A Motorola sofreu uma derrota no Conar e terá que mudar como divulga a memória RAM de seus celulares no Brasil, depois de inflar números somando RAM física e RAM virtual.
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O Conselho de Ética do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária decidiu por unanimidade que a forma atual de anunciar memória RAM da Motorola viola o Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária, por induzir o consumidor a erro. A empresa ainda pode recorrer, mas, se mantida, a decisão obriga ajustes em campanhas digitais, páginas de produto e materiais em pontos de venda físicos.
Conar enquadra soma de RAM física com RAM Boost
O caso gira em torno de uma prática que a Motorola adotou em diversos modelos recentes: somar a RAM instalada no aparelho com a chamada RAM Boost (memória virtual que usa parte do armazenamento interno) e exibir o total como se fosse uma coisa só. Em vez de destacar primeiro a RAM real do smartphone, a empresa passou a vender números maiores, em destaque, em todas as frentes de comunicação.
Na página oficial da Motorola para o Edge 70 Pro, por exemplo, o texto traz "até 24 GB RAM" em destaque. Só em um trecho em letras menores aparece a explicação: são 12 GB de RAM física e mais 12 GB de "RAM Boost Inteligente". É esse tipo de apresentação, que soma componentes diferentes, que o Conar considerou irregular.
A mesma lógica aparece em outros produtos da marca. O Moto G Max, apontado pela própria Motorola como o melhor Moto G de 2026, é descrito no site oficial como tendo 24 GB de RAM (8 GB + 16 GB RAM Boost). Em ofertas da linha Moto G, a comunicação repete a fórmula: números como 24 GB ou 12 GB de RAM surgem inflados pela adição da memória virtual.
Decisão é unânime e vale para publicidade on-line e física
O Conselho de Ética do Conar se reuniu em sessão conjunta da quinta e oitava câmaras em 24 de setembro e decidiu, por unanimidade, contra a Motorola. A interpretação do órgão é que a publicidade deve trazer "descrição verdadeira" do produto e não pode usar informações ou recursos visuais que confundam o consumidor sobre a memória RAM disponível de fato.
Na prática, a determinação obriga a fabricante a adequar toda a comunicação comercial no país: anúncios em sites, e-commerces parceiros, materiais de varejo físico e qualquer peça que use a soma de RAM física com RAM Boost como um único número terão que ser revisados. A decisão ainda não tem efeito de sentença judicial, já que o Conar é uma associação privada, mas o mercado costuma seguir suas orientações à risca.
Mesmo assim, a Motorola ainda pode entrar com recurso dentro do próprio Conar para tentar reverter ou flexibilizar o entendimento. Enquanto isso não acontece, a orientação do Conselho de Ética já sinaliza um padrão de comunicação que a concorrência tende a observar, sob risco de enfrentar processos semelhantes.
Como a Motorola vinha vendendo memória RAM no Brasil
A página oficial da Motorola no Brasil escancara a aposta da marca em quantidades altas de memória como argumento de venda. No catálogo geral de smartphones, os filtros de RAM vão de 4 GB a 16 GB, mas, nos textos de produto, os números crescem quando entram os recursos de RAM Boost.
Na vitrine da linha Moto G, por exemplo, o Moto G Max aparece como "24GB de RAM (8GB + 16GB RAM Boost)", reforçando o total somado. Outros aparelhos, como Moto G77, Moto G67 e Moto G86, também são promovidos com RAM Boost, chegando a configurações de 24 GB (8 GB físicos + 16 GB virtuais) segundo a própria comunicação da marca em diferentes canais de venda.
O mesmo vale para a família Edge e para o topo de linha Motorola Signature, apontado pela empresa como o melhor celular 5G da marca. No varejo on-line, é comum encontrar descrições como "24GB (12GB RAM + 12GB RAM Boost)" em destaque. A partir da decisão do Conar, a forma de exibir esses dados terá que ser ajustada para deixar claro o que é RAM de verdade e o que é expansão virtual.
O que o consumidor deve olhar daqui para frente
Enquanto a Motorola não implementa as mudanças pedidas pelo Conar, quem está de olho em um celular da marca precisa separar o que é RAM física do que é RAM Boost. Nos textos da própria fabricante e em lojas como Buscapé, a ficha técnica costuma detalhar as duas coisas em sequência, por exemplo "8GB RAM, 16GB RAM Boost" ou "4GB RAM + 8GB RAM Boost" — o número que manda no desempenho real é o primeiro, da RAM instalada de fábrica.




