O fim discreto das telas curvas em smartphones: causas e mudanças no mercado

Entenda por que as telas curvas de smartphones perderam espaço para os modelos planos e como isso afeta você.
Atualizado há menos de 1 minuto
O fim discreto das telas curvas em smartphones: causas e mudanças no mercado
(Imagem/Reprodução: Xiaomitime)
Resumo da notícia
    • As telas curvas de smartphones, antes símbolo de inovação, foram substituídas por displays planos devido a limitações técnicas.
    • Você vai notar mais durabilidade e melhor usabilidade nos smartphones atuais com telas planas.
    • A mudança impacta a indústria, reduzindo custos e facilitando reparos, beneficiando usuários e fabricantes.
    • Modelos com microcurvatura tentam equilibrar estética e funcionalidade sem os problemas das curvas tradicionais.

A transição das telas curvas de smartphones para os displays planos marcou uma grande mudança no design de celulares recentes. Antes um símbolo de luxo e tecnologia de ponta, as telas com bordas curvas, conhecidas como “Edge”, perderam espaço rapidamente. Essa alteração se deu por problemas de durabilidade, dificuldade de uso e custos de fabricação mais elevados. Grandes marcas, como a Xiaomi, ajustaram suas estratégias, e estruturas mais planas ou com curvas suaves se tornaram o padrão do mercado de smartphones, pegando muitos de surpresa.

O auge e a diminuição das Telas Curvas de Smartphones

As telas OLED curvas ficaram populares em meados dos anos 2010. Fabricantes usavam essa tecnologia para mostrar o avanço em displays flexíveis, que prometiam uma estética futurista, com bordas visuais mais finas e uma experiência mais imersiva. A ideia de ter uma tela que se estendia pelas laterais do aparelho era bastante atrativa inicialmente.

No entanto, com o tempo, a indústria percebeu que as telas curvas traziam desvantagens em ergonomia e durabilidade a longo prazo. Essa percepção levou as empresas a focar mais na praticidade do uso diário, no desempenho em jogos e na facilidade de reparo, em vez de apenas na experimentação estética. A mudança na prioridade visava aprimorar a experiência geral do usuário.

Xiaomi 12 curved display

A promessa inicial dos painéis curvos

O design com bordas curvas, inicialmente, foi apresentado como uma inovação que eliminava as fronteiras visuais. Ela criava a ilusão de uma tela flutuante, o que definiu a categoria de smartphones premium por vários anos. A experiência era visualmente impactante, destacando-se entre os modelos mais tradicionais.

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No entanto, o retorno dos usuários revelou dificuldades práticas. Entre os problemas mais comuns estavam os toques acidentais nas bordas, a ocorrência de reflexos mais fortes e complicações com acessórios de proteção, como capas e películas. Com a mudança das expectativas sobre a experiência do usuário, os designs curvos começaram a não atender bem ao seu propósito original em aparelhos de ponta.

Xiaomi keeps curved screen design for Pro Ultra flagship models

Limitações funcionais que encerraram a tendência

Uma razão principal para a transição foi a dificuldade de resolver diversas questões ergonômicas e ópticas. Algumas otimizações de software tentaram contornar esses problemas, mas, frequentemente, criavam novas limitações de uso para os consumidores. A complexidade de adaptar o software para um hardware curvo se mostrou um desafio.

Com o aumento da importância da qualidade de tela, da resposta para jogos e do comportamento da caneta stylus, as telas planas entregaram resultados mais consistentes em vários cenários de uso. Isso fez com que fossem preferidas pelos fabricantes que buscavam confiabilidade e desempenho.

Desafios de toque e interação persistentes

Muitos usuários relatavam ativações acidentais ao longo das bordas curvas, pois havia menos área para segurar o aparelho de forma passiva. Mesmo com melhorias nos algoritmos de rejeição de palma, a sensibilidade, por vezes, atrapalhava os toques intencionais dos usuários.

O raio de curvatura estreito criava uma zona de interação difícil de otimizar, especialmente ao usar o aparelho com uma só mão. Após vários ciclos de modelos, a indústria percebeu que, para manter a precisão do toque, era preciso reduzir ou eliminar as bordas curvas.

Problemas ópticos e de visibilidade

O vidro curvo dobrava a luz de entrada de um jeito que aumentava o brilho e diminuía a uniformidade das cores nas bordas. Essas distorções eram quase impossíveis de corrigir fisicamente, ainda mais em ambientes com muita luz. Isso comprometia a qualidade visual.

Assim, o resultado era um painel que parecia elegante nas prateleiras, mas não conseguia manter a reprodução consistente de cores que se espera de modernos displays OLED de alta qualidade. Por isso, a mudança para telas planas se mostrou mais vantajosa para a experiência visual.

Durabilidade estrutural e pressões de custo

O vidro curvo expunha mais superfície a impactos, aumentando muito a chance de rachaduras em quedas laterais, o que preocupava os consumidores. Essa limitação de engenharia se tornou mais relevante à medida que os custos de reparo subiam e os consumidores mantinham seus aparelhos por mais tempo, buscando maior durabilidade do produto. Para reforçar a durabilidade das baterias e de outros componentes, o design precisou evoluir.

No final, uma tela plana, apoiada por uma estrutura mais rígida, oferecia melhor longevidade. Essa escolha também ajudava a reduzir a demanda por serviços de reparo, beneficiando tanto os usuários quanto os centros de assistência técnica.

Xiaomi 15 Pro 2 1

Influência na fabricação e economia de serviços

A produção de OLEDs flexíveis exige maior precisão, o que resulta em um rendimento menor de produção em comparação com a fabricação de painéis planos, impactando diretamente os custos. Simultaneamente, o custo dos componentes de ponta aumentou, como os chips Snapdragon 8 Elite e os módulos de câmera avançados.

Mudar para telas planas ajudou a equilibrar as crescentes pressões no chamado bill-of-material (custo total dos componentes) para essas marcas, sem sacrificar o desempenho principal ou a capacidade da câmera. Fabricantes estão sempre de olho nas inovações, como o sensor de câmera de 1 polegada OV50X. Além disso, a manutenção dos aparelhos se tornou mais simples, reduzindo custos a longo prazo para clientes e fabricantes.

Como Xiaomi e fabricantes chineses evoluíram o conceito

A Xiaomi, a Honor e outras marcas chinesas não abandonaram completamente os aspectos estéticos das telas. Em vez disso, elas introduziram designs de vidro chamados de “Quad-Micro Curve” ou “Floating Micro-Curve”, buscando uma alternativa que unisse beleza e funcionalidade.

Estes displays mantêm um painel OLED quase plano por baixo, mas com as bordas do vidro protetor polidas nos quatro lados. Essa abordagem mantém a sensação tátil premium sem os problemas ópticos e de durabilidade dos designs “cachoeira” (waterfall) mais antigos. É uma forma de combinar o melhor dos dois mundos.

Micro Curved Display Technology

Equilibrando estética e praticidade nos smartphones

A técnica de microcurvatura garante um contato mais suave com a mão sem distorcer a imagem exibida. A Xiaomi tem usado essa estratégia em vários modelos de ponta para proporcionar uma superfície ergonômica e elegante, mantendo a estabilidade estrutural de um painel plano. Isso mostra um cuidado com a usabilidade.

Este design híbrido atende às expectativas dos clientes asiáticos, onde a curvatura suave é popular por seu visual premium. Já nos mercados ocidentais, os painéis totalmente planos continuam sendo a escolha dominante, com clientes preferindo a durabilidade e compatibilidade com películas e capas protetoras.

Essa evolução constante mostra como as preferências dos usuários e os desafios de engenharia se unem para moldar o futuro do design de smartphones, sempre buscando a melhor experiência possível. O mercado continua atento a novas tendências.

Este conteúdo foi auxiliado por Inteligência Artificial, mas escrito e revisado por um humano.

Via XiaomiTime

André atua como jornalista de tecnologia desde 2009 quando fundou o Tekimobile. Também trabalhou na implantação do portal Tudocelular.com no Brasil e já escreveu para outros portais como AndroidPIT e Techtudo. É formado em eletrônica e automação, trabalhando com tecnologia há 26 anos.