Por que a adoção de IA em empresas brasileiras ainda fica atrás dos EUA em 2024?

Embora os Estados Unidos liderem o uso corporativo de IA, o Brasil enfrenta desafios estruturais que freiam sua adoção ampla nas empresas.
Atualizado há 11 horas
Desafios e avanços da inteligência artificial nas empresas brasileiras em 2024
Desafios e avanços da inteligência artificial nas empresas brasileiras em 2024
Resumo da notícia
    • O Brasil enfrenta desafios estruturais e regulatórios que limitam a adoção ampla da inteligência artificial nas empresas em 2024.
    • Se você trabalha com tecnologia ou negócios, entender essas barreiras ajuda a se preparar para as mudanças no mercado nacional.
    • O crescimento da IA impulsiona setores como financeiro e e-commerce, mas ainda é limitado pela infraestrutura e falta de profissionais especializados.
    • Investimentos em educação, políticas públicas e regulamentação ética são essenciais para acelerar a transformação digital e aumentar a competitividade do Brasil.

Enquanto os Estados Unidos mantêm a liderança no uso corporativo de inteligência artificial (IA), o Brasil ainda enfrenta desafios que limitam a adoção mais ampla dessa tecnologia em suas empresas. Em 2024, a disparidade entre os dois países reflete não só diferenças econômicas, mas também estruturais e regulatórias que impactam a transformação digital em setores variados no Brasil.

Desafios estruturais que freiam a adoção de IA no Brasil

O uso de IA em empresas brasileiras ainda é tímido se comparado ao que acontece nos Estados Unidos. Um dos principais obstáculos é a infraestrutura de tecnologia disponível. Muitas companhias enfrentam limitações em conectividade e acesso a hardware mais potente, o que dificulta o investimento em projetos baseados em IA.

Além disso, a escassez de profissionais especializados em IA e dados é um problema real. Dados recentes mostram que o Brasil ainda não prepara um número suficiente de especialistas na área, o que compromete a implementação de soluções inteligentes e integradas nas operações corporativas.

Outro aspecto relevante é a cultura organizacional. Muitas empresas brasileiras mostram resistência a mudanças tecnológicas por conta de custos iniciais, falta de conhecimento e medo da automação. Isso limita o potencial de inovação e a competitividade no mercado global.

Além das questões internas, o ambiente regulatório no Brasil apresenta lacunas em relação à proteção ética em IA, o que dificulta o desenvolvimento seguro e alinhado às melhores práticas internacionais.

Comparativo: Por que os EUA estão à frente?

Nos Estados Unidos, investimentos robustos em pesquisa, infraestrutura de ponta e políticas públicas de incentivo à inovação tecnológica ajudam a acelerar a adoção da IA. Grandes empresas americanas dispõem de equipes multidisciplinares, que vão do desenvolvimento de algoritmos à análise de impacto social e ético dessas tecnologias.

O ecossistema de startups e universidades americanas também contribui para a oferta constante de soluções e profissionais que impulsionam a adoção da IA nos negócios. Além disso, o mercado consumidor mais maduro exige produtos e serviços tecnológicos, o que pressiona as empresas a inovarem rapidamente.

Por fim, a regulação no país vem se adaptando para garantir segurança jurídica e proteção aos usuários, o que gera confiança para empresas investirem em IA sem receios legais.

Esses fatores tornam o ambiente ideal para que a IA se torne uma ferramenta estratégica para produtividade, automação e geração de insights nos negócios.

Setores que mais adotam IA no Brasil e barreiras específicas

Apesar das dificuldades gerais, alguns setores no Brasil têm avançado na implementação de inteligência artificial. O financeiro e o e-commerce são exemplos onde a automação de processos, análise preditiva e atendimento ao cliente com chatbots ganham espaço.

No entanto, a cadeia produtiva industrial e o agronegócio ainda enfrentam desafios para aplicar IA em larga escala, sobretudo pela falta de digitalização e investimentos em tecnologias complementares, como sensores IoT e computação na nuvem.

O setor público também tem dificuldades com burocracia, limitações orçamentárias e falta de capacitação, o que atrasa a oferta de serviços inteligentes à população via IA.

Essas barreiras específicas evidenciam a necessidade de políticas públicas e parcerias estratégicas que promovam a digitalização e preparem o mercado para usar a inteligência artificial de forma integrada e segura.

Investimento e políticas públicas: o que falta no Brasil?

Para superar o atraso na adoção da IA, o Brasil precisa ampliar investimentos em educação e formação de profissionais qualificados, especialmente fora do Sudeste, onde a oferta é mais concentrada. A criação de cursos técnicos e superiores focados em IA é fundamental para democratizar o acesso à tecnologia.

Além disso, o país carece de incentivos fiscais e linhas de crédito específicas para inovação em pequenas e médias empresas, que formam grande parte da economia nacional. A automação baseada em IA pode não eliminar empregos, mas exige capacitação para que os trabalhadores se adaptem às novas funções.

A regulamentação também precisa avançar para garantir o uso ético da IA, proteger dados e imagens, e evitar riscos como a manipulação de informações em eleições ou clonagem de identidade digital.

Sem essas medidas, o Brasil continuará atrás de países que já estruturaram um ambiente mais favorável para o crescimento da inteligência artificial nos negócios.

Expectativas para o mercado brasileiro de IA em 2024

Analistas apontam que, mesmo com os desafios, o mercado brasileiro de IA está em crescimento, impulsionado pela digitalização acelerada durante os últimos anos. Serviços de consultoria em IA e automação ganham espaço, com custos ainda superiores aos de mercados mais maduros.

Grandes empresas multinacionais e líderes de mercado trazem inovações, enquanto startups locais desenvolvem produtos com foco em mercados brasileiros, especialmente em setores como agritech e fintechs.

O aumento da concorrência pode contribuir para melhorar a qualidade das soluções e reduzir preços, tornando a tecnologia mais acessível para empresas de todos os portes.

Mas o ritmo ainda depende de como os obstáculos estruturais e regulatórios serão endereçados nos próximos anos.

Lista de principais barreiras para a adoção ampla de IA nas empresas brasileiras

  • Infraestrutura tecnológica limitada em muitas regiões e setores;
  • Escassez de profissionais especializados em inteligência artificial;
  • Cultura organizacional resistente à inovação e automação;
  • Falta de investimentos acessíveis para pequenas e médias empresas;
  • Regulamentação incompleta e inseguranças legais;
  • Baixa digitalização especialmente em setores industriais e agrícolas;
  • Capacitação inadequada para a adaptação do mercado de trabalho.

Essas dificuldades não só impactam o crescimento da IA no Brasil, como também limitam o potencial competitivo internacional das empresas nacionais.

O tema da regulação e proteção dos dados, por exemplo, é discutido com urgência para evitar casos de manipulação e garantir práticas éticas, conforme destacado em questões recentes sobre a lei brasileira de IA.

Além disso, a realidade brasileira que ainda enfrenta desigualdades econômicas e estruturais mostra que a IA pode tanto ser uma ferramenta para inclusão digital como agravar dificuldades se não houver políticas inclusivas.

O desafio para 2024 e além será preparar o país para absorver o potencial da inteligência artificial, ampliando cursos técnicos além do Sudeste e implementando programas de capacitação e financiamento que tornem a adoção viável mesmo para pequenos negócios.

Com um cenário global onde a IA é elemento central da competitividade, entender e trabalhar essas particularidades brasileiras será essencial para não ficar para trás, mantendo a relevância das empresas nacionais, o crescimento econômico e o desenvolvimento tecnológico.

André atua como jornalista de tecnologia desde 2009 quando fundou o Tekimobile. Também trabalhou na implantação do portal Tudocelular.com no Brasil e já escreveu para outros portais como AndroidPIT e Techtudo. É formado em eletrônica e automação, trabalhando com tecnologia há 26 anos.