Por que as expectativas de lucros com IA no Brasil podem ser superestimadas em 2024

Apesar do otimismo global, muitas empresas brasileiras ainda enfrentam desafios para transformar IA em lucro efetivo.
Publicado dia 22/01/2026
Desafios e perspectivas da inteligência artificial para lucro no Brasil em 2024
Desafios e perspectivas da inteligência artificial para lucro no Brasil em 2024
Resumo da notícia
    • Empresas brasileiras enfrentam dificuldades para transformar inteligência artificial em lucros consistentes em 2024 devido a desafios estruturais.
    • Você pode ser impactado pela necessidade de adaptação tecnológica e capacitação para aproveitar as oportunidades da IA no mercado nacional.
    • O Brasil ainda está no início da curva para monetizar soluções de IA, com influência de barreiras tarifárias e regulação insuficiente.
    • Iniciativas de formação técnica e políticas públicas em regulação da IA prometem criar ambiente mais favorável para inovação e competitividade.

Apesar do otimismo global em torno da inteligência artificial (IA), muitas empresas brasileiras enfrentam dificuldades para converter essa tecnologia em lucros efetivos em 2024. No Brasil, a expectativa de ganhos financeiros com IA pode estar superestimada, devido a vários desafios estruturais que ainda precisam ser superados.

Desafios para a adoção lucrativa da IA no Brasil

O Brasil ainda está em processo de adaptação para implementar soluções de IA que gerem receita real para empresas. Entre os principais obstáculos, destacam-se:

  • Infraestrutura tecnológica limitada: Muitas corporações carecem de sistemas robustos para integrar inteligência artificial em larga escala.
  • Capacitação e conhecimento técnico: A escassez de profissionais qualificados em machine learning e análise de dados dificulta o desenvolvimento de projetos eficazes.
  • Investimentos concentrados: O investimento em cursos técnicos e especializações em IA ainda é restrito majoritariamente ao Sudeste, limitando a democratização do conhecimento pelo país.
  • Custo elevado das tecnologias: A importação de equipamentos e softwares específicos para IA sofre impactos por barreiras tarifárias, onerando ainda mais a adoção.

Esses entraves acentuam um cenário em que a promessa de retorno financeiro com IA permanece distante para muitas empresas brasileiras.

Realidade do mercado e comparação com expectativas globais

Enquanto no exterior grandes conglomerados já conseguem monetizar de forma significativa soluções inteligentes, no Brasil as organizações ainda estão no início da curva de aprendizado. Os projetos de IA frequentemente focam em experimentação e provas de conceito, sem expansão eficiente para gerar receita consistente.

Essa disparidade ocorre também pela falta de políticas públicas específicas que acelerem o desenvolvimento do ecossistema de inteligência artificial nacional. Isso inclui regulamentações adaptadas para o uso da IA e incentivos fiscais para inovação.

Além disso, o mercado brasileiro mostra rejeição a algumas práticas adotadas por gigantes internacionais de tecnologia, o que pode limitar negociações e parcerias que seriam estratégicas para expansão do setor.

Impacto da formação profissional e distribuição regional

A formação técnica ainda é um ponto crucial para equilibrar as expectativas de lucro. Uma iniciativa em destaque é a ampliação de cursos técnicos em IA para além do Sudeste, visando capacitar profissionais em regiões menos favorecidas economicamente.

Esses esforços têm como objetivo suprir a carência de talentos em campos como inteligência artificial aplicada a dados, automação e aprendizado de máquinas. Porém, ainda há caminho a percorrer para que a distribuição seja realmente nacional.

Infraestrutura e barreiras tecnológicas

Outro fator que pode superestimar os lucros esperados pela adoção do IA no Brasil está ligado a questões tarifárias sobre chips e hardware essenciais para a implementação de sistemas inteligentes. Barreiras tarifárias elevadas impactam custos internos e travam a competitividade do setor.

Isso faz com que empresas enfrentem dificuldades para atualizar seus equipamentos e investir em tecnologias avançadas, retardando a adoção em larga escala. Em um país cujo mercado tecnológico ainda é emergente, essa questão é preponderante para o ritmo do desenvolvimento da IA.

Riscos de terceirização e regulamentação insuficiente

Algumas soluções de IA no Brasil ainda dependem da terceirização de serviços, o que pode gerar riscos legais e operacionais, principalmente no setor público e no judiciário. A ausência de regulamentação clara torna essas operações vulneráveis a falhas e questionamentos judiciais.

Além disso, sem normas adequadas, o uso de IA para controle, fiscalização e decisões automatizadas fica limitado, atrasando o potencial de retorno sobre o investimento.

Perspectiva para 2024 e continuidade do tema

Mesmo diante dos obstáculos, o interesse pelo desenvolvimento e uso da inteligência artificial no Brasil segue crescendo. As empresas que investem em capacitação, infraestrutura e inovação podem encontrar vantagens competitivas no médio prazo.

Políticas públicas em andamento sobre regulação da IA devem criar um ambiente mais seguro e favorável, o que promete impactar positivamente o retorno financeiro dessas iniciativas.

Vale destacar ainda que a popularização de assistentes virtuais ainda enfrenta resistência no mercado brasileiro, o que reforça a necessidade de adaptação específica às demandas nacionais.

  • Capacitação técnica e regionalização de cursos ampliam chances reais de sucesso.
  • Barreiras tarifárias sobre hardware restringem a modernização tecnológica.
  • Falta de regulamentação adequada limita uso eficiente e seguro da IA.
  • Mercado interno rejeita práticas globais adotadas por grandes players.

Por fim, esse cenário deixa claro que o Brasil ainda tem um longo caminho para transformar a inteligência artificial em uma fonte de lucro consistente para a maioria das empresas, mesmo com a alta expectativa global para a tecnologia.

André atua como jornalista de tecnologia desde 2009 quando fundou o Tekimobile. Também trabalhou na implantação do portal Tudocelular.com no Brasil e já escreveu para outros portais como AndroidPIT e Techtudo. É formado em eletrônica e automação, trabalhando com tecnologia há 26 anos.