O protótipo do carro voador da Embraer, o eVTOL (aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical), concluiu a fase de testes de voo pairado e de baixa velocidade no interior paulista.

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Testes recentes e próximos passos

As avaliações ocorreram na fábrica da Embraer em Gavião Peixoto, cinco meses após o voo inaugural do modelo. O veículo demonstrou estabilidade no ar e realizou manobras a até 37 km/h. A equipe técnica analisou os sistemas de controle, o desempenho térmico e os impactos aerodinâmicos dos rotores. O protótipo, que comporta um piloto e quatro passageiros, manteve-se estável tanto em hover quanto em deslocamento horizontal, abrindo caminho para testes em velocidades maiores.

A próxima etapa, marcada para o segundo semestre de 2026, incluirá voos de transição ainda em solo, preparando a operação comercial que a Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer, planeja lançar em 2027.

Características e mercado do eVTOL

O eVTOL funciona com energia elétrica, emitindo cerca de 90% menos gases poluentes do que aeronaves tradicionais. Equipado com dez hélices — oito horizontais e duas verticais —, não depende de pista para decolar ou pousar, diferentemente de aviões e helicópteros convencionais. Sua emissão sonora é 80% inferior à dos helicópteros, aspecto crucial para permitir operações contínuas em rotas urbanas, que a empresa denomina “avenidas aéreas”.

A Embraer já contabiliza cerca de 3 mil unidades encomendadas, com a produção prevista para Taubaté. A projeção da empresa indica que a frota global de eVTOLs poderá alcançar 30 mil unidades até 2045, transportando mais de 3 bilhões de passageiros nesse período. Segundo a Eve, a expectativa é que no Brasil, especialmente em São Paulo e Rio de Janeiro, o modal atinja 3 milhões de usuários mensais.

(Imagem: reprodução/projetodraft.com)

Mobilidade urbana, sustentabilidade e desafios

O eVTOL foi concebido para o transporte compartilhado, acessível via aplicativo, o que aumenta sua sustentabilidade. A empresa estima que o custo será competitivo para substituir táxis e veículos particulares em trajetos curtos, como ligações entre centros urbanos e aeroportos. Um trajeto exemplo é o trecho entre a avenida Paulista e o aeroporto de Guarulhos, que será reduzido para cerca de 15 minutos.

O projeto ainda enfrenta desafios regulatórios e técnicos, incluindo o controle do tráfego aéreo para múltiplas aeronaves operando ao mesmo tempo. A operação autônoma, embora testada em sistemas, ainda está longe de ser implementada.

A aprovação das autoridades regulatórias é crucial para o início dos voos comerciais em 2027. A Embraer também investe em tecnologias híbrido-elétricas, elétricas e movidas a hidrogênio para o futuro da aviação regional.

Com testes avançados no Brasil, a Embraer avança na transformação do conceito de carro voador em uma tecnologia real, mirando o protagonismo global no mercado da mobilidade aérea urbana.