Por que 65% dos brasileiros ainda resistem a adotar assistentes virtuais em casa?

Apesar do avanço tecnológico, a adoção de assistentes virtuais no Brasil enfrenta barreiras culturais e práticas que desafiam a expansão do setor.
Publicado dia 22/01/2026
Resistência dos brasileiros à adoção de assistentes virtuais explica desafios e oportunidades
Resistência dos brasileiros à adoção de assistentes virtuais explica desafios e oportunidades
Resumo da notícia
    • 65% dos brasileiros ainda resistem a usar assistentes virtuais em casa devido a barreiras culturais, desconfiança e limitações tecnológicas.
    • Você pode se beneficiar das melhorias em interfaces, preços mais acessíveis e maior segurança digital para adotar essas tecnologias no dia a dia.
    • A resistência impacta o crescimento do mercado brasileiro, atrasando a popularização dos assistentes virtuais e o desenvolvimento de soluções regionais.
    • Programas de capacitação em IA e melhorias na infraestrutura de internet podem impulsionar a aceitação dos dispositivos.

Apesar do avanço tecnológico e da popularização de assistentes virtuais globalmente, cerca de 65% dos brasileiros ainda resistem a adotar esses dispositivos em suas casas. Essa resistência está ligada a uma combinação de barreiras culturais, desconfiança, questões práticas e falta de adaptação regional, que afetam diretamente a expansão desse mercado no Brasil.

Por que a adoção de assistentes virtuais enfrenta resistência no Brasil?

Aos poucos, a tecnologia de assistentes virtuais transforma a forma como interagimos com dispositivos em casa. No entanto, muitos brasileiros ainda não se sentem confortáveis com a ideia de ter um aparelho controlado por inteligência artificial no dia a dia. Parte desse cenário está relacionada a fatores culturais, que impactam as decisões de compra e uso.

Um ponto fundamental é a questão da privacidade e segurança. Muitos usuários demonstram receio sobre como suas informações pessoais podem ser coletadas e utilizadas pelas empresas que desenvolvem esses assistentes. Isso gera uma desconfiança que dificulta a aceitação do produto.

Além disso, o domínio parcial ou limitado do português dos assistentes virtuais disponíveis no mercado brasileiro cria uma barreira de usabilidade. Enquanto línguas como o inglês contam com assistentes mais avançados, no Brasil ainda há desafios em termos de reconhecimento de sotaques regionais e da linguagem coloquial.

Outro fator a considerar é a infraestrutura tecnológica de muitas residências brasileiras. O acesso à internet estável e rápido ainda não é uma realidade para todos, o que dificulta o uso pleno desses dispositivos, que dependem da conectividade para funcionar corretamente.

Barreiras culturais e hábitos de consumo

O Brasil tem uma cultura de consumo que valoriza a interação humana direta, o que pode ir contra a ideia de substituição por assistentes virtuais. Muitos consumidores preferem métodos tradicionais para realizar tarefas domésticas, como controlar iluminação, som ou informações do dia a dia, ao invés de experimentar uma nova tecnologia.

O preço dos dispositivos também impacta a adoção. Apesar de existirem opções no mercado com diferentes faixas de preço, o investimento inicial é considerado alto por muitos brasileiros, principalmente em regiões menos desenvolvidas economicamente. Isso cria um obstáculo para a massificação do uso.

Outro aspecto é a falta de conhecimento sobre as funcionalidades e benefícios reais que assistentes virtuais podem oferecer. A percepção do produto ainda é associada principalmente a um equipamento de luxo ou novidade para poucos, e não uma ferramenta prática para o cotidiano.

Mais do que isso, certo receio relacionado ao controle da tecnologia e medo de dependência são frequentes em pesquisas. A ideia de que a assistente virtual pode “vigiar” ou direcionar ações gera desconfiança e resistência ao uso.

Contexto tecnológico brasileiro e tendências do mercado

Nos últimos meses, tecnologias de inteligência artificial e machine learning têm avançado rapidamente, influenciando a evolução dos assistentes virtuais. Empresas como Google, Amazon e Apple têm investido em aprimoramento de processos, mas a adaptação ao mercado brasileiro exige ajustes que ainda não estão totalmente implementados.

Vale destacar que novos programas de capacitação em IA, como o Google lança Programa de Capacitação em IA e Nuvem, podem acelerar a familiaridade do público e o desenvolvimento de soluções mais alinhadas às necessidades locais.

Por outro lado, iniciativas recentes focadas em segurança da informação e regulamentação podem afetar positivamente a percepção das pessoas em relação à segurança dos dados compartilhados com assistentes virtuais. No entanto, o Brasil ainda depende de avanços legislativos para garantir uma regulamentação mais clara sobre uso de IA e privacidade digital, como discutido em matérias relacionadas ao tema.

Com o aumento do interesse em tecnologias emergentes, como a inteligência artificial na música e videogames, também aparecem novos usos e integrações que poderão impulsionar a aceitação dos dispositivos domésticos assistentes virtuais, tornando-os mais acessíveis e úteis para o público geral.

Desafios práticos enfrentados no uso das assistentes virtuais

Além das barreiras culturais, problemas práticos limitam o uso. Muitos consumidores relatam dificuldades em configurar ou manusear os dispositivos, seja pela falta de familiaridade ou pela interface pouco intuitiva em português. Isso faz com que o dispositivo rapidamente se torne subutilizado ou até abandonado.

A conexão instável, comum em áreas fora dos grandes centros urbanos, prejudica a experiência e gera frustração. A dependência constante da internet impede o funcionamento básico e real do dispositivo.

Outro ponto destacado é a preocupação com o consumo energético e o impacto ambiental. Ainda que os assistentes virtuais tenham baixo consumo, essa preocupação é mais uma razão para a hesitação de alguns consumidores em adotá-los.

Em paralelo, a integração com outros dispositivos domésticos no Brasil ainda é limitada. Muitas casas não contam com eletrodomésticos inteligentes, o que reduz a utilidade do assistente que tem maior potencial quando interligado a uma rede de produtos conectados.

O que pode acelerar a adoção no Brasil?

  • Melhorias nas interfaces em português: o avanço no processamento de linguagem natural e reconhecimento de sotaques brasileiros pode facilitar o uso.
  • Preços mais acessíveis: democratizar o acesso a dispositivos com custos reduzidos e ofertas atrativas.
  • Campanhas educativas: divulgação de benefícios práticos para o dia a dia, mostrando usos simples e eficientes.
  • Maior segurança digital: regulamentação clara e transparência na gestão de dados, aumentando a confiança dos usuários.
  • Expansão da internet de qualidade: melhoria da infraestrutura, especialmente em regiões remotas.

O mercado brasileiro segue observando as tendências e, com ajustes, a expectativa é que a rejeição diminua gradativamente, acompanhando o ritmo global da tecnologia de assistentes virtuais. A crescente presença de soluções personalizadas pode tornar esses dispositivos mais relevantes para os brasileiros.

Leia também discussões recentes sobre por que as novas assistentes virtuais podem não conquistar o mercado brasileiro em 2024 e os movimentos para capacitar profissionais em IA no país, fundamentais para a adaptação do setor.

André atua como jornalista de tecnologia desde 2009 quando fundou o Tekimobile. Também trabalhou na implantação do portal Tudocelular.com no Brasil e já escreveu para outros portais como AndroidPIT e Techtudo. É formado em eletrônica e automação, trabalhando com tecnologia há 26 anos.