Por que o Brasil ainda falha em regulamentar o uso seguro do celular durante o carregamento?

Apesar do aumento dos acidentes envolvendo celulares em carregamento, o Brasil carece de normas claras e fiscalização efetiva.
Publicado dia 22/01/2026
Aumento dos acidentes com carregamento de celulares revela ausência de regulamentação no Brasil
Aumento dos acidentes com carregamento de celulares revela ausência de regulamentação no Brasil
Resumo da notícia
    • O número de acidentes com celulares em carregamento cresceu cerca de 25% no Brasil, gerando riscos de incêndios e choques elétricos.
    • Você deve seguir práticas seguras e optar por acessórios certificados para evitar acidentes domésticos com celulares carregando.
    • Essa falta de regulamentação e fiscalização aumenta a circulação de produtos não confiáveis, colocando toda a sociedade em risco.
    • Campanhas educacionais e integração entre órgãos reguladores podem reduzir significativamente esses acidentes.

O uso constante do celular aliado ao hábito de carregar os dispositivos durante a noite ou em ambientes improvisados tem aumentado os riscos de acidentes relacionados ao aparelho em carregamento. No entanto, o Brasil ainda carece de regulamentação clara e fiscalização eficaz para garantir essa segurança, mesmo com o crescimento dos casos envolvendo incêndios e choque elétrico causados por celulares conectados à tomada.

Riscos crescentes com o carregamento de celulares

Nos últimos anos, o número de acidentes envolvendo celulares em carregamento cresceu de forma significativa. Segundo dados recentes, houve um aumento de aproximadamente 25% nessas ocorrências no Brasil, impactando famílias e trazendo à tona a falta de medidas eficazes para mitigar esses riscos. Falhas em carregadores, o uso de acessórios não certificados e a qualidade duvidosa das redes elétricas são alguns dos fatores que colaboram para esse cenário.

Além dos problemas técnicos, a falta de conhecimento do usuário sobre práticas seguras durante o carregamento contribui diretamente para acidentes domésticos. Muitas pessoas deixam seus celulares carregando sobre superfícies inflamáveis ou usam cabos danificados, expondo-se a riscos que poderiam ser prevenidos com campanhas educativas e regras de segurança mais rígidas.

Esses perigos reforçam a necessidade urgente de um arcabouço regulatório que combine normas técnicas precisas e fiscalização contínua, garantindo que todos os carregadores comercializados no país atendam a padrões mínimos de qualidade.

Vácuo na regulamentação brasileira

No cenário atual, o Brasil ainda não possui uma regulamentação específica que trate do uso seguro do celular durante o carregamento, especialmente no que tange à fabricação, comercialização e fiscalização de acessórios como cabos e carregadores. Essa ausência de normas claras dificulta o controle de produtos de baixa qualidade circulando no mercado, aumentando o risco de acidentes.

Laboratórios e órgãos reguladores enfrentam desafios para estabelecer parâmetros uniformes e aplicáveis a diferentes tecnologias presentes nos dispositivos e carregadores. Por outro lado, a fiscalização se mostra limitada, tanto em recursos quanto em alcance, o que compromete a efetividade das ações de controle.

A necessidade de integração entre órgãos como o Inmetro, a Anatel e as agências estaduais é evidente para aprimorar as inspeções e garantir maior transparência nas certificações. Enquanto isso não ocorre, consumidores permanecem vulneráveis a produtos que não seguem protocolos de segurança reconhecidos internacionalmente.

A ausência de políticas públicas específicas para a prevenção de acidentes domésticos envolvendo eletrônicos reforça a fragilidade do sistema brasileiro diante do crescimento da demanda por celulares e dispositivos móveis.

Educação e conscientização: caminhos que precisam ser reforçados

Outra questão fundamental que colabora com o problema é o baixo investimento em campanhas educacionais voltadas para o uso seguro dos aparelhos durante o carregamento. A conscientização do público sobre riscos e cuidados ainda é insuficiente para mudar comportamentos arriscados no cotidiano, como utilizar o celular enquanto carrega ou apoiar o aparelho sobre materiais inflamáveis.

Uma disseminação mais ampla de informações claras e acessíveis sobre o tema, embasadas em dados reais, poderia reduzir substancialmente os números de acidentes. Atividades em escolas, empresas e meios de comunicação são ferramentas importantes para esse objetivo.

O Brasil tem registrado avanços em regulamentações tecnológicas, como aquelas relacionadas à inteligência artificial, mas a segurança no uso básico do celular ainda não recebe o mesmo nível de atenção, mesmo com os riscos evidentes.

O papel do consumidor e do mercado

Por fim, é importante destacar o papel do consumidor na seleção e no uso responsável dos equipamentos. Optar por acessórios certificados, evitar o uso de carregadores genéricos e fazer manutenção preventiva dos cabos são práticas essenciais para diminuir riscos.

O mercado, por sua vez, poderia colaborar mais incentivando a oferta de produtos que atendam rigorosos padrões de segurança e transparência sobre a procedência. A falta de normatização clara torna difícil para o consumidor identificar produtos confiáveis.

Principais motivos da falha na regulamentação Descrição
Ausência de normas específicas Falta de legislação dedicada para carregadores e segurança no uso durante o carregamento
Fiscalização limitada Recursos insuficientes e pouca integração entre órgãos reguladores
Baixa conscientização pública Campanhas educativas pouco abrangentes sobre riscos no carregamento
Mercado informal e não certificado Circulação de acessórios sem certificação, aumentando risco de acidentes

O debate sobre a regulamentação do uso seguro do celular em carregamento reflete a necessidade do Brasil em alinhar seus padrões técnicos e educacionais às demandas atuais da sociedade conectada. A implementação de regras claras e fiscalização efetiva pode evitar acidentes, perdas materiais e até vidas.

Essas questões dialogam com outras discussões em tecnologia e segurança no país, como os desafios na regulamentação da IA ou a falta de campanhas eficientes para evitar acidentes domésticos, temas que possuem relevância crescente.

André atua como jornalista de tecnologia desde 2009 quando fundou o Tekimobile. Também trabalhou na implantação do portal Tudocelular.com no Brasil e já escreveu para outros portais como AndroidPIT e Techtudo. É formado em eletrônica e automação, trabalhando com tecnologia há 26 anos.