A Motorola foi condenada pelo Conar por divulgar informações enganosas sobre a memória RAM de seus smartphones, ao somar RAM física com RAM virtual em campanhas publicitárias e na loja online da própria marca.

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Neste artigo
  1. Conar manda ajustar divulgação de memória RAM
  2. O que a Motorola diz sobre transparência e RAM Boost
  3. Memória RAM Motorola: física x RAM virtual nos Moto G e Edge
  4. Recurso ao Conar e o que ainda falta definir

O Conselho de Ética da entidade decidiu, por unanimidade, que a empresa precisa mudar a forma como apresenta a memória dos aparelhos nas peças comerciais. A prática atinge diretamente quem compara celulares pelo número de gigabytes informados e toma decisão de compra a partir desse dado isolado.

O conflito começou quando a fabricante passou a destacar números como “até 24 GB de RAM” em celulares vendidos no Brasil há cerca de um ano e meio, juntando a RAM do hardware com a RAM Boost criada por software. Essa soma não corresponde ao padrão tradicional de apresentação de especificações no mercado brasileiro, que separa a memória física de qualquer recurso virtual.

Conar manda ajustar divulgação de memória RAM

A decisão do Conar obriga a Motorola a alterar a forma como anuncia memória RAM em campanhas e nas páginas de produto do site. O ponto central está em separar de forma nítida a RAM física da RAM virtual, em vez de empacotar tudo em um único número inflado.

Hoje, celulares da marca aparecem com descrições como “8 GB RAM + 16 GB RAM Boost” ou “4 GB RAM + 8 GB RAM Boost” em varejistas e no próprio site oficial. O RAM Boost, que usa parte do armazenamento interno como memória virtual, entra no discurso comercial como se fosse expansão direta de RAM, gerando números como 24 GB ou 12 GB para fins de marketing.

O Conselho não discute o funcionamento do recurso técnico, mas a forma como a informação chega ao consumidor. O entendimento é que, quando a Motorola anuncia “até 24 GB de RAM” sem deixar evidente a diferença entre RAM física e RAM Boost, o consumidor médio tende a interpretar que está comprando um aparelho com 24 GB de RAM real, algo que não corresponde ao hardware instalado.

O que a Motorola diz sobre transparência e RAM Boost

Após a condenação, a Motorola declarou manter “compromisso com a transparência e com a clareza das informações” e afirmou que a alteração exigida pelo Conar já teria sido implementada em seus canais próprios desde o início de agosto. A empresa também sustenta que o formato anterior seguia um “padrão de mercado” e cita que outros fabricantes continuam usando essa abordagem de soma.

A própria Motorola, em texto oficial no Motorola News, descreve o RAM Boost (RAM virtual) como um recurso de software que empresta parte do armazenamento interno para operar como se fosse memória RAM. Segundo a companhia, em muitos aparelhos “se o telefone tiver 4 GB de memória RAM, com o RAM Boost ativado, o dispositivo alcançará até 8 GB”; se tiver 8 GB, o sistema poderia chegar a 16 GB temporários.

No mesmo material, a marca reforça que o RAM Boost Inteligente cria memória RAM virtual para manter mais aplicativos abertos ao mesmo tempo e que consome cerca de um terço do valor declarado em espaço de armazenamento interno. O recurso vem ativado por padrão nas configurações de fábrica, mas pode ser desativado pelo usuário nas opções do sistema.

Memória RAM Motorola: física x RAM virtual nos Moto G e Edge

A estratégia de comunicação aparece de forma intensa na linha Moto G e nos modelos mais caros da marca. No site oficial, a Motorola vende, por exemplo, o Moto G Max com “24GB de RAM (8GB + 16GB RAM Boost)” e destaca o número somado para sustentar a promessa de desempenho mais alto. A mesma lógica é aplicada a outros modelos da família, como Moto G47, Moto G77 e Moto G86, que combinam 4 GB, 8 GB ou 12 GB de RAM física com RAM Boost adicional.

Nos topos de linha, como Edge 70, Edge 70 Pro, Edge 70 Fusion e Motorola Signature, a fabricante repete a narrativa de grandes quantidades de “RAM total”, usando 8 GB ou 12 GB físicos acrescidos de 16 GB ou 12 GB de RAM Boost. Em vitrines e filtros da loja, quem navega por faixas de 4 GB, 8 GB, 12 GB e 16 GB de RAM não vê logo de cara se aquele número corresponde apenas à RAM física ou se está inflado pelo recurso virtual embutido na conta.

O Conar entendeu que esse tipo de apresentação da memória, quando comprimida em um único número “até X GB de RAM”, desrespeita as regras de publicidade clara. A entidade registra que o consumidor precisa comparar especificações de forma direta, especialmente em um mercado em que RAM continua sendo um dos principais argumentos usados na venda.

Recurso ao Conar e o que ainda falta definir

O Conar não é órgão de governo, mas suas decisões costumam ser seguidas pela indústria publicitária. O regulamento permite que a Motorola apresente recurso, e a empresa declarou que ainda vai analisar o teor da decisão para “avaliar ações adicionais”. Enquanto isso, a orientação da entidade é que anúncios futuros isolem a RAM física e tratem RAM Boost como complemento, sem transformar o recurso em multiplicador numérico de marketing.

Para quem já tem um Motorola recente em mãos, a própria marca indica que o RAM Boost aparece nas configurações em Sistema > Desempenho > Otimização de RAM, onde é possível ver se o recurso está ativo e quanto espaço do armazenamento ele consome do total disponível.