O Google está testando uma página inicial do buscador em que os botões de destaque são ligados à inteligência artificial, no lugar do tradicional “Pesquisa Google”, o que rebaixa a busca clássica a um papel secundário.
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Nessa versão experimental da home, o campo de texto segue no mesmo lugar, com o mesmo visual, mas os elementos em destaque mudam de função e viram três atalhos principais: criar imagens com IA, fazer perguntas sobre arquivos enviados e rodar sessões de brainstorming com sugestões prontas de prompt. O antigo botão “Estou com sorte” continua visível, só que o espaço mais nobre da interface passa a exibir a oferta de IA, não mais a busca simples de links azuis.
O que muda na página inicial e quem já vê o teste?
Na nova home em teste, o botão “Pesquisa Google” desaparece e cede o lugar a três botões grandes de IA. O atalho de perguntas sobre arquivos deixa o usuário subir documentos, planilhas ou imagens para pedir, por exemplo, um resumo ou uma lista de pontos principais. O de brainstorming expõe modelos de prompts para o usuário iniciar uma conversa de ideias com o sistema sem ter que inventar o comando do zero. Já o botão de criação de imagens abre direto o gerador visual da empresa.
Segundo o que foi observado no experimento, os atalhos de perguntas sobre arquivos e brainstorming funcionam até sem login, o que indica um movimento definido de usar IA como porta de entrada para quem simplesmente pousa na home do Google. O gerador de imagens continua preso à exigência de conta logada, mantendo a trava de identidade que a empresa já aplica hoje nesses recursos. Esse layout foi visto ao abrir a página inicial sem login em navegadores como Chrome, Microsoft Edge e o cliente do Perplexity Comet; ao entrar com a conta do Google, a interface voltava ao modelo antigo centrado na busca tradicional.
Em outros testes recentes, a tela inicial padrão ainda não exibiu os novos botões, o que indica um rollout restrito, típico de experimento inicial. Por enquanto, é teste puro, empurrado para um grupo pequeno de usuários que o Google seleciona da forma habitual: A/B silencioso, sem aviso, medindo clique, permanência e engajamento em cada variação de tela.
Como funcionam os novos atalhos de IA na prática?
O botão de perguntas sobre arquivos basicamente traz para a vitrine algo que já existe escondido na interface atual. Hoje, quem quiser subir um documento para a IA da empresa precisa clicar no “+” que fica à esquerda da barra de pesquisa no Modo IA. Com a nova home, esse fluxo vira um call to action destacado: o usuário clica, envia o arquivo e digita um prompt pedindo, por exemplo, um resumo em tópicos ou a explicação de um gráfico complicado. É o tipo de uso que a companhia aponta como cada vez mais comum, com consultas longas, cheias de contexto e referências cruzadas.
O atalho de brainstorming tenta empacotar a mesma IA conversacional em formato de “assistente de ideias”. Em vez de depender de o usuário saber escrever prompt, a tela passa a exibir modelos prontos para criar listas, planos ou sugestões de temas. Hoje, não há nenhum botão evidente para isso na home; é preciso entrar no Modo IA e ir experimentando até acertar o tom do comando. O novo layout corta essa fricção e coloca o caminho para esse tipo de uso logo na primeira dobra da página.
O gerador de imagens segue a mesma lógica do botão “+” atual, só que com destaque maior e mantendo a exigência de login. O usuário escolhe o tipo de cena, descreve o que quer ver e recebe as imagens geradas diretamente a partir da home, sem navegar por menus internos. No cenário que se forma, a página inicial do Google deixa de ser “só um campo de busca” e assume o papel de hub de criação e leitura de conteúdo mediado por IA, com menos cliques até os recursos que a empresa quer empurrar para o uso diário.
Google quer virar chatbot de IA disfarçado de buscador?
No último Google I/O, em maio de 2026, a empresa anunciou que a caixa de pesquisa passou a aceitar textos bem mais longos, além de imagens, vídeos, arquivos e até abas abertas do Chrome. O discurso oficial é que isso responde ao comportamento real dos usuários, que já fazem perguntas cheias de condicionais e contexto, distante daquela busca de duas ou três palavras-chave. A home em teste com atalhos de IA se encaixa diretamente nessa narrativa de “consulta rica em contexto” ocupando o lugar da busca seca.
O Modo IA também ficou mais acessível, com um botão dedicado ao lado do campo de texto e um espaço para o usuário fazer perguntas adicionais logo abaixo da visão geral criada por IA (os AI Overviews). A mudança atual vai um passo além: a empresa deixa de tratar IA como algo secundário, escondido atrás de um clique, e começa a enfiar esses recursos justamente no ponto da interface que, por décadas, serviu apenas para iniciar buscas tradicionais por páginas da web.
Há mais peças nesse tabuleiro do que só os botões da home. O Google já anunciou agentes que fazem pesquisas contínuas em segundo plano e notificam sobre novidades, recurso limitado aos planos pagos AI Pro e Ultra. Também prepara a Antigravity, ferramenta visual integrada à busca que gera simulações e painéis reutilizáveis com dados como previsão do tempo e mapas. Se esses agentes ganharem atalhos próprios na home no futuro, o buscador vira, na prática, um grande front-end de chatbot multimodal — e a velha lista de links passa a ocupar o papel de apenas mais um modo de exibição entre vários outros, não mais o produto principal.
O que ainda não está claro nessa mudança de foco?
A empresa não informou quando — ou se — a nova página inicial com botões de IA vai chegar a todos os usuários. Também não há confirmação de que o formato atual da home, centrado na busca clássica, vá desaparecer de vez. O histórico da companhia mostra que muitos testes de interface morrem no laboratório, mas alguns, quando mexem na home do buscador, costumam sinalizar direção estratégica, não apenas experimento de design isolado.
Hoje, o botão “Estou com sorte” continua aparecendo na versão em teste, ao contrário de outros experimentos anteriores em que ele era trocado pelo Modo IA. Mesmo assim, o recado visual é direto: todo o espaço nobre da tela agora exibe recursos de inteligência artificial, enquanto a busca tradicional se mantém num plano mais neutro, quase como um legado que a empresa ainda não retirou do ar.
O próximo passo concreto é ver esses atalhos de IA começarem a aparecer para mais gente, em mais navegadores e idiomas, à medida que o Google mede o impacto nos números de uso do buscador e do Gemini. O gatilho para isso está na métrica de engajamento: se os gráficos internos subirem, o “novo Google” que abre direto num chatbot multimodal deixa de ser teste e vira padrão.




