A chinesa CXMT fez um kit DDR5 bater 9.014 MT/s em teste de overclock, um número que coloca a marca no retrovisor de Micron, SK Hynix e Samsung em plena crise global de RAM.
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No experimento divulgado pela própria Colorful na rede social chinesa Weibo, um kit Colorful iGame Shadow II de 48 GB, equipado com chips fabricados pela CXMT, rodou a 4.507 MHz e atingiu 9.014 MT/s de taxa efetiva de transferência em uma placa-mãe Colorful iGame X870E VULCAN W OC com um Ryzen 7 9800X3D. Para uma empresa que ainda corre atrás das três gigantes, é um salto que a coloca oficialmente na briga por contratos de volume em um mercado dominado por escassez e preços manipulados.
O que significa a RAM chinesa chegar a 9.014 MT/s?
MT/s, no contexto de RAM, interessa mais que o clock cru: megatransfers por segundo medem quantas transferências de dados o módulo entrega efetivamente. Aqui, 9.014 MT/s equivalem a 9,014 bilhões de operações de transferência por segundo. Sim, já existem recordes acima de 13.000 MT/s em overclock com módulos de Micron, SK Hynix e Samsung, mas ver uma fabricante chinesa ainda em ascensão romper a barreira dos 9.000 MT/s muda a conversa sobre a capacidade tecnológica da CXMT.
Até pouco tempo, a CXMT aparecia basicamente como fonte de DRAM barata para marcas menores; hoje começa a surgir em kits de parceiros mais visíveis, como a própria Colorful. O teste não é de uso diário nem representa um perfil JEDEC estável para qualquer PC gamer, mas funciona como vitrine: expõe que a engenharia de memória da China saiu do estereótipo de sucata de segunda linha. Em um mercado onde mais de 90% da DRAM está na mão de três empresas, qualquer player que prove conseguir operar perto do teto técnico reduz um pouco o poder do cartel.
Quem é a CXMT e por que ela importa na crise de RAM?
A ChangXin Memory Technologies (CXMT) é hoje a maior fabricante de chips de memória da China. A empresa surgiu em 2016 e, em poucos anos, virou o nome mais citado quando se fala em DRAM chinesa: de módulos DDR5 para PCs a LPDDR para mobile. A CXMT fabrica os chips que aparecem em memórias de marcas como KingBank e nos módulos DDR5 usados pela Colorful no teste de 9.014 MT/s.

Enquanto Micron, SK Hynix e Samsung concentram produção na demanda de data centers de IA e deixam o resto do mercado com oferta racionada e preços 700% mais altos que em 2023, segundo uma ação coletiva movida na Califórnia, OEMs de PCs e notebooks passaram a olhar para a CXMT como saída emergencial. Relatos já apontam Acer, Asus e HP comprando RAM da companhia, embora, por pressão política dos EUA, esses laptops continuem restritos ao mercado chinês. Em paralelo, fontes citadas pela própria CXMT falam em produção de LPDDR6 com velocidade teórica de 12,8 Gb/s, acima do limiar de 10,7 Gb/s definido pelo consórcio JEDEC para o padrão. Ou seja: a empresa não está só copiando; está correndo para entrar na primeira divisão de especificação.
A RAM chinesa vai realmente aliviar o bolso de quem monta PC?
No curto prazo, não. A própria China viu a “joia escondida” da RAM barata sumir em semanas. Módulos DDR5 de 32 GB que eram significativamente mais baratos do que na Europa agora custam na casa de R$ 2.838 na China, valor que empata ou até supera a faixa de R$ 2.207 a R$ 2.522 praticada em sites alemães para a mesma capacidade. O descompasso de preços acabou: o que vinha da China como alternativa de baixo custo hoje cobra praticamente o mesmo que os módulos vendidos no varejo europeu.
O motivo é direto: mais gente descobriu os módulos com chips da CXMT, a demanda local explodiu e os fabricantes chineses estão redirecionando cada vez mais produção para data centers, onde as margens são muito maiores do que em PC gamer de varejo. Ao mesmo tempo, as restrições impostas pelos EUA à CXMT e à YMTC, rotuladas como "companhias militares chinesas" ligadas ao Exército de Libertação do Povo, travam qualquer expansão agressiva para os EUA e mantêm o trio Micron/SK Hynix/Samsung confortável. Enquanto isso, fabricantes como Apple, Acer, HP e Asus sondam a CXMT como fornecedora alternativa, mas esbarram em Washington antes de conseguir transformar teste de overclock em notebook barato na prateleira.




