O Templo da Água, a masmorra mais xingada de The Legend of Zelda: Ocarina of Time, ficou mais fácil de encarar no remake de Ocarina of Time que chegou ao Nintendo Switch 2 em 5 de novembro. Segundo Eiji Aonuma, produtor da série, em entrevista ao Game Informer, as Botas de Ferro agora são calçadas com um botão, sem abrir menu, e a câmera passou a ser livre: "para mim, esta é a melhor versão do Templo da Água". O jogo custa R$ 329,00 na eShop brasileira, tem dublagem em português do Brasil e não roda no Switch original.

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Neste artigo
  1. O que Aonuma disse sobre o Templo da Água no remake
  2. Botas, câmera e diário: os controles novos do remake de Ocarina of Time
  3. O templo ficou mais fácil, e o resto do jogo também
  4. Preço no Brasil e por que o remake não roda no Switch 1

A mudança interessa a dois grupos. Quem jogou o original de 1998 no Nintendo 64 lembra de passar mais tempo no menu de pausa do que resolvendo o quebra-cabeça. E quem nunca zerou o clássico, e ouviu falar do templo como um muro no meio do jogo, ganha uma porta de entrada menos frustrante. As reviews publicadas em 4 de novembro confirmam a avaliação do produtor, com uma ressalva: o jogo inteiro ficou fácil demais para parte da crítica.

O que Aonuma disse sobre o Templo da Água no remake

A entrevista foi feita em Nova York por Kyle Hilliard, do Game Informer, com Aonuma e Hidemaro Fujibayashi, diretor de Breath of the Wild e Tears of the Kingdom e produtor do remake. A pergunta lembrou que Shigeru Miyamoto, criador de Zelda, já tinha feito piada com a dificuldade do templo numa entrevista anterior à revista.

Aonuma não negou a fama. Perguntado se está satisfeito com o templo no remake, Aonuma admitiu que o desafio vinha em parte do sistema. No original, para afundar na água era preciso ir a outra tela e equipar as Botas de Ferro; para subir de novo, voltar ao menu e tirá-las. O templo pede essa troca o tempo todo. Agora existe um atalho de um botão na própria tela de jogo. "É uma experiência melhor, porque eles podem se concentrar em resolver o quebra-cabeça em vez de navegar por menus", disse o produtor.

O segundo ponto é a câmera. "No jogo original não dava para mover o ângulo da câmera, então, se você procurava uma sala nesse espaço 3D em relação a onde estava, era muito mais difícil se orientar", explicou Aonuma. As duas mudanças juntas, segundo ele, fazem desta a melhor versão do templo.

Botas, câmera e diário: os controles novos do remake de Ocarina of Time

Link adulto toca a Canção do Tempo na ocarina, com a nova interface de partitura do remake
Divulgação/Nintendo (Imagem: reprodução)

Os controles novos são a base da mudança. Segundo a VGC, máscaras e botas agora podem ser equipadas rapidamente pelo direcional, e os itens ficam numa roda de seleção no estilo de Breath of the Wild e Tears of the Kingdom. A câmera, que no N64 era majoritariamente fixa, ficou totalmente controlável. Na prática, dá para girar a visão nas salas alagadas e entender onde fica cada andar do templo.

A VGC, que deu nota 5 de 5, descreve o resultado como "um Templo da Água menos labiríntico" e o lista entre as "modernizações inteligentes" que deixam a aventura mais acessível sem mudar a essência do jogo. A NPR foi na mesma linha: "o notoriamente frustrante Templo da Água é muito mais tolerável desta vez". Nenhuma das fontes afirma que o mapa do templo foi redesenhado; o que mudou, até onde se sabe, foi a forma de controlar e de enxergar o espaço.

Outra ajuda vem do Fios do Tempo (Threads of Time), um diário de missões ilustrado como tapeçaria que mostra o próximo objetivo. A tabela resume as principais diferenças:

RecursoOcarina of Time (N64, 1998)Remake (Switch 2, 2026)
Botas de FerroEquipadas pelo menu de pausaAtalho de um botão / direcional
CâmeraMajoritariamente fixaLivre, no analógico
PuloAutomático, em bordasBotão dedicado
CorridaSem botão (cambalhotas eram mais rápidas)Botão de corrida, sem barra de fôlego
Registro de missõesNão haviaFios do Tempo
Frascos45, com o primeiro mais cedo
MiraEm primeira pessoaEm terceira pessoa, com sensor de movimento opcional
VozSó efeitos e textoCenas dubladas, inclusive em português

Aonuma também contou ao Game Informer que o primeiro frasco aparece mais cedo. O remake deixa cantarolar as músicas da ocarina pelo microfone do Switch 2, para quem esqueceu a sequência de botões, e estende o ciclo de dia e noite à Cidade Castelo, onde o relógio antes parava.

O templo ficou mais fácil, e o resto do jogo também

O elogio ao templo vem junto com uma crítica que aparece em mais de uma review. A IGN, em texto de Logan Plant, chama o remake de "excepcional", diz que ele roda a 60 quadros por segundo "praticamente o tempo todo", na TV ou no modo portátil, e reclama da falta de desafio. Com controles mais ágeis e poucos inimigos, o crítico raramente se sentiu em risco de perder. O site sente falta de um modo Herói, mais difícil, que Skyward Sword HD, Echoes of Wisdom e o remake de Link's Awakening tiveram desde o primeiro dia.

Algumas mudanças vão no sentido contrário. A NPR notou que as Grandes Fadas agora cobram até 500 rupias pelos poderes, que antes eram de graça, enquanto a carteira passou a carregar o dobro de dinheiro. E o remake cortou algumas piadas internas: os quadros de Mario e Yoshi no pátio do castelo e as artes de Skyward Sword escondidas na versão de 3DS saíram. "Você não quer interromper a experiência do jogador com algo que não tem relação com o que ele está fazendo no jogo", justificou Aonuma. O desenho do Bowser na roupa de Talon, por ser parte original do personagem, ficou.

Fujibayashi disse que o público-alvo é "os dois", fãs antigos e novatos, e que quase todos os textos foram reescritos porque a linguagem do original, de 28 anos atrás, envelheceu.

Preço no Brasil e por que o remake não roda no Switch 1

Link cavalga Epona pelos campos de Hyrule no remake de Ocarina of Time
Divulgação/Nintendo (Imagem: reprodução)

A versão digital custa R$ 329,00 na eShop brasileira, o equivalente aos US$ 59,99 cobrados nos Estados Unidos. A Nintendo ainda não divulgou o preço oficial da mídia física no país. Na loja brasileira, a Nintendo vende o jogo como "exclusivo para o Nintendo Switch 2": não há versão para o primeiro Switch nem pacote de atualização anunciado. O download ocupa 24,9 GB, o jogo funciona nos modos TV, semiportátil e portátil, aceita amiibo e pode ser compartilhado no grupo família da conta Nintendo.

A dublagem e os textos em português brasileiro estão incluídos, o que coloca o remake em vantagem num novembro dividido com GTA 6. Quem comprar a versão digital até 23 de novembro, às 23h59 no horário do Pacífico (4h59 de 24 de novembro em Brasília), leva um papel de parede comemorativo dos 40 anos de Zelda. A Nintendo também anunciou uma ocarina física como acessório.

Para quem travou no Templo da Água em 1998, a dica é usar as duas ferramentas que Aonuma citou: deixar as Botas de Ferro no atalho do direcional assim que conseguir o item e girar a câmera ao entrar em cada sala para localizar escadas e níveis de água. O Fios do Tempo mostra o próximo objetivo quando o caminho não estiver claro.