A falta de normas no Brasil pode intensificar a manipulação por IA em eleições

Apesar do avanço global, o Brasil ainda carece de regulamentações robustas para coibir a manipulação e falsificação digital geradas por inteligência artificial.
Publicado dia 23/01/2026
Brasil enfrenta desafio na regulação da inteligência artificial para impedir manipulação digital em eleições
Brasil enfrenta desafio na regulação da inteligência artificial para impedir manipulação digital em eleições
Resumo da notícia
    • O Brasil ainda não possui normas claras para controlar a manipulação digital em eleições, mesmo com avanço global em IA.
    • Você deve estar atento aos riscos que o uso indevido de IA pode trazer para a autenticidade das informações eleitorais.
    • Isso compromete a confiança do eleitor e a legitimidade dos resultados eleitorais na sociedade.
    • Iniciativas legislativas e debates buscam regular o uso ético da IA e proteger direitos fundamentais.

Mesmo com o avanço global em tecnologias de inteligência artificial, o Brasil ainda enfrenta um grande desafio: a ausência de normas claras para controlar a manipulação e falsificação digital em eleições. A falta de regulamentação robusta pode facilitar o uso indevido da IA para influenciar o processo eleitoral, potencializando a disseminação de desinformação e afetando a confiança na democracia.

A realidade da manipulação digital nas eleições brasileiras

A manipulação de informações durante eleições não é novidade, mas a chegada da inteligência artificial amplia o alcance e a sofisticação dessas práticas. Ferramentas de IA possibilitam a criação de ângulos falsos, deepfakes e conteúdos distorcidos que podem convencer eleitores e influenciar resultados.

No Brasil, a legislação ainda não acompanhou essa evolução tecnológica. Isso deixa uma lacuna para que conteúdos fabricados por IA, sem uma verificação rígida, circulem livremente nas redes sociais e outras mídias digitais.

Deepfakes, por exemplo, podem criar vídeos que simulam pronunciamentos falsos de políticos, gerando desinformação em massa. A ausência de normas específicas para combater essa prática contribui para o aumento desse fenômeno nas eleições.

Segundo especialistas, o país precisa de um marco regulatório eficaz que contemple os avanços da IA e garanta transparência nas informações públicas, prevenindo tentativas de manipulação digital com fins eleitorais.

Por que o Brasil ainda não regula IA eleitoral?

Em muitos países, a regulamentação sobre o uso da inteligência artificial em contextos eleitorais já começou a ser discutida e implementada. No entanto, no Brasil, a falta de legislação detalhada torna o sistema vulnerável.

Uma das razões é o ritmo acelerado das inovações tecnológicas, que muitas vezes supera a capacidade do sistema legislativo de se adaptar. Além disso, a ausência de consenso político e pressões diversas atrapalham a definição de regras claras sobre a utilização de IA em campanhas eleitorais.

Outra dificuldade é equilibrar a liberdade de expressão com a necessidade de limitar abusos tecnológicos. Decisões judiciais recentes indicam que o Brasil ainda está buscando esse equilíbrio, especialmente em relação à terceirização de tecnologias e ao uso indevido da IA nas eleições.

Além disso, é importante reconhecer que a regulação precisa proteger direitos fundamentais, como a privacidade e a imagem dos cidadãos, o que ainda carece de avanços concretos no contexto brasileiro.

Como a manipulação por IA afeta a confiança nas eleições

A disseminação de notícias falsas e conteúdos manipulados por IA pode gerar um efeito cascata na opinião pública. Quando o eleitor é exposto a informações distorcidas, a tomada de decisão fica comprometida.

Alguns efeitos diretos são:

  • Descrédito nos candidatos e nas instituições eleitorais;
  • Aumento da polarização política;
  • Potencial para conflitos pós-eleição;
  • Diminuição da participação popular nos processos democráticos.

A manipulação digital intoxica o debate público e coloca em risco a legitimidade dos resultados eleitorais.

Casos recentes no Brasil mostram o impacto que deepfakes e notícias falsas já tiveram, colocando em evidência a urgência de uma legislação específica para IA que coíba essas práticas e fortaleça a transparência.

Iniciativas e debates em andamento no Brasil

Nos últimos anos, tem aumentado o debate sobre a necessidade de regular o uso da inteligência artificial no país, especialmente para frear os riscos éticos e sociais que envolvem a desinformação digital.

Alguns projetos já foram apresentados no Congresso Nacional, propondo regras para o uso de IA em eleições e protegendo contra manipulação digital. Contudo, ainda não foram aprovados ou implementados de forma abrangente.

Organizações da sociedade civil, especialistas em tecnologia e autoridades eleitorais têm trabalhado para promover a conscientização sobre a urgência de normas claras sobre IA.

Enquanto isso, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem investido em tecnologia para identificar e combater desinformação, mas esbarra na falta de instrumentos legais adequados para coibir o uso malicioso da IA.

O impacto das normas internacionais e o que o Brasil pode aprender

Países como Estados Unidos, União Europeia e alguns asiáticos já discutem regras específicas para IA que influenciam eleições, incluindo a obrigatoriedade de rotular conteúdos criados por inteligência artificial.

Essas normas ajudam a mitigar os riscos de manipulação digital e fornecem modelos que podem inspirar a formulação das políticas brasileiras.

Além disso, o diálogo internacional sobre ética e transparência em IA está em crescente expansão, com acordos para combater deepfakes e assegurar a integridade eleitoral.

O Brasil acompanha esse debate global e pode acelerar a criação de legislação que enderece diretamente o uso da IA nas eleições, fortalecendo a democracia.

O que esperar da regulamentação da IA no Brasil

Nos próximos anos, a expectativa é que o Brasil avance na definição de regras que controlem o uso da inteligência artificial, especialmente em áreas sensíveis como as eleições.

Essa regulamentação deverá:

  • Impor transparência sobre o uso de IA em conteúdos políticos;
  • Estabelecer punições para quem usar a tecnologia para manipular eleitores;
  • Garantir a proteção dos direitos de imagem e dados pessoais;
  • Estimular o desenvolvimento ético e responsável da tecnologia.

Setores de tecnologia, política e sociedade civil acompanham de perto esse processo, que será decisivo para o futuro da integridade eleitoral no país.

Assim, é fundamental que a população esteja informada sobre os riscos e canais para denunciar práticas ilegais relacionadas à IA.

Aspectos da manipulação por IA em eleições Descrição
Sofisticação tecnológica Uso de deepfakes, bots e algoritmos para criar conteúdos falsos e enganosos
Ausência de normativas específicas Falta de legislação robusta para coibir manipulação eleitoral via IA
Riscos à democracia Impacto negativo na confiança do eleitor e legitimidade dos resultados
Desafios na fiscalização Dificuldade em monitorar e punir abusos tecnológicos em tempo real
Iniciativas em andamento Projetos legislativos e investimentos do TSE em combate à desinformação

A ausência de restrições legais específicas no Brasil permite que a IA seja usada sem controle rigoroso, elevando os riscos de manipulação e falsificação digital nas eleições. Isso reforça a importância da criação e aprovação de normas claras para garantir que a tecnologia seja usada a favor da democracia, e não contra ela.

Outra preocupação é a falta de proteção eficaz contra a disseminação de deepfakes e a manipulação de imagem, problema que tem sido debatido no contexto da regulação do uso de IA para proteger os direitos dos cidadãos no país.

A tecnologia avança rápido, e o país precisa correr para alinhar legislação e fiscalização, acompanhando movimentos globais e evitando que a manipulação por IA comprometa processos eleitorais futuros. Essa evolução legislativa também dialoga com desafios mais amplos, como os riscos éticos e sociais da IA apontados por estudos recentes no Brasil.

André atua como jornalista de tecnologia desde 2009 quando fundou o Tekimobile. Também trabalhou na implantação do portal Tudocelular.com no Brasil e já escreveu para outros portais como AndroidPIT e Techtudo. É formado em eletrônica e automação, trabalhando com tecnologia há 26 anos.