Executivos da Netflix avaliam colocar outros serviços de streaming dentro do próprio app, numa jogada parecida com os canais do Prime Video, para segurar assinantes e reagir à pressão do YouTube.

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Neste artigo
  1. O que a Netflix quer copiar do Prime Video?
  2. Por que o YouTube entrou no radar da Netflix
  3. Como isso se encaixa nas outras apostas da Netflix
  4. Impacto possível para assinantes e o que ainda falta definir

Na prática, a Netflix cogita virar um hub onde o usuário assina ou adiciona plataformas de terceiros, como Peacock e Fox One, direto pela interface do serviço. Essa estratégia ainda está em estudo, não tem data, nem modelo fechado de cobrança, e indica uma mudança bem mais profunda do que só mexer em preço ou catálogo.

O que a Netflix quer copiar do Prime Video?

Segundo reportagem mencionada pelas fontes, a Netflix discute integrar concorrentes dentro da plataforma, exatamente o que o Prime Video faz com seus “canais” pagos. Lá fora, foram citados nomes como Peacock e Fox One, num contexto ainda restrito ao mercado dos Estados Unidos, onde esses acordos costumam funcionar como testes de aceitação antes de qualquer expansão.

A dúvida interna é como isso seria empacotado: a Netflix ainda não define se venderia a assinatura completa desses serviços, como uma revendedora, ou se apenas incluiria parte do catálogo de terceiros por um custo adicional em seus próprios planos. Em ambos os casos, o resultado visual para o assinante ficaria parecido com o que a Amazon oferece hoje: um app principal com vários serviços plugados, todos acessíveis a partir da mesma tela inicial, mas com cobranças separadas embutidas na mesma fatura.

A empresa não fala em Brasil, nem em valores ou modelos locais. Mas a direção apontada pelas negociações é sair do papel de “um streaming entre vários” e virar a loja onde o usuário contrata o resto. Se esse formato emplacar, a Netflix passa a disputar menos só o tempo de tela individual e mais o controle do faturamento em cima de quem já é assinante, como intermediária dos outros serviços hospedados ali dentro.

Por que o YouTube entrou no radar da Netflix

O movimento não mira só outros streamings tradicionais. O alvo explícito também é o YouTube. A reportagem citada aponta que o Google prepara um reforço no YouTube Premium ao incluir acesso ao Peacock na assinatura a partir do ano que vem. Isso empurra o YouTube para ainda mais perto do território da Netflix: assinatura paga que embute um pacote de vídeo sob demanda de terceiros, misturado à oferta principal.

A pressão vem daí. O YouTube rouba tempo de tela com vídeos curtos e conteúdo infinito, enquanto concentra boa parte da publicidade em vídeo. A Netflix, pressionada pelo mercado e por aumentos seguidos de preço em vários serviços, vem testando formatos que aumentam permanência e receita por usuário — inclusive com anúncios interativos, que começam em julho para planos com propaganda nos EUA e Canadá, com testes previstos no Brasil e no México em seguida.

Se o YouTube Premium virar também um pacote de canais, deixa de ser só “site de vídeo” e passa a brigar por orçamento de streaming de forma mais direta. A resposta da Netflix, então, não se limita ao catálogo; a empresa tenta controlar a vitrine por onde essas outras assinaturas passam, disputando a camada do sistema onde o usuário decide o que assinar e onde pagar.

Como isso se encaixa nas outras apostas da Netflix

A integração de terceiros não vem isolada. A Netflix já faz testes de transmissões ao vivo, um modelo que o próprio co-CEO Greg Peters classificou como de resultados “promissores”. A empresa avalia acordos que façam sentido para clientes e parceiros, sem descartar novos formatos de produto se a conta fechar para os dois lados e mantiver o fluxo de audiência dentro do aplicativo.

Outra ideia em estudo é lançar canais 24 horas com programação linear, por gênero — ação, comédia e afins —, aproximando a experiência de uma TV a cabo dentro do app. Isso conversa com a estratégia de manter o usuário zapeando lá dentro, sem ir para outro serviço quando não souber o que ver, com faixas contínuas de conteúdo que dispensam a escolha manual de cada título.

No Brasil, a briga aperta. Um levantamento do JustWatch com 3,5 milhões de usuários brasileiros mostra a Netflix caindo de 26% para 25% de participação de mercado no último trimestre de 2024, enquanto o Prime Video sobe de 19% para 20%.

Gráfico da JustWatch com participação de mercado dos streamings no Brasil
Levantamento da JustWatch mostra Netflix perdendo 1 ponto percentual e Prime Video ganhando 1 ponto no Brasil (Imagem: reprodução/tecmundo.com.br)

Disney+, Max, Globoplay e Apple TV+ seguem atrás, mas a vantagem da Netflix já não é folgada — e o Prime joga pesado com preço mais baixo e integração em combos de internet e serviços, empurrando assinaturas em pacotes vendidos por operadoras e parceiros comerciais locais.

Impacto possível para assinantes e o que ainda falta definir

Se a Netflix embarcar outros streamings por dentro do app, o principal efeito para o assinante será concentração. Em vez de pular entre vários aplicativos, o usuário gerenciaria planos e conteúdos num lugar só — algo que o Prime Video já explora, e que hoje o YouTube começa a ensaiar com ofertas acopladas ao Premium, criando uma espécie de “menu” unificado de serviços em torno de um app dominante.

O risco é a fragmentação virar só mais um nível de confusão: canais dentro de canais, cobrados à parte, em cima de uma assinatura que já encareceu. Entra aí o equilíbrio de força entre plataformas. A dona da “loja” tende a ditar regras de exposição, comissão e dados, o que pode afastar alguns concorrentes ou limitar o que chega de fato ao usuário, tanto em variedade quanto em destaque na interface.

Por enquanto, a própria Netflix admite que não há “acordo iminente” em andamento. Tudo está no papel, junto com live events e canais 24 horas. Enquanto estuda como virar um superapp de streaming, a empresa continua mexendo em outra frente sensível: o fortalecimento de práticas impopulares entre assinantes, como os planos com anúncios que se expandem para novos mercados e ganham formatos interativos de publicidade, a partir de julho nos EUA e no Canadá, com Brasil e México na fila de testes.