O ChatGPT está transformando a forma como as pessoas flertam nos aplicativos de namoro — e os efeitos não são positivos. A ferramenta, que tem sido usada para facilitar a paquera, acabou terceirizando o flerte, causando desgaste emocional e questionamentos sobre a autenticidade das relações.

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Uso massivo do ChatGPT para criar conversas e perfis

Uma pesquisa da Kaspersky aponta que 75% dos usuários de apps de namoro afirmam que usariam o ChatGPT para melhorar suas conversas e conquistar pretendentes. Entre homens solteiros, 54% admitiram usar a IA para parecer mais engraçados ou inteligentes. Entre as mulheres, 51% recorrem à tecnologia para conversar com vários parceiros ao mesmo tempo, ampliando as chances de sucesso.

O Match Group, responsável pelo Tinder e outros aplicativos, constatou que 26% dos solteiros nos Estados Unidos usam inteligência artificial para criar perfis mais atraentes, compor mensagens e até avaliar a compatibilidade amorosa. Para muita gente, o ChatGPT virou uma espécie de "guru amoroso" digital, segundo o estudo “Solteiros na América”.

Desgaste emocional, falta de autenticidade e riscos éticos

Apesar do uso crescente, 57% dos entrevistados pela Kaspersky consideram desonesto empregar IA para conquistar alguém. Quase metade, 42%, percebe quando uma conversa foi gerada por um robô, o que reduz o interesse no flerte. Crystal Cansdale, especialista em namoro do app Inner Circle, afirma que o uso de chatbots é enganoso e compromete a autenticidade, elemento central em qualquer relacionamento.

Quem terceiriza o flerte enfrenta o risco de se sentir constrangido no encontro presencial, quando não consegue manter a conversa sozinho. A coach de namoro Erika Ettin explica que a IA impede avaliar a verdadeira personalidade do parceiro, já que as mensagens não refletem emoções genuínas.

O uso da IA também abre espaço para golpistas aperfeiçoarem fraudes dentro dos apps, aumentando os riscos para os usuários. A recomendação é usar apenas plataformas que verifiquem os perfis e tomar cuidado com informações pessoais, especialmente no Brasil, onde a discussão sobre segurança digital ainda evolui.

O que dizem os usuários e o futuro do flerte digital

O fenômeno da "fadiga do namoro" transforma o flerte em um jogo de números, onde a originalidade é sacrificada para se destacar em meio à multidão. Muitos recorrem à IA para driblar a pressão de se mostrar “diferente” diante do excesso de opções.

Especialistas e empresas de aplicativos tentam usar a IA para melhorar a experiência, com recursos que alertam sobre mensagens ofensivas e promovem maior transparência. As normas sociais e éticas para o uso da inteligência artificial no namoro ainda não se consolidaram.

Casos como o de uma mulher que confessou usar o ChatGPT “o tempo todo” para escrever mensagens revelam o impacto da tecnologia na dinâmica dos relacionamentos, colocando em xeque o que é genuíno no flerte online.

Mãos de uma mulher negra segurando um celular com a tela escrito Tinder
Usuária interagindo no Tinder, um dos apps impactados pelo uso do ChatGPT (Imagem: reprodução/www1.folha.uol.com.br)

O desafio está em equilibrar a ajuda da IA com a necessidade de conexão emocional real, uma fronteira que o algoritmo ainda não ultrapassou.