A Microsoft abriu o caixa e amarrou tudo ao seu ecossistema: quem usar Edge, Bing e Copilot entra em um sorteio de até US$ 1 milhão em dinheiro e carros da Mercedes-Benz, numa campanha agressiva para empurrar o navegador e seus serviços.
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Na prática, a Microsoft não deposita dinheiro direto na sua conta por indicar o Edge, mas amarra o benefício à participação em um sorteio. Configurar o Microsoft Edge como navegador padrão no celular ou PC, usá-lo para ao menos uma busca na barra de endereços e engajar com outros serviços da empresa — como Bing, Copilot e Microsoft Rewards — rende “tickets” para concorrer a prêmios que incluem US$ 1 milhão, um carro da Mercedes-Benz, cartões-presente Xbox e PCs. A promoção é limitada a usuários dos EUA, Canadá, México e alguns países da Europa; o Brasil está fora.
Como funciona a promoção da Microsoft com o Edge
O núcleo da campanha é direto: use o que a Microsoft quer empurrar e ganhe chances em um sorteio. A empresa concede cinco participações a quem configurar o Edge como navegador padrão e realizar pelo menos uma pesquisa pela barra de endereços. A partir daí, cada ação tratada como “estratégica” vai rendendo mais entradas.
Entre essas ações estão acessar a página oficial da promoção, usar a extensão do Microsoft Rewards e fazer buscas com o Bing e o Copilot. Compartilhar links personalizados com outras pessoas também conta, o que transforma o programa num esquema explícito de indicação: quanto mais gente você leva para dentro do combo Edge + Bing + Copilot, mais fichas você acumula no sorteio.
Os prêmios vão desde o grande cheque de US$ 1 milhão até um carro da Mercedes-Benz, passando por recompensas instantâneas menores, como gift cards da Xbox ou da Microsoft e computadores. Tudo isso amarra Edge, motor de busca e IA generativa em um mesmo funil de retenção e coleta de uso — reflexo direto do tamanho do incentivo financeiro colocado na campanha.
Quem pode participar e como indicar amigos
A parte que interessa ao leitor brasileiro é direta: não dá para participar oficialmente daqui. A própria Microsoft limita a campanha a residentes dos Estados Unidos, Canadá, México e alguns países da Europa, com término em 21 de maio deste ano. Contas cadastradas em outros países ficam de fora, mesmo que você abra o Edge todo santo dia.
Dentro das regiões elegíveis, o processo de “convencer amigos” passa pelo compartilhamento de links personalizados. O usuário acessa a página do sorteio, gera um link associado à sua conta Microsoft e envia por qualquer canal — WhatsApp, redes sociais, e-mail. Quando outra pessoa clica nesse link, instala o Edge, define o navegador como padrão e usa os serviços exigidos, quem indicou acumula participações extras.
Esse modelo encaixa com a narrativa que a Microsoft vende há anos para o Edge: segurança maior, proteção de dados, recursos de compras e integração com o restante da conta Microsoft. No desktop, o navegador oferece desde Collections, para organizar pesquisas em painéis sincronizados, até prevenção de rastreamento com níveis ajustáveis.

No discurso oficial, isso tudo compõe o pacote que justificaria abandonar o Chrome ou o Safari — o sorteio entra como o empurrão financeiro adicional.
Edge continua correndo atrás do Chrome, agora com dinheiro
Não é a primeira vez que a empresa recorre a táticas agressivas para empurrar o Edge. O navegador já exibiu mensagens nativas quando o usuário tenta baixar o Chrome, com frases irônicas como “Esse navegador é tão 2008! Sabe o que é novidade? Microsoft Edge”, além de avisos no Bing desincentivando o download de concorrentes.
Mesmo assim, o Edge ainda ocupa só a terceira posição global entre navegadores, atrás de Chrome e Safari. A estratégia de agora sobe a aposta: em vez de só pop-ups e mensagens “engraçadinhas”, a Microsoft coloca prêmios milionários na mesa para aumentar a base de uso, especialmente em mobile, onde a inércia a favor do Chrome e do Safari é ainda maior.
No Brasil, o impacto fica restrito ao efeito colateral: a promoção não funciona aqui, mas a pressão por mais uso de Edge, Bing e Copilot aparece em decisões de produto aplicadas no mundo todo, como já ocorreu no Windows 11 ao tentar trocar o navegador padrão.




