Por que o Brasil ainda falha em regulamentar o uso seguro do celular durante o carregamento?

Apesar do aumento dos acidentes envolvendo celulares em carregamento, o Brasil carece de normas claras e fiscalização efetiva.
Publicado dia 22/01/2026
Brasil enfrenta aumento de acidentes com celulares durante carregamento e falta de regulamentação
Brasil enfrenta aumento de acidentes com celulares durante carregamento e falta de regulamentação
Resumo da notícia
    • O número de acidentes domésticos envolvendo celulares durante o carregamento aumentou significativamente no Brasil.
    • Você deve usar carregadores originais e certificados para evitar riscos como curto-circuitos, queimaduras e incêndios.
    • Essa situação afeta a segurança de consumidores e reforça a necessidade de regulamentação e fiscalização eficazes no país.
    • Campanhas educativas e fiscalização mais rigorosa são essenciais para conter o crescimento desses acidentes.

O aumento dos acidentes envolvendo celulares enquanto estão sendo carregados tem preocupado especialistas, mas o Brasil ainda carece de uma regulamentação clara e de fiscalização eficaz para garantir a segurança dos usuários. A combinação de normas pouco definidas e a ausência de campanhas educativas contribuem para que esse tipo de incidente continue a crescer em território nacional.

Falta de normatização específica para segurança no carregamento de celulares

No Brasil, embora haja regulamentações sobre segurança elétrica em produtos eletrônicos, não existe uma norma específica que trate do uso seguro do celular durante o carregamento. Isso torna difícil a criação de políticas públicas direcionadas para reduzir riscos como curto-circuitos, superaquecimento e incêndios causados por carregadores e celulares defeituosos ou utilizados de forma inadequada.

O mercado oferece uma grande variedade de carregadores, muitos deles sem certificação adequada do Inmetro, órgão responsável pela certificação e fiscalização de produtos com padrões nacionais. Essa ausência de padrão mínimo aumenta o risco de acidentes, que podem causar desde choques elétricos até queimaduras e incêndios domésticos.

Além disso, a legislação que regula a qualidade e segurança dos produtos eletrônicos peca pela falta de detalhes que considerem o crescente uso de aparelhos móveis e suas formas de recarga rápidas e diversas. Na prática, isso significa que o consumidor não tem garantias claras sobre a segurança do processo de carregamento.

A ausência de regulamentação específica e normas de segurança claras dificulta também a atuação da fiscalização, que não pode autuar ou impedir a comercialização de produtos que oferecem riscos aos usuários por não haver parâmetros bem definidos.

Aumento dos acidentes e riscos à saúde

Dados recentes indicam que o número de acidentes domésticos envolvendo celulares durante o carregamento subiu consideravelmente, refletindo um cenário preocupante. Entre os principais problemas registrados estão explosões de baterias, superaquecimento do aparelho e curto-circuito em adaptadores não certificados.

Esses acidentes não afetam apenas os dispositivos, mas colocam em risco a saúde dos usuários. Casos de queimaduras graves e até incêndios em residências são relatados com frequência crescente, especialmente em ambientes com instalações elétricas antigas ou irregulares. A combinação da falta de fiscalização e a má utilização contribuem para essa realidade.

Especialistas alertam que o uso de carregadores e cabos originais, com certificações reconhecidas, é fundamental para minimizar riscos. Porém, a maior parte dos consumidores ainda compra acessórios mais baratos e não certificados, muitas vezes desconhecendo os perigos envolvidos.

Esses fatores mostram a necessidade urgente de políticas públicas que incluam educação do consumidor e regulamentação específica, para que os riscos possam ser reduzidos de forma efetiva e organizada.

Desafios para campanhas educativas e fiscalização efetiva

Diferente de outros países onde existem normas claras e campanhas permanentes alertando os consumidores, o Brasil apresenta deficiências nessa área. A divulgação de informações sobre o uso seguro de celulares durante o carregamento é limitada e inconsistente. As autoridades ainda não desenvolveram estratégias robustas para atingir amplamente a população.

Outra falha está na fiscalização do mercado, que frequentemente permite a circulação de carregadores com qualidade duvidosa. A falta de fiscalização rigorosa no comércio online, que cresce ano a ano, dificulta ainda mais o controle sobre acessórios inseguros.

Para reverter esse quadro, seria preciso um trabalho coordenado entre órgãos reguladores, fabricantes, varejistas e órgãos de defesa do consumidor. A fiscalização teria que ser ampliada, com a exigência de certificações mais rigorosas e punições eficazes para infrações, além da realização de campanhas educativas contínuas.

O aumento dos acidentes com celulares conectados à tomada, que crescem 25% entre brasileiros, reforça a necessidade de intervenções instantâneas e eficazes para evitar novos casos prejudiciais.

Como o Brasil pode avançar na regulamentação e segurança

É possível observar iniciativas pontuais de órgãos e entidades tentando chamar a atenção para o tema, mas a falta de uma legislação robusta e integrada se mantém. Regulamentar o uso seguro do celular durante o carregamento implica:

  • Estabelecer normas técnicas específicas para carregadores e baterias;
  • Definir critérios de certificação e inspeção por parte do Inmetro;
  • Garantir fiscalização efetiva, especialmente no comércio eletrônico;
  • Realizar campanhas de conscientização pública sobre os cuidados;
  • Incentivar o uso de acessórios originais e certificados para evitar riscos.

O avanço nesses pontos garantiria maior segurança e reduziria significativamente os acidentes relacionados à recarga dos aparelhos móveis.

Contexto mais amplo das regulações tecnológicas no Brasil

Essa questão da segurança no carregamento de celulares faz parte do desafio maior que o Brasil enfrenta para regulamentar com eficácia o crescimento do mercado digital e tecnológico. Há exemplos variados de setores em que a legislação ainda não acompanha o ritmo da inovação, como o uso de IA no judiciário e nas campanhas de fake news, com riscos legais emergentes e vulnerabilidades evidentes.

Além disso, a necessidade de políticas públicas efetivas aparece em vários segmentos, desde a proteção de dados pessoais até o controle do uso de tecnologias como biometria, demonstrando que o Brasil precisa agir rapidamente para acompanhar a evolução global.

Para entender melhor a dimensão dessa e outras questões tecnológicas regulatórias no país, vale considerar temas atuais como a terceirização da IA no judiciário brasileiro e as campanhas ineficazes para evitar mortes por celular na tomada, que refletem essa mesma dificuldade regulatória.

A busca por um equilíbrio entre inovação, segurança e proteção do consumidor seguirá como desafio para as autoridades brasileiras, especialmente diante do avanço de novas tecnologias e do crescimento do mercado móvel. A atenção aos riscos não pode ser deixada de lado para evitar que o número de acidentes continue a subir.

André atua como jornalista de tecnologia desde 2009 quando fundou o Tekimobile. Também trabalhou na implantação do portal Tudocelular.com no Brasil e já escreveu para outros portais como AndroidPIT e Techtudo. É formado em eletrônica e automação, trabalhando com tecnologia há 26 anos.