Governo brasileiro busca criar GPS nacional para representação espacial

Projeto do GPS do Brasil visa autonomia tecnológica e reforçar segurança digital sem depender de sistemas estrangeiros
Publicado dia 22/07/2025
Governo brasileiro busca criar GPS nacional para representação espacial
Projeto GPS Brasil: tecnologia própria para fortalecer a segurança digital nacional. (Imagem/Reprodução: Tecmundo)
Resumo da notícia
    • O governo brasileiro planeja desenvolver um sistema de navegação por satélite totalmente nacional, chamado GPS do Brasil.
    • O objetivo é diminuir a dependência do sistema dos EUA, aumentando soberania digital e segurança nacional.
    • Um grupo de trabalho foi criado para planejar as etapas necessárias para implementar essa tecnologia em 180 dias, com possibilidade de extensão.
    • O projeto envolve análise de desafios técnicos, capacidade industrial e estratégias de financiamento para criar um sistema próprio de navegação, localização e tempo.
    • A iniciativa conta com participação de órgãos do governo e universidades, ressaltando sua relevância para o desenvolvimento nacional.

O governo federal tem planos para desenvolver um GPS do Brasil, um sistema de navegação por satélite totalmente nacional. O objetivo é criar uma alternativa ao GPS dos Estados Unidos, diminuindo a dependência do país em relação a tecnologias de fora. Para dar os primeiros passos, um grupo de trabalho foi formado pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI) no dia 1º de julho.

Essas discussões ganharam força em meio a boatos sobre a possibilidade de Donald Trump “desligar” o GPS no Brasil. Na semana passada, alguns apoiadores de Bolsonaro espalharam a ideia de que o então presidente americano poderia aplicar novas sanções ao país, e a restrição ao sistema de geolocalização seria uma delas. Ter uma alternativa própria, então, é visto como um passo para a soberania digital e segurança nacional.

O grupo por trás do GPS do Brasil

A medida que aprovou a criação do grupo veio antes das recentes tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos. A missão desse time é bem clara: elaborar um plano detalhado de tudo o que é necessário para criar um sistema de geolocalização próprio, similar ao GPS global.

Os membros têm um prazo de 180 dias para apresentar suas conclusões iniciais, e esse período pode ser estendido por mais tempo, caso seja preciso. É um projeto que exige muita pesquisa e planejamento, envolvendo diversas áreas do conhecimento e tecnologia.

A iniciativa vai focar em vários pontos importantes para que o sistema brasileiro de Posição, Navegação e Tempo (PNT) se torne realidade. Este sistema não se limita apenas à localização, mas também à precisão de tempo e navegação para diversas aplicações.

As conversas do grupo também vão abordar os caminhos a seguir, os desafios técnicos que podem surgir e a capacidade que laboratórios e indústrias nacionais precisam ter para desenvolver um GPS próprio. Além disso, eles serão responsáveis por sugerir maneiras de financiar o projeto para que essa nova tecnologia de geolocalização possa ser desenvolvida. A segurança digital também é um ponto de atenção, com a necessidade de identificar vulnerabilidades da dependência de sistemas estrangeiros.

O grupo de discussão para a criação do GPS do Brasil conta com a participação de vários órgãos importantes. Além do GSI, há representantes dos ministérios da Ciência e Tecnologia, Comunicações e Defesa, mostrando a abrangência da iniciativa. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) também fazem parte, unindo esforços de diversas frentes.

Outras instituições que também participam são o Comando da Aeronáutica, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a Agência Espacial Brasileira (AEB), o Laboratório Nacional de Astrofísica e a Telebras. As reuniões estão programadas para acontecer no Palácio do Planalto, em Brasília, o que ressalta a importância do tema para o governo.

Outras alternativas de navegação

Além de pensar em um sistema nacional, é bom lembrar que já existem muitas outras opções além da tecnologia americana. O GPS, que hoje é tão popular e usado em celulares e carros, foi criado lá na década de 1970 para uso militar e só começou a ser liberado para o público em geral no fim do século passado.

Mas de lá para cá, outras tecnologias de navegação por satélite surgiram e se desenvolveram. Algumas delas, inclusive, já têm mais satélites em órbita do que o sistema dos EUA, oferecendo maior cobertura e precisão em certas regiões. A busca por alternativas mostra a evolução do setor de geolocalização.

Um bom exemplo é o Beidou, desenvolvido pela China, que oferece cobertura global. Há também o sistema Galileo, criado pela União Europeia, e o GLONASS, da Rússia. Esses sistemas oferecem opções robustas e aumentam a resiliência global em caso de falhas ou restrições em um único sistema.

Em entrevista à CNN, um auxiliar do presidente Lula (PT) mencionou que não acredita na possibilidade de o GPS ser desligado no Brasil. Para ele, uma medida assim seria reservada apenas para “situações de guerra” e poderia trazer prejuízos significativos para diversas empresas americanas que atuam no território nacional. Isso porque muitas operações comerciais e logísticas dependem diretamente da tecnologia de geolocalização.

Este conteúdo foi auxiliado por Inteligência Artificial, mas escrito e revisado por um humano.

André atua como jornalista de tecnologia desde 2009 quando fundou o Tekimobile. Também trabalhou na implantação do portal Tudocelular.com no Brasil e já escreveu para outros portais como AndroidPIT e Techtudo. É formado em eletrônica e automação, trabalhando com tecnologia há 26 anos.