O Google começou a avisar os assinantes do Google AI Ultra, o plano mais caro do Gemini, que o Gemini 4 Argon vai "substituir o Deep Think em breve". O aviso aparece dentro do app Gemini, não traz data e não explica o que acontece com o modo de raciocínio que até agora era um dos principais motivos para pagar pelo plano.
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A mudança atinge quem paga caro justamente pelo raciocínio longo: o Deep Think era reservado aos planos de US$ 99,99 e US$ 199,99 nos Estados Unidos, e o AI Ultra custava R$ 779,90 por mês no Brasil, segundo reportagens de maio. O substituto, porém, não é exclusivo do Ultra. O Argon já está liberado desde 13 de outubro também para o AI Pro, plano bem mais barato, o que muda a conta de quem assina o pacote de topo só por causa do Deep Think.
O que diz o aviso sobre o Deep Think no app Gemini
A mensagem foi identificada pelo 9to5Google em 22 de outubro. Além de dizer que o novo modelo vai "replace Deep Think soon", ela orienta o assinante: "Switch to Argon when you need deeper reasoning" ("mude para o Argon quando precisar de um raciocínio mais profundo"). Não há comunicado público: o anúncio oficial do Argon no blog do Google não menciona o Deep Think.
Hoje o Deep Think funciona como um nível extra de raciocínio do Gemini 3.1 Pro, acima das opções Low, Medium e High. O modo, que o Google descreve como de raciocínio paralelo, teve a última atualização em fevereiro de 2026.
O texto do aviso deixa aberta a dúvida principal. O Deep Think pode desaparecer porque o Gemini 3.1 Pro será aposentado, levando junto o modo que vive dentro dele, ou porque o próprio modo será descontinuado. Também é possível que o nome continue existindo, rodando sobre o Argon. O Google não confirmou nenhuma das hipóteses.
Em três semanas, o Google mudou o rumo do Deep Think
O aviso contradiz o que o próprio Google anunciou no começo do mês. Em 3 de outubro, a empresa divulgou novas regras por plano no app: o plano gratuito perderia o acesso aos modelos Flash e Pro a partir de 9 de outubro, o AI Plus (US$ 4,99 por mês nos EUA) perderia o Pro, e o AI Pro (US$ 19,99) ganharia a opção Deep Think, descrita como "raciocínio paralelo máximo" e até então limitada aos planos de US$ 99,99 e US$ 199,99. Na ocasião, o Google também anunciou níveis de esforço low, medium e high por modelo ainda em outubro.
Dezenove dias depois, o mesmo Deep Think recebeu aviso de substituição. Não está confirmado que o recurso chegou de fato aos assinantes do AI Pro nesse intervalo.
O Argon foi apresentado em 30 de setembro com acesso restrito a especialistas em cibersegurança verificados, por cerca de duas semanas. Em 13 de outubro, o Google abriu o modelo para o público pagante, num texto assinado por Koray Kavukcuoglu, vice-presidente sênior do Google DeepMind, que chama o Argon de seu "latest frontier model". O novo modelo sempre raciocina antes de responder. O usuário escolhe quanto ele pensa (nos níveis baixo, médio e alto), não se ele pensa.
Gemini 4 Argon é bom? Os números do Google e de terceiros
O Argon é o primeiro modelo da família Gemini 4 e abandona o padrão "Pro" e "Flash" de nomes. A janela de contexto é de 1.048.576 tokens, dividida entre entrada, raciocínio e resposta. Cada requisição devolve até 65.536 tokens em streaming, e um recurso chamado "long decode" encadeia partes até chegar a cerca de 1 milhão de tokens de saída, só pelo SDK oficial do Google.
Na tabela de lançamento, o Google compara o Argon com o GPT-6 Astra, da OpenAI, e o Claude Opus 5.5, da Anthropic:
| Teste | Gemini 4 Argon | GPT-6 Astra | Claude Opus 5.5 |
|---|---|---|---|
| DeepSWE v1.1 (engenharia de software longa) | 77,9% | 74,1% | 74,2% |
| Vals Index (finanças, código, direito, impostos) | 68,9% | 63,1% | 67,0% |
| GraphWalks 256K–1M (contexto longo) | 84,2% | 71,8% | 66,8% |
| FrontierSWE v2 | 55,0% | 65,5% | 62,3% |
| Terminal-Bench 4.0 (agentes no terminal) | 57,4% | 58,2% | 66,4% |
| AutomationBench (fluxos de trabalho) | 51,3% | — | 42,5% |

O Argon lidera quando o trabalho exige ler muito material e produzir um resultado longo e coerente, e fica atrás quando um agente precisa digitar comandos no terminal ou operar o computador. No teste Gray Swan de injeção de prompt, os ataques deram certo em 0,7% dos casos, segundo o Google.
As medições independentes são mais modestas. A Artificial Analysis dá 53 pontos ao Argon (no nível High) no seu Intelligence Index, empatado com o GPT-6 Astra e o Claude Fable 5.1 e abaixo dos 58 do Claude Opus 5.5. O modelo teve a menor taxa de alucinação entre os avaliados, de 15%. Há uma ressalva de custo: ele gastou cerca de 110 milhões de tokens para completar a bateria de testes, contra uma mediana de 82 milhões. Mesmo assim, saiu por US$ 1,99 por tarefa, contra US$ 3,26 do Astra. A Bloomberg relatou que funcionários do próprio Google duvidam do desempenho do modelo em código e design de front-end. A empresa contesta.
Como usar o Gemini 4 Argon e quanto custa o Gemini no Brasil
No app Gemini e no Modo IA da Busca, o Argon está disponível para os planos AI Pro e AI Ultra. Basta escolhê-lo no seletor de modelos, que agora lista 3.5 Flash-Lite, 3.8 Flash, 3.1 Pro e 4 Argon. Os planos gratuito e AI Plus ficam sem o modelo. Fora do app, a divisão é mais rígida: o Antigravity, ferramenta de programação do Google (app de desktop e linha de comando), o AI Studio e o Android Studio na versão Canary exigem o AI Ultra.

No Brasil, segundo reportagens de maio, o AI Ultra caiu de R$ 1.209,90 para R$ 779,90 por mês, com 20 TB de armazenamento, e há uma versão de 30 TB por R$ 999,90. O AI Pro custa R$ 96,99 e o AI Plus, R$ 24,99. O Google não informou valores atuais nem diferença de disponibilidade do Argon por aqui. Na prática, quem assina o Ultra só pelo Deep Think pode encontrar o modelo substituto no Pro por cerca de um oitavo do preço. O que o Ultra mantém de exclusivo, até aqui, é o Argon nas ferramentas de desenvolvedor.
Para desenvolvedores, a API cobra em dólar e não tem camada gratuita. O ID do modelo é gemini-4-argon, e o preço introdutório é de US$ 2 por milhão de tokens de entrada e US$ 10 por milhão de saída, com 95% de desconto na entrada em cache.
O que o Google ainda não respondeu
Ficam sem resposta a data da troca, o destino do Gemini 3.1 Pro e o formato do raciocínio estendido no Argon, que pode ganhar um modo próprio ou ficar só nos níveis de esforço. O Google também não publicou limites de uso do Argon por plano.
A próxima data concreta é de quem usa a API: o preço introdutório vale até 30 de novembro de 2026. A partir daí, o Argon passa a custar US$ 4 por milhão de tokens de entrada e US$ 20 por milhão de saída, o dobro do valor atual.




