A Skydance saiu de produtora parceira para controladora: depois de comprar a Paramount Global por US$ 8,4 bilhões, a empresa agora avança para incorporar também a Warner Bros. Discovery, formando um conglomerado único sob o guarda-chuva de Paramount Skydance Corp.
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O movimento encerra meses de briga por ativo em Hollywood, em que a Paramount Skydance derrotou a Netflix na disputa pelo estúdio da Warner e assumiu a dianteira na consolidação de boa parte do entretenimento dos EUA, de filmes a TV aberta e streaming.
Como a Skydance virou Paramount Skydance Corp
A virada começa em agosto de 2025, quando Paramount Global e Skydance Media concluem fusão de US$ 8,4 bilhões e passam a operar como Paramount Skydance Corp, com ações Classe B listadas na Nasdaq sob o ticker PSKY.
Na estreia, os papéis fecharam em alta de US$ 0,10, a US$ 11,74, e a empresa passou a atuar em três frentes: estúdios, direto ao consumidor e mídia de TV, segundo comunicado corporativo.
O plano, nas palavras do CEO David Ellison, é reformular como a companhia opera, produz conteúdo e chega ao mercado, com foco em reforçar streaming, tecnologia e geração de caixa em um grupo que já carregava quase US$ 6 bilhões em baixas de ativos de TV a cabo.
Skydance parte para cima da Warner Bros. Discovery
Paramount Skydance não parou na integração com a velha Paramount. Em 2025 e 2026, a empresa partiu para a ofensiva sobre a Warner Bros. Discovery, primeiro com uma oferta bilionária, depois com uma sequência de propostas cada vez mais agressivas.
Em uma dessas rodadas, a companhia avaliou a Warner em US$ 108 bilhões e ofereceu US$ 30 por ação, incluindo o pagamento da multa de US$ 2,8 bilhões devida à Netflix caso a Warner rompesse o acordo já assinado com o serviço de streaming.
A oferta também previa um prêmio extra de US$ 0,25 por ação da Warner por trimestre até a conclusão da aquisição, o que a Paramount Skydance estimou em US$ 650 milhões por trimestre, além de cortar um custo potencial de US$ 1,5 bilhão atrelado à troca de dívida.
Mais tarde, a empresa elevou a proposta para US$ 31 por ação, valor que a própria Warner considerou superior ao acerto existente com a Netflix, que previa US$ 27,75 por ação pelos ativos de estúdio e streaming.
Nesse momento, a Netflix avisou aos investidores que não iria cobrir o novo lance, dizendo que, pelo preço exigido para igualar a Paramount Skydance, o negócio deixava de ser financeiramente atraente. A gigante do streaming confirmou que desistiu da disputa, liberando o caminho para a rival.
Pressão regulatória, política e acordo com estados
Unir Paramount e Warner Bros. Discovery significa concentrar dois grandes estúdios de Hollywood, duas plataformas de streaming relevantes (HBO Max e Paramount+) e duas grandes operações de notícias (CNN e CBS).
O pacote acionou todos os alarmes regulatórios: senadores democratas como Elizabeth Warren, Bernie Sanders e Richard Blumenthal manifestaram preocupação com possível favorecimento político na aprovação do acordo, já que o clã Ellison é próximo do presidente Donald Trump.
Além do escrutínio em Washington, a fusão enfrenta resistência em outros países e em estados americanos, em especial a Califórnia, que lidera uma coalizão contrária. Para destravar esse nó, a Paramount Skydance apresentou uma proposta de investimento de US$ 1,5 bilhão em instalações de cinema e TV no estado.

Segundo comunicado aos investidores, esse compromisso inclui manter operações de estúdios na Califórnia e aceitar penalidades financeiras se metas de produção não forem cumpridas após a fusão. A leitura no mercado é de que a oferta aumenta as chances de acordo com os estados que tentam barrar a aquisição da Warner Bros. Discovery.
O reflexo foi imediato: ações da Paramount Skydance chegaram a disparar 6,7% no pré-mercado após o anúncio do pacote de US$ 1,5 bilhão, movimento amplificado pelo momento positivo das bolsas americanas.
Skydance já mira sinergias e cortes pesados
Do lado interno, a Paramount Skydance deixa claro que não trata o negócio como exercício de colecionar logos. Menos de três meses após a compra da Paramount pela Skydance, o grupo se prepara para cortar quase 1.000 vagas, segundo fonte próxima às negociações.
Durante a primeira coletiva de imprensa após a fusão, executivos avisaram que haveria demissões. O CEO David Ellison quer extrair pelo menos US$ 2 bilhões em sinergias e acelerar a transformação tecnológica do conglomerado de TV e cinema.
No pacote unificado entram os estúdios Skydance – responsáveis por franquias como "Missão: Impossível" e "Transformers" – e Paramount, além da Paramount+, da CBS, MTV, Nickelodeon e, com a aquisição da Warner, marcas como HBO, CNN e todo o catálogo do estúdio.
No Brasil, a ação BDR da Paramount Skydance (PSKY34) já negocia na B3. O papel fechou o último pregão a R$ 49,00, com faixa de 12 meses entre R$ 39,08 e R$ 102,20 e valor de mercado estimado em R$ 55,32 bilhões, o que mostra o apetite local por exposição a esse superestúdio.
O que ainda falta para a Skydance fechar o pacote
Reguladores dos EUA e de outros países ainda analisam os efeitos da união de Paramount Skydance com Warner Bros. Discovery, enquanto estados como a Califórnia negociam contrapartidas adicionais.
Para quem investe, o próximo marco é a data alvo indicada pela própria empresa em relatório recente: Paramount Skydance e Warner Bros. Discovery dizem esperar concluir a fusão em 6 de outubro, se nada travar o acordo no caminho.




