O Google anunciou nesta quarta-feira (28) o Gemini 4 Carbon, que a empresa chama de seu modelo de IA mais forte e que estreia em 1º lugar no Artificial Analysis Intelligence Index v5.0, com 59 pontos. Há um porém grande: por enquanto, só um grupo restrito de especialistas em defesa cibernética vai poder usá-lo.
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- Lançamento do Gemini 4 Carbon: defensores cibernéticos primeiro, público sem data
- Benchmarks do Gemini 4 Carbon vs Argon, GPT-6 e Claude: onde ele lidera e onde perde
- Cibersegurança: 88,2% no SEC-bench Pro, medido sem guardrails
- Zero trapaça no Terminal-Bench e ataques de prompt injection barrados, diz o Google
- Preço do Gemini 4 Carbon na API e o que o assinante brasileiro tem hoje
Quem assina o Gemini no Brasil continua, por ora, com o Gemini 4 Argon, lançado há duas semanas. O Google não deu data nem plano para o Carbon chegar ao app, à Busca ou à API aberta, e o anúncio não menciona o Brasil nem o português. Para desenvolvedores, a empresa já fixou o preço: o mesmo do Argon.
Lançamento do Gemini 4 Carbon: defensores cibernéticos primeiro, público sem data
O texto de lançamento, assinado por Koray Kavukcuoglu, vice-presidente sênior do Google DeepMind e arquiteto-chefe de IA do Google, define o Carbon como "nosso modelo mais forte, com capacidades de segurança cibernética e de longo horizonte de ponta". A partir desta semana, um subconjunto de defensores cibernéticos recebe acesso, e a liberação se estende aos poucos a outros "parceiros de confiança" pelo Fairwind Program, o mesmo canal por onde o Argon passou antes de abrir.
A cautela tem explicação oficial. "Estamos adotando uma abordagem deliberada no lançamento e participamos ativamente do processo voluntário do governo dos EUA de testes de modelos antes do lançamento", escreveu Kavukcuoglu. Desenvolvedores, empresas e consumidores entram depois, "o mais rápido possível", segundo o post, enquanto o Google coleta feedback e ajusta os guardrails.
O roteiro do Argon dá uma pista do que pode vir. Ele foi apresentado em 30 de setembro, ficou primeiro com os parceiros do Fairwind e abriu em 13 de outubro para a API (AI Studio e plataforma Gemini), para assinantes do AI Ultra no Google Antigravity e para assinantes Pro e Ultra no app Gemini e no Modo IA da Busca. O Google não disse que o Carbon seguirá o mesmo caminho, nem quanto tempo a fase restrita vai durar. O nome também não era segredo: no início de outubro, a Business Insider relatou que funcionários testavam um checkpoint chamado "Carbon" na plataforma interna Jetski, comparando-o em código ao Claude Opus 5.5. O Google não comentou na época.
Benchmarks do Gemini 4 Carbon vs Argon, GPT-6 e Claude: onde ele lidera e onde perde
O 59 no índice da Artificial Analysis coloca o Carbon um ponto acima do Claude Opus 5.5, da Anthropic (58), e dois acima do GPT-6 Astra, da OpenAI (57). O Argon aparece com 50 na tabela do próprio Google. É liderança, mas por margem curta, e a tabela de benchmarks divulgada pela empresa mostra que o Carbon não vence em tudo:
| Benchmark | Gemini 4 Carbon | Gemini 4 Argon | GPT-6 Astra | Claude Opus 5.5 |
|---|---|---|---|---|
| Artificial Analysis Index v5.0 | 59 | 50 | 57 | 58 |
| Vals Index v2.2 | 70,4% | 69,2% | 65,0% | 70,2% |
| FrontierSWE 2 (código) | 61,2% | 55,0% | 65,5% | 62,3% |
| Terminal-Bench 4.0 | 65,2% | 57,1% | 59,1% | 59,6% |
| OSWorld-2.1 (uso de computador) | 81,5% | 74,7% | 80,9% | 87,2% |
| AutomationBench (Zapier) | 53,9% | 51,3% | 41,4% | 42,5% |
| GraphWalks (contexto de 256 mil a 1 milhão) | 96,2% | 84,2% | 71,8% | 66,8% |
| Terminal-Bench-Science 0.1 | 64,8% | 52,9% | 63,3% | 59,0% |
| ExploitGym (exploração) | 54,8% | 42,0% | 42,4% | 34,5% |
| CWE-bench (correção) | 71,0% | 68,0% | 68,0% | 67,0% |
No FrontierSWE 2, teste de engenharia de software, o GPT-6 Astra fica na frente com 65,5%, contra 61,2% do Carbon. No OSWorld-2.1, que mede a capacidade de operar um computador, o Opus 5.5 abre seis pontos (87,2% contra 81,5%). Os maiores saltos sobre o Argon estão em contexto longo (GraphWalks, de 84,2% para 96,2%), em tarefas científicas no terminal (de 52,9% para 64,8%) e no ExploitGym (de 42% para 54,8%). No WebDev Arena, ranking de desenvolvimento web, o Carbon ganhou 89 pontos de Elo e ficou em 4º, com 1.769. Com exceção do índice da Artificial Analysis, todos esses números foram rodados e divulgados pelo próprio Google, sem reprodução independente até agora.

Cibersegurança: 88,2% no SEC-bench Pro, medido sem guardrails
A segurança digital é a vitrine do Carbon. O Google afirma que ele lidera as três etapas do ciclo de defesa: encontrar falhas (88,2% no SEC-bench Pro, contra 85,4% do GPT-6 Astra e 83,4% do Argon), confirmar se elas são exploráveis (54,8% no ExploitGym) e corrigir a causa (71% no CWE-bench, da Collinear). Há um detalhe que o post registra entre parênteses: esses testes foram feitos "sem guardrails". A versão que chegar ao público, com as travas ligadas, pode se comportar de forma diferente.
A empresa também cita resultados de equipes internas e parceiros. Em testes internos, o Carbon teria mais que dobrado a taxa de sucesso na geração de código seguro em relação ao Argon. O time do Chrome relatou desempenho "mais de 10 vezes melhor" que o de um grande modelo de outro laboratório, que o Google não nomeia, na produção de patches de qualidade. A Wiz, plataforma de segurança em nuvem do Google, diz que o modelo lidera em testes de invasão de aplicações web.
O outro eixo é o que o Google chama de longo horizonte. Segundo a empresa, equipes internas viram o Carbon trabalhar "por dias" seguidos, insistindo depois de becos sem saída, em tarefas como achar a causa e corrigir bugs sutis em grandes bases de código e em sistemas de baixo nível. Janela de contexto e velocidade não foram informadas.

Zero trapaça no Terminal-Bench e ataques de prompt injection barrados, diz o Google
O Carbon usa a mesma pilha de segurança do Argon: treinamento, defesas em tempo real contra uso indevido, resistência a prompt injection e monitoramento da cadeia de raciocínio. Os números de alinhamento que o Google apresenta são todos internos. A taxa de trapaça bem-sucedida no Terminal-Bench 4.0 caiu a 0%, com tentativas em 0,4%. Os alertas de desalinhamento de alta gravidade em ambientes de código caíram quase 80%, e as afirmações sem base diminuíram cerca de duas vezes em relação ao Argon.
A empresa diz ainda que o modelo extrapola 26% menos o escopo pedido e entrega 29% menos aquém do solicitado. No Indirect Prompt Injection Benchmark da Gray Swan, o Argon já liderava com 0,7% de ataques bem-sucedidos; o Carbon chegou a 0%, resistindo a todas as tentativas avaliadas. Para um modelo que deve navegar em código e páginas de terceiros durante dias, esse é o número que mais interessa a quem vai colocá-lo em produção.
Preço do Gemini 4 Carbon na API e o que o assinante brasileiro tem hoje
Na API, o Carbon estreia com o preço introdutório do Argon: US$ 2 por milhão de tokens de entrada e US$ 10 por milhão de tokens de saída, com 95% de desconto nos tokens de entrada em cache. Terminado o período introdutório, os valores dobram para US$ 4 e US$ 20, segundo nota de rodapé do anúncio. O Google não informou quando o período promocional do Carbon termina. O do Argon vai até 30 de novembro.
Para o consumidor, nada muda por enquanto. O Argon está no app Gemini para assinantes Pro e Ultra. No Brasil, o Google AI Pro custa R$ 96,99 por mês e o AI Ultra, R$ 779,90 por mês no plano de 20 TB, segundo levantamento de imprensa brasileira, não confirmado pelo Google. Ninguém sabe ainda se o Carbon vai substituir o Argon nesses planos, ficar restrito ao Ultra ou ganhar outro nome. A próxima peça concreta deve vir da liberação para desenvolvedores, para a qual o Google fala apenas em "em breve", sem data marcada.
Fonte: Google




