia de arquivos: Um dos principais objetivos do ransomware é criptografar os arquivos da vítima. Portanto, se você perceber que seus arquivos estão inacessíveis ou com uma extensão de arquivo incomum, é um indício de que seu sistema pode estar sob ataque.

Mensagens de resgate: Ransomware costuma exibir mensagens de resgate na tela da vítima, informando que os arquivos foram criptografados e exigindo um pagamento em troca da chave de descriptografia. Se você encontrar tais mensagens em seu sistema ou receber notificações pedindo pagamento, é provável que esteja sofrendo um ataque de ransomware.

Lentidão ou travamento do sistema: À medida que o ransomware se espalha e criptografa os arquivos, o desempenho do sistema pode ser afetado. Se você notar uma diminuição repentina no desempenho do seu computador, como lentidão, travamentos frequentes ou falhas inesperadas de programas, isso pode ser um sinal de infecção por ransomware.

Alterações inesperadas em arquivos e extensões: O ransomware pode modificar arquivos existentes ou adicionar extensões diferentes aos arquivos criptografados. Portanto, se você perceber que os arquivos foram renomeados ou têm extensões estranhas, isso pode ser um indício de infecção.

Mensagens de e-mail suspeitas: Muitos ataques de ransomware são iniciados por meio de e-mails de phishing. Se você receber e-mails suspeitos de remetentes desconhecidos, com anexos suspeitos ou links duvidosos, tenha cuidado ao abri-los, pois podem conter ransomware.

Comportamento incomum do sistema: O ransomware pode causar comportamentos incomuns no sistema, como o desligamento repentino do firewall ou do antivírus, a desativação de serviços de segurança ou a exibição de pop-ups e janelas estranhas. Fique atento a qualquer comportamento anormal do sistema.

Mas, caso a identificação do ataque não foi possível e o ransomware já tenha afetado completamente os sistema as melhores atitudes a serem tomadas, são:

Isolar e reportando o ataque – Assim que um ataque de ransomware for detectado, é crucial isolar imediatamente os sistemas afetados para evitar que a infecção se espalhe ainda mais pela rede. Desconectar os dispositivos infectados da Internet e da rede é uma medida preventiva importante. Além disso, o incidente deve ser relatado às autoridades competentes, como a polícia e agências especializadas em crimes cibernéticos.

Avaliar o impacto e identificando o ransomware – Uma vez que o ataque tenha sido contido, é fundamental avaliar o impacto do ransomware e identificar a variante específica que infectou os sistemas. Isso pode ajudar na compreensão das capacidades e limitações do ransomware, bem como fornecer informações valiosas para a recuperação dos dados.

Considerar as opções de pagamento – Embora não seja recomendado, em alguns casos, as vítimas de ransomware podem considerar pagar o resgate exigido. Antes de tomar qualquer decisão, é importante avaliar os riscos envolvidos, como a possibilidade de não receber a chave de descriptografia mesmo após o pagamento. É fundamental lembrar que pagar o resgate não garante a recuperação dos dados e pode incentivar ainda mais atividades criminosas.

Recorrer a soluções profissionais de recuperação de dados – Uma das opções mais eficazes para recuperar dados após um ataque de ransomware é recorrer a empresas especializadas em recuperação de dados criptografados, como a Digital Recovery. Essas empresas possuem experiência e conhecimento técnico para lidar com casos complexos de ransomware e podem oferecer soluções personalizadas para recuperar dados criptografados.

A Digital Recovery, por exemplo, utiliza técnicas avançadas de análise forense e descriptografia para tentar recuperar os dados afetados pelo ransomware. Por meio de análises detalhadas, engenharia reversa e colaboração com especialistas em segurança cibernética, eles buscam soluções viáveis para restaurar os dados criptografados.

Reforçando a segurança e prevenindo futuros ataques – Após a recuperação dos dados, é crucial fortalecer a segurança cibernética para evitar futuros ataques de ransomware. Isso inclui a implementação de soluções antimalware e antivírus atualizadas, a realização de backups regulares dos dados e a educação dos usuários sobre as melhores práticas de segurança cibernética, como evitar abrir e-mails suspeitos e não clicar em links desconhecidos.

Principais grupos ransomware

Ataques ransomware não são uma novidade, pelo contrário, grupos hackers já atuam com o sequestro de dados há anos. Há grupos que se destacaram no meio há tantos ataques, veja os principais grupos da história.

WannaCry: O ataque global do WannaCry em 2017 foi um dos mais notórios da história. Atingiu mais de 200.000 computadores em mais de 150 países, explorando uma vulnerabilidade no sistema operacional Windows. O grupo responsável por esse ataque ainda é desconhecido.

CryptoLocker: O CryptoLocker, que apareceu pela primeira vez em 2013, foi um dos primeiros grupos ransomware a ganhar destaque. Seu ataque criptografava os arquivos das vítimas e exigia o pagamento de um resgate em Bitcoin. Esse grupo foi desmantelado em uma operação liderada pelo FBI em 2014.

Petya/NotPetya: O Petya e sua variante NotPetya foram ataques de ransomware de alto perfil em 2016 e 2017, respectivamente. Esses ataques causaram danos significativos a empresas em todo o mundo, incluindo danos ao setor de transporte marítimo e até mesmo ao fornecimento de eletricidade na Ucrânia.

REvil/Sodinokibi: O grupo REvil, também conhecido como Sodinokibi, é um dos grupos mais proeminentes e atuantes na atualidade. Eles são conhecidos por ataques de alto perfil, visando principalmente empresas e exigindo grandes somas de resgate. Seus alvos incluem empresas de vários setores, desde tecnologia até varejo.

DarkSide: O grupo DarkSide ficou conhecido mundialmente após o ataque ao Colonial Pipeline em 2021. Eles são conhecidos por ataques de ransomware em larga escala, geralmente direcionando empresas de grande porte. O grupo ganhou notoriedade por sua abordagem profissional e táticas de extorsão.

Conti: O grupo Conti é outro grupo ransomware de destaque na atualidade. Eles têm como alvo principalmente organizações e empresas de diversos setores, incluindo saúde, educação e serviços públicos. O Conti é conhecido por exigir resgates significativos e por sua capacidade de vazar dados de suas vítimas, caso o resgate não seja pago.

Ryuk: O grupo Ryuk é conhecido por seus ataques altamente direcionados, principalmente a grandes empresas e organizações. Eles são reconhecidos por seu método de infiltração na rede e, em seguida, criptografam os sistemas para exigir um resgate. O grupo Ryuk tem sido associado a ataques financeiros e extorsões.

LockBit: O grupo foi detectado pela primeira vez em 2019 e, desde então, tem se destacado como uma das ameaças mais proeminentes na esfera do ransomware. Uma característica distintiva do LockBit é seu modelo de negócio exclusivo, conhecido como “Double Extortion” (dupla extorsão). Além de criptografar os arquivos, o grupo também rouba dados confidenciais das vítimas antes da criptografia. Caso o resgate não seja pago, eles ameaçam vazar essas informações sensíveis publicamente, causando danos adicionais e aumentando a pressão sobre as vítimas para pagar o resgate.

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André atua como jornalista de tecnologia desde 2009 quando fundou o Tekimobile. Também trabalhou na implantação do portal Tudocelular.com no Brasil e já escreveu para outros portais como AndroidPIT e Techtudo. É formado em eletrônica e automação, trabalhando com tecnologia há 26 anos.
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