Um júri em Los Angeles determinou que Meta e Google paguem US$ 6 milhões em indenizações por criarem o Instagram e o YouTube com design pensado para gerar vício. O uso intenso dessas plataformas causou danos à saúde mental de uma jovem que as utilizava desde a infância.
Adicione ao Google NotíciasJulgamento histórico e seus desdobramentos
Kaley G.M., atualmente com 20 anos, contou ao tribunal que chegou a passar 16 horas seguidas no Instagram. Ela abriu sua conta na rede social aos 9 anos e desenvolveu ansiedade, depressão e dismorfia corporal. Essa é a primeira sentença desse tipo, que envolve mais de 2 mil processos semelhantes contra gigantes das redes sociais. As empresas são acusadas de projetar seus produtos para criar dependência em jovens e adolescentes.
O júri concluiu que Meta e Google agiram com negligência no design das plataformas, que oferecem recursos como rolagem infinita, reprodução automática de vídeos e notificações constantes. Essas funcionalidades foram criadas para manter os usuários conectados por mais tempo, impulsionando a venda de publicidade baseada em audiência, conforme a acusação.
Mark Zuckerberg, CEO da Meta, e Adam Mosseri, chefe do Instagram, prestaram depoimento. Mosseri rejeitou o termo dependência e usou "uso problemático". Zuckerberg afirmou que a empresa proíbe usuários com menos de 13 anos, mas admitiu que essa restrição não é totalmente eficaz. Demonstrou desconforto ao ser questionado sobre estratégias para aumentar o engajamento dos jovens.
O Google, dono do YouTube, negou que o serviço seja uma rede social e afirmou que seus recursos não foram desenvolvidos para causar vício. Ainda assim, o júri considerou a empresa responsável.
Impacto legal e pressão global sobre redes sociais
Essa decisão abre espaço para uma série de processos semelhantes nos Estados Unidos, envolvendo indivíduos, distritos escolares e procuradores-gerais estaduais. Em maio de 2026, a Suprema Corte dos EUA manteve um processo contra a Meta movido pelo procurador-geral de Vermont, que acusa o Instagram de explorar vulnerabilidades neurológicas de adolescentes para estimular o vício.
Vários países vêm adotando restrições para limitar o acesso de menores às redes sociais. Reino Unido, França, Austrália e União Europeia discutem ou já aplicam limites de idade e exigem verificações rigorosas. A União Europeia multou o TikTok por usar recursos viciantes e ameaçou penalidades que podem alcançar 6% do faturamento global.
Nos Estados Unidos, a Meta enfrenta processos que exigem mudanças no design das plataformas para reduzir comportamentos compulsivos, além de pedidos de indenização. No Novo México, foi condenada a pagar US$ 375 milhões por não proteger usuários da exploração infantil.
O que ainda está por vir
Outros julgamentos estão marcados para 2026, incluindo casos federais em Oakland e ações envolvendo distritos escolares. A indústria das redes sociais passa por intenso escrutínio. Snap e TikTok já fecharam acordos extrajudiciais em processos semelhantes, enquanto Meta e Google anunciam novos recursos e preparam apelações. O resultado pode alterar o modelo de negócios dessas plataformas.
No Brasil, não há processos locais com valores ou datas definidas. A repercussão internacional indica que o debate sobre vício em redes sociais e a responsabilidade das empresas vai ganhar força, especialmente diante do uso massivo dessas plataformas por adolescentes brasileiros.
O julgamento em Los Angeles revela a urgência de políticas públicas e regulamentações focadas na saúde mental relacionada ao uso das redes sociais. Esse tema está em pauta em várias partes do mundo, mas permanece pouco explorado no Brasil.




