IA para nomear crianças no Brasil: riscos legais e dilemas éticos à vista

O uso de inteligência artificial para escolher nomes de crianças pode desencadear uma série de desafios legais e éticos inéditos no contexto brasileiro.
Publicado dia 8/01/2026
Uso de inteligência artificial para nomeação de crianças no Brasil gera desafios legais e éticos
Uso de inteligência artificial para nomeação de crianças no Brasil gera desafios legais e éticos
Resumo da notícia
    • A inteligência artificial está sendo usada para sugerir nomes de crianças no Brasil, levantando questões legais e éticas.
    • Se você está pensando em usar IA para escolher nomes, precisa considerar as implicações legais e a proteção dos direitos da criança.
    • A adoção dessa tecnologia pode afetar a autonomia dos pais e a diversidade cultural dos nomes na sociedade brasileira.
    • Regulamentações futuras podem definir responsabilidades e proteger melhor os direitos de crianças e famílias.

O uso da inteligência artificial para a nomeação de crianças no Brasil tem levantado questões importantes relacionadas à legislação brasileira, ética e os direitos da criança. Embora tecnologia e inovação avancem, o processo de escolha de nomes, tradicionalmente humano e cultural, pode enfrentar novos dilemas legais e morais ao ser automatizado.

O cenário atual da nomeação no Brasil

No Brasil, o registro civil de nomes é regido por leis específicas que orientam o processo, com critérios para evitar nomes que causem constrangimento ou que não respeitem os direitos da criança. Pais e responsáveis têm a liberdade de escolher o nome, observando regras sobre grafia, extensão e adequação cultural.

Recentemente, surgiram serviços que utilizam inteligência artificial para sugerir nomes baseados em tendências, significado ou até mesmo combinação de características pessoais dos pais. Essa prática ainda é pouco explorada no país, mas preocupa órgãos como o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e entidades de proteção à infância.

Especialistas em direito civil ressaltam que a adoção da IA na nomeação pode afetar o princípio da autonomia dos pais e o melhor interesse da criança, ao transferir uma decisão tão importante para um sistema automatizado.

Além disso, a necessidade de garantir que o nome respeite a legislação vigente gera incertezas sobre a responsabilidade legal desse tipo de tecnologia.

Desafios legais da utilização da inteligência artificial

A legislação brasileira ainda não contempla de maneira clara a aplicação da IA no registro de crianças. Isso levanta dúvidas sobre quem detém a responsabilidade caso o nome gerado cause problemas jurídicos, como a recusa no cartório ou futuramente prejudique a criança.

Também há o desafio da proteção dos dados utilizados por essas ferramentas. Para sugerir nomes personalizados, as plataformas podem coletar informações sensíveis dos pais, o que exige conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Em alguns casos, o uso da IA pode sugerir nomes que não estejam em listas aprovadas pelos cartórios, ou até nomes com conotações inadequadas em certas regiões, o que implica necessidade de regulamentação e fiscalização.

Por fim, a inexistência de mecanismos legais para contestar ou revisar escolhas feitas por algoritmos pode deixar pais e filhos vulneráveis a erros ou escolhas inadequadas, afastando-se do princípio do melhor interesse da criança.

Dilemas éticos na automação da escolha do nome

Além dos aspectos legais, a nomeação automatizada desperta debates éticos em torno da identidade e autonomia da criança. Nomear uma criança é um ato que envolve tradições familiares, culturais e sociais, e a IA não pode captar todas essas nuances.

Desse modo, colocar essa decisão nas mãos de um algoritmo levanta preocupações sobre a padronização dos nomes e a perda de diversidade cultural. Isso pode criar um padrão homogêneo, diminuindo a riqueza dos nomes brasileiros, reconhecidamente variados por influência de diversas etnias.

Outro ponto envolve a influência indireta do sistema na formação da identidade da criança. Nomes carregam simbolismos e expectativas; a sugestão de uma IA que privilegia popularidade ou padrões de mercado pode impactar a autoestima e o sentimento de pertencimento.

É fundamental que discussões éticas considerem o equilíbrio entre inovação tecnológica e respeito aos direitos da criança, assegurando que ela não seja submetida a decisões impessoais ou riscos de discriminação.

Possíveis caminhos para regulamentação e uso responsável

Para evitar riscos legais e dilemas éticos, especialistas recomendam que o uso da IA na escolha de nomes infantis seja acompanhado por orientações claras no âmbito da legislação brasileira. Isso inclui definir limites e atribuir responsabilidades tanto às empresas que desenvolvem essas tecnologias quanto aos usuários.

Uma possível solução seria a criação de um sistema híbrido: a IA sugere opções, mas a decisão final passa sempre pela aprovação humana, podendo incluir a supervisão de profissionais do cartório ou do registro civil.

Além disso, é essencial garantir transparência sobre como os algoritmos funcionam, quais dados são usados e como são preservados os direitos de privacidade. Isso pode ser reforçado com auditorias independentes e adaptação constante das regras conforme o avanço da tecnologia.

Dessa forma, a inovação pode contribuir para ampliar as possibilidades de escolha dos pais, sem abrir mão da proteção legal e do respeito aos direitos da criança.

Contextualização no uso da inteligência artificial no Brasil

A preocupação com o uso da inteligência artificial vai além da nomeação de crianças. No Brasil, há debates sobre o impacto da IA em direitos digitais, segurança em dispositivos móveis e regulação do setor, como observado na preparação do judiciário para julgar crimes digitais com apoio da tecnologia.

Além disso, o país enfrenta desafios para absorver inovações tecnológicas em diversas áreas, incluindo o setor energético e as indústrias relacionadas à tecnologia da informação. O avanço da IA tem sido acompanhado de perto por especialistas e reguladores, buscando equilibrar benefícios e riscos.

Por exemplo, iniciativas de empresas como a OpenAI lançam ferramentas de IA que atuam em diversas áreas, incluindo saúde e atendimento, sempre sob o olhar atento das regras locais e internacionais sobre ética e uso de dados pessoais.

Assim, o debate sobre IA na nomeação de crianças integra um contexto mais amplo, no qual o Brasil discute o lugar da inteligência artificial no cotidiano e a necessidade de legislação que acompanhe esses desenvolvimentos.

A introdução da inteligência artificial para nomeação de crianças no Brasil inaugura um campo novo de desafios jurídicos e éticos. A definição de regras claras e o equilíbrio entre tecnologia e direitos humanos serão decisivos para que essa inovação ocorra sem prejuízos aos menores.

Para mais sobre as discussões legais do uso de IA no Brasil, veja como o Judiciário Brasileiro está se preparando para julgar crimes digitais com IA.

André atua como jornalista de tecnologia desde 2009 quando fundou o Tekimobile. Também trabalhou na implantação do portal Tudocelular.com no Brasil e já escreveu para outros portais como AndroidPIT e Techtudo. É formado em eletrônica e automação, trabalhando com tecnologia há 26 anos.