Usuários no mundo todo estão abandonando o Chatgpt e migrando para o concorrente Claude, porque a Anthropic, dona do Claude, recusou um acordo com o Pentágono nos EUA, mas qual o real motivo?

A Anthropic recusou o acordo com o Pentágono porque se negou a retirar duas salvaguardas fundamentais que o Departamento de Defesa exigia eliminar do contrato: a proibição de uso da IA para vigilância doméstica em massa e para armas totalmente autônomas.

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As Duas Linhas que a Anthropic Se Recusou a Cruzar

O contrato em disputa valia US$ 200 milhões e o Claude já era o primeiro sistema de IA autorizado a operar nas redes classificadas do governo americano. O impasse surgiu quando o Pentágono exigiu que a Anthropic concordasse com o uso da tecnologia "para todos os fins legais", sem restrições impostas pela empresa.

A Anthropic se recusou, mantendo duas exceções específicas:

  • Armas totalmente autônomas: sistemas nos quais a IA — e não um humano — toma a decisão final de atacar em campo de batalha, sem supervisão humana no processo

  • Vigilância doméstica em massa: monitoramento em larga escala da própria população americana

O Argumento de Dario Amodei

O CEO da Anthropic, Dario Amodei, publicou um longo comunicado explicando a posição da empresa. Ele declarou acreditar profundamente na necessidade de usar IA para proteger os EUA e combater adversários autocráticos, mas apontou que em casos específicos a IA pode enfraquecer princípios democráticos em vez de defendê-los.

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Sua justificativa se apoiou em dois pilares técnicos e éticos:

  1. Confiabilidade tecnológica: os modelos de IA atuais ainda não são suficientemente confiáveis para tomar decisões de ataque sem supervisão humana — o que coloca em risco tanto soldados quanto civis

  2. Direitos fundamentais: a vigilância doméstica em massa viola direitos básicos dos cidadãos americanos, independentemente de ser tecnicamente "legal"

A frase que resumiu a posição da empresa foi direta: "Não podemos, em sã consciência, atender à solicitação."

O Detalhe Jurídico que Afundou as Negociações

O Pentágono chegou a propor uma nova redação contratual como "compromisso", mas a Anthropic rejeitou também essa versão. Segundo a empresa, o novo texto vinha acompanhado de linguagem jurídica que permitia ignorar as proteções a qualquer momento.

Em comunicado à ABC News, a Anthropic foi explícita: "A linguagem contratual que recebemos do Departamento de Guerra não fez praticamente nenhum progresso para evitar o uso do Claude em vigilância em massa de americanos ou em armas totalmente autônomas."

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A Resposta do Governo Trump

A reação foi imediata e contundente. O secretário de Defesa Pete Hegseth declarou a Anthropic um "risco à cadeia de suprimentos" — designação geralmente reservada a empresas associadas a adversários estrangeiros, como China ou Rússia — e ameaçou cancelar todos os contratos existentes.

O presidente Trump foi ainda mais agressivo nas redes sociais, ameaçando usar "todo o poder da Presidência" contra a empresa, com possíveis consequências civis e criminais. O Pentágono chegou a cogitar invocar a Lei de Produção de Defesa, legislação da era da Guerra Fria, para usar o software da Anthropic mesmo contra a vontade da empresa.

Um alto funcionário do governo chegou a acusar Amodei de ter um "complexo de Deus" por impor limitações ao uso militar da IA.

O Apoio da Indústria

A decisão da Anthropic gerou uma reação incomum no Vale do Silício. Funcionários da Amazon, Google e Microsoft enviaram carta aberta a seus próprios superiores pedindo que essas empresas também rejeitassem contratos que envolvessem armas autônomas ou monitoramento em larga escala — demonstrando que a preocupação vai além da Anthropic.

Senadores americanos de ambos os partidos também intervieram, reconhecendo que o tema de "uso legal" ainda precisa de regulamentação mais clara por parte do Congresso.