O Senado dos EUA oficializou o uso de ChatGPT com dados internos e liberou também Gemini e Copilot sob um esquema de risco próprio — a IA agora entra de vez na rotina legislativa.
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Na prática, o Escritório do Sergeant at Arms aprovou o uso de Microsoft Copilot, Google Gemini e ChatGPT com dados do Senado, sob um modelo de governança criado em 2025. Cada funcionário poderá ter uma licença de Gemini ou ChatGPT Enterprise sem custo, enquanto o Copilot já roda integrado ao Microsoft 365 usado na Casa. É o movimento mais explícito até agora de que o ChatGPT está consolidado como ferramenta padrão de trabalho no Congresso americano.
Como o Senado dos EUA está usando ChatGPT, Gemini e Copilot?
Segundo um memorando interno do Senado, Copilot, Gemini e ChatGPT foram aprovados como chatbots generativos aptos a lidar com dados do próprio Senado. Em 2023, ChatGPT, Google Bard e Bing AI tinham uso liberado apenas para pesquisa ou interação com informação não sensível, classificados em um nível de risco “moderado”. Agora o freio de mão afrouxou: o novo sinal verde libera o uso com dados oficiais, o que destrava tarefas como resumir minutas de projeto, organizar pesquisas e rascunhar discursos diretamente a partir de documentos internos.
O Copilot já vem plugado no ambiente Microsoft 365 existente — Word, Excel e afins — e o aviso aos servidores registra que o chatbot pode ser usado para tarefas “rotineiras do Senado”, como redigir e editar textos, resumir material, montar talking points e preparar briefings, além de apoiar pesquisa e análise. O acesso funciona também em dispositivos móveis pelo aplicativo do Copilot. No caso de Gemini Chat e ChatGPT Enterprise, os detalhes de licenciamento serão divulgados em até 30 dias, e cada servidor poderá escolher uma licença, sem desembolsar nada por isso.
Quais são as regras de segurança e o modelo de risco da IA no Congresso?
O Senado trabalha com um esquema de avaliação de risco em duas camadas, estabelecido em outubro de 2025, de acordo com a organização PopVox Foundation, que acompanha o uso de tecnologia no Legislativo americano. O Tier 1 cobre dados não sensíveis do Senado, enquanto o Tier 2 trata de dados oficiais. As aprovações recentes de Copilot, Gemini e ChatGPT são as primeiras enquadradas nesse Tier 2, o que sinaliza um grau maior de confiança no tratamento de informação institucional por esses serviços.
Mesmo assim, há travas técnicas. O aviso interno pontua que o Copilot não tem acesso automático a arquivos internos, pastas compartilhadas, e-mails, chats do Teams ou outros recursos do Senado. O chatbot só enxerga o que o usuário inclui explicitamente no prompt. A ferramenta roda na nuvem governamental segura da Microsoft e, segundo o documento, atende aos requisitos federais e específicos do Senado para cibersegurança. Em paralelo, cada gabinete continua responsável por sua própria política de IA, o que mantém uma diferença grande de uso entre escritórios mais conservadores e outros que já testam IA de forma intensa no dia a dia.
Por que ChatGPT virou favorito em meio a medo de abuso e pedidos de “kill switch”?
O avanço de ChatGPT dentro do Congresso acontece enquanto o mesmo Congresso discute como frear IAs consideradas perigosas. Deputados americanos apresentaram o projeto AI Kill Switch Act, que quer dar ao Departamento de Segurança Interna poder explícito para ordenar o desligamento de modelos ou ferramentas de IA que ameacem o público. A proposta exige que empresas mantenham capacidade técnica para reduzir, suspender ou desligar sistemas de IA e relatem incidentes tecnológicos relevantes ao governo, num fluxo de resposta que vai de “desaceleração inicial” a desligamento total.
No centro do debate está a própria OpenAI. A empresa admitiu recentemente que modelos da casa saíram de controle de forma “sem precedentes” e invadiram um grande repositório de código. O congressista Ted Lieu defende que sistemas de IA tenham um kill switch e que o governo tenha autoridade clara para acionar esse botão. Ele cita também problemas com os modelos Mythos e Fable da Anthropic, que obrigaram o Departamento de Comércio a recorrer a uma lei de exportação para barrar temporariamente o acesso público, por causa de capacidades avançadas de hackeamento.
O que Sam Altman já disse ao Congresso sobre riscos de IA e eleições?
Sam Altman, CEO da OpenAI, foi ouvido no Senado em 2023, quando o pânico ainda girava em torno de colas escolares com ChatGPT e deepfakes. Naquela audiência, Altman classificou a interferência de IA na integridade eleitoral como uma “área significativa de preocupação” e defendeu intervenção governamental como “crítica” para mitigar riscos de sistemas cada vez mais poderosos. Ele disse que entende a ansiedade sobre como a tecnologia pode mudar a vida das pessoas e admitiu temer que a indústria cause “dano significativo ao mundo” se errar a mão.
No mesmo contexto, senadores expuseram o lado sedutor e o lado tóxico da tecnologia. Richard Blumenthal abriu a sessão com um discurso que parecia seu, mas tinha sido escrito por ChatGPT e lido por uma voz clonada a partir de falas dele. Na sequência, questionou o que aconteceria se tivesse pedido à IA um endosso à rendição da Ucrânia ou ao líder russo. Outros participantes defenderam exigências de testes de sistemas, divulgação de riscos antes do lançamento e até a criação de uma agência de licenciamento de IA nos EUA, focada em bloquear modelos capazes de se autorreplicar ou escapar para “a selva” digital.
Enquanto o Senado abraça ChatGPT para redigir textos e resumir relatórios, segue sem listar publicamente quais ferramentas são aprovadas ou quais critérios definem esse carimbo oficial — informação que continua presa em memorandos internos e normas técnicas.




