A HBO Max decidiu copiar a fórmula do TikTok: um novo feed vertical de clipes. Chamado de HBO Max Shorts, a nova tela toma conta da interface e muda como você descobre filmes e séries.
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Na prática, o HBO Max Shorts cria um carrossel infinito de vídeos em tela cheia, com rolagem vertical, feito de cenas marcantes, trailers e extras do catálogo. O sistema monta essa fila de clipes com base no histórico de visualização de cada assinante e adapta o conteúdo ao perfil de uso. Em qualquer momento do scroll, o usuário consegue abrir o título completo a partir do trecho exibido ou mandar o conteúdo direto para a lista "Minha Lista" sem sair do feed. A atualização inclui ainda o Ask HBO Max, uma busca com inteligência artificial que entende linguagem natural e lida com descrições vagas: o recurso tenta sugerir algo relevante mesmo quando o usuário não lembra nome de filme, ator ou diretora, só o clima ou a situação.
Como funciona o HBO Max Shorts no estilo TikTok?
O HBO Max Shorts funciona como um feed de vídeos curtos, em formato vertical, projetado para manter o usuário rolando a tela sem parar. A interface repete o padrão já conhecido de TikTok, Reels e Shorts, mas aplicado ao catálogo premium da Warner Bros. Discovery, com a mesma lógica de consumo rápido. Os clipes usam cenas icônicas, trailers e materiais extras já existentes, remontados em vídeos rápidos que destacam momentos mais chamativos das produções.
Segundo a Warner Bros. Discovery, a seleção inicial desses trechos fica nas mãos de uma ferramenta de IA desenvolvida internamente, que analisa milhares de horas de conteúdo usando aprendizado de máquina e metadados de cenas, identificando personagens, emoções, temas e ritmo. Depois dessa triagem automatizada, entra o trabalho de editores humanos, que fazem a curadoria final e decidem o que realmente entra no feed público. A empresa vende a ideia com um objetivo claro: reduzir o tempo gasto zapeando menus e carrosséis estáticos e aumentar o tempo em que o assinante assiste recortes que levem ao play em algo do catálogo completo.
Neste primeiro momento, o HBO Max Shorts aparece apenas para um grupo limitado de usuários do aplicativo para iPhone (iOS) nos Estados Unidos, com um ícone próprio na barra inferior da interface. O botão leva diretamente ao fluxo vertical de vídeos e substitui parte do espaço antes ocupado pelos carrosséis tradicionais. Ou seja: nada de feed vertical para quem assina o serviço no Brasil por enquanto, inclusive quem já migrou para o app Max, sucessor do HBO Max na região, que continua com a navegação padrão.
O que é o Ask HBO Max e o que muda na busca?
O Ask HBO Max é a outra peça da atualização: uma busca com IA que entende comandos em linguagem natural, em vez de depender só de título, ator ou gênero padrão. Em vez de digitar "comédia", o assinante escreve algo como "filme para uma noite de garotas" ou "comédia sobre famílias disfuncionais" e recebe sugestões pensadas para aquela situação específica, em listas que misturam filmes e séries relacionados ao pedido descrevendo clima, tema e tom.

De acordo com a Warner Bros. Discovery, o Ask HBO Max usa compreensão de linguagem natural e pesquisa semântica para interpretar intenção de busca, conectando as frases digitadas a conceitos mais amplos. Em termos práticos, isso significa que o sistema consegue sugerir conteúdos cujo nome, sinopse ou tags não repetem literalmente as palavras que o usuário digitou, mas se encaixam no contexto geral da consulta: “noite leve com amigos”, “filme de tensão sem terror explícito”, “drama de tribunal com virada final”. É o mesmo tipo de movimento que outros players já fizeram: a Netflix adicionou uma busca mais “conversacional” na interface, com pedidos em linguagem corrente, e a Amazon leva algo parecido para quem usa Fire TV, integrando os comandos de voz ao catálogo.
O recurso, por enquanto, está sendo liberado só para usuários adultos selecionados do aplicativo Android, também restrito ao mercado norte-americano, em um teste controlado que limita idioma, faixa etária e volume de consultas. Nada de português, nada de teste aberto no Brasil, nem integração com outras plataformas fora dos EUA nesta fase. A empresa diz que pretende ampliar as duas ferramentas para mais mercados depois, incluindo outros idiomas e perfis, mas não arrisca prazo nem detalha a lista de países ou o cronograma de expansão.
Quando o feed vertical e a busca com IA chegam ao Brasil?
No curto prazo, a resposta é direta: não chegam. Tanto o HBO Max Shorts quanto o Ask HBO Max estão em testes com grupos limitados nos Estados Unidos, em plataformas diferentes (iOS para o feed, Android para a busca) e com público controlado, usados como laboratório de uso e coleta de dados antes de qualquer rollout global. A Warner Bros. Discovery só afirma que quer expandir para outros mercados no futuro e incluir esportes no feed de vídeos, misturando lances, melhores momentos e bastidores ao carrossel, mas não cita datas, países específicos nem detala como esse formato se encaixa na experiência da Max na América Latina.
Hoje, quem assina HBO Max ou Max no Brasil continua preso à velha experiência de carrosséis horizontais, filtros por gênero e uma busca mais tradicional por nome, ator, diretora ou palavra-chave direta. Os preços locais seguem definidos pelos planos Básico com Anúncios, Standard e Platinum, com variações mensais e anuais, segundo informações de mercado atualizadas até julho de 2026, sem mudanças atreladas a esses testes de interface. A novidade aqui é que, mesmo depois de reajustes e rebranding para Max na região, as principais apostas de interface e IA do grupo ainda nascem e ficam um bom tempo restritas ao mercado norte-americano, usadas primeiro por assinantes de lá.
O detalhe incômodo: enquanto HBO Max, Netflix, Disney+ e Peacock correm para enfiar mais um feed vertical no seu dia, o usuário ganha uma forma ligeiramente mais inteligente de achar conteúdo e, em troca, entrega ainda mais dados de uso e preferências para treinar as próximas versões dessas mesmas ferramentas, em testes que começam longe do público brasileiro.



