Por que o Projeto The Line pode não ser viável no Brasil, apesar do hype

O ambicioso Projeto The Line na Arábia Saudita levanta dúvidas sobre sua aplicação real e custo-benefício em territórios brasileiros.
Publicado dia 30/01/2026
Projeto The Line: desafios e possibilidades para o urbanismo sustentável no Brasil
Projeto The Line: desafios e possibilidades para o urbanismo sustentável no Brasil
Resumo da notícia
    • O Projeto The Line propõe uma cidade linear de 170 km integrando tecnologia avançada, sustentabilidade e mobilidade zero emissão.
    • Você pode se beneficiar de conceitos urbanos sustentáveis e tecnológicos que visam melhorar a mobilidade e qualidade de vida.
    • O projeto enfrenta desafios no Brasil devido a custos altos, diversidade ambiental, desigualdade social e infraestrutura tecnológica desigual.
    • Alternativas e adaptações locais podem fomentar inovação urbana sustentável com participação social e políticas públicas consistentes.

O ambicioso Projeto The Line, idealizado na Arábia Saudita, tem ganhado destaque global por sua proposta de urbanismo futurista com cidades lineares conectadas por tecnologia avançada. No entanto, a discussão sobre sua viabilidade no Brasil revela desafios significativos ligados à infraestrutura, custos e adaptação ao contexto social e ambiental brasileiro. Entender essas limitações ajuda a avaliar o real potencial do projeto no país.

Características principais do Projeto The Line

O The Line propõe uma cidade linear, com 170 km de extensão, onde nada estaria a mais de cinco minutos a pé. A ideia central é integrar alta tecnologia, sustentabilidade e mobilidade zero emissão em um único projeto urbanístico. A proposta inclui:

  • Infraestrutura 100% renovável e circulação por transporte público rápido subterrâneo;
  • Ambientes digitais e físicos totalmente conectados;
  • Desenvolvimento focado na redução do uso do carro e otimização do espaço urbano;
  • Sustentabilidade ambiental com foco no mínimo impacto aos ecossistemas.

Por se diferenciar dos modelos convencionais, o projeto surge como um conceito que enfatiza inovação em planejamento urbano e eficiência energética.

Desafios do modelo para o Brasil

Apesar do entusiasmo internacional, o projeto enfrenta entraves que precisam ser considerados para sua aplicação no Brasil. O país é marcado por um vasto território, diversidade cultural e desigualdade econômica, o que dificulta a reprodução direta do modelo saudita. Os principais pontos que complicam a viabilidade no Brasil são:

  • Custo e investimento elevado: O Projeto The Line exige investimentos bilionários em infraestrutura de ponta e sistemas tecnológicos que podem ser proibitivos frente ao orçamento público brasileiro;
  • Desafios ambientais e geográficos: O território brasileiro possui grande diversidade climática e geológica, o que impõe adaptações complexas e custos extras para a construção linear e sustentável proposta;
  • Contexto social e habitacional: A desigualdade social no Brasil demanda soluções urbanas que contemplem habitação popular e integração social, algo que o projeto original não detalha;
  • Infraestrutura tecnológica insuficiente: Apesar dos avanços em cidades brasileiras, a cobertura tecnológica e de conectividade ainda é desigual, com zonas rurais e periféricas em desvantagem.

Vale destacar que a sustentabilidade do projeto dependeria da robustez e continuidade dos investimentos públicos e privados, algo que encontra limitações no atual cenário econômico brasileiro.

Comparações com investimentos tecnológicos recentes no Brasil

No contexto da modernização tecnológica e urbana no Brasil, o cenário tem mostrado avanços, mas também entraves claros, como a ausência de regulamentação para data centers que freia investimentos em infraestrutura digital. Outro ponto frequente é a dificuldade da infraestrutura crítica frente a ameaças, como a intimidação armada que evidencia vulnerabilidades do país.

Além disso, a busca por inovação encontra resistência cultural e regulatória, como apontado no caso da adoção de sistemas em empresas brasileiras. Tudo isso sugere que projetos tecnológicos com alto padrão, como The Line, precisam ser muito adaptados para o Brasil.

Possíveis caminhos para projetos urbanos inovadores no Brasil

Mesmo que o The Line enfrentasse dificuldades no Brasil, conceitos urbanos que priorizam sustentabilidade e tecnologia podem inspirar o desenvolvimento nacional. Algumas tendências que podem ter maior aderência são:

  • Desenvolvimento sustentável local: Projetos que respeitam a diversidade ambiental e social das regiões brasileiras, focando em mobilidade reduzida e uso de energia limpa;
  • Integração tecnológica gradual: Expansão da conectividade e soluções digitais nas cidades com base em parcerias público-privadas e regulamentação clara;
  • Planejamento urbano descentralizado: Valorização de polos regionais com projetos adaptados às necessidades locais, mitigando o custo e riscos elevados;
  • Fomento à inovação e educação tecnológica: Investimento em capacitação e inovação para criar infraestrutura que suporte ambientes urbanos inteligentes.

Esses caminhos podem contribuir para superar algumas limitações estruturais, enquanto adaptam tecnologias às demandas e realidades brasileiras.

Questionamentos econômicos e sociais

O custo-benefício do Projeto The Line no Brasil ainda é incerto. A diferença econômica entre Arábia Saudita e Brasil influencia o potencial de execução. Enquanto o modelo saudita se apoia em recursos abundantes e centralização orçamentária, no Brasil, a aplicação pública depende de decisões políticas complexas e recursos limitados.

É preciso ainda considerar fatores como:

  • Capacidade de investimento público e privado em infraestrutura de ponta;
  • Precariedades na infraestrutura existente, especialmente em áreas periféricas urbanas;
  • Desafios sociais como moradia precária e desigualdade;
  • Riscos de projetos que não incluam participação comunitária e integração social.

Desta forma, o hype em torno do The Line precisa ser temperado com análises criteriosas para não replicar falhas de planejamento urbano em outros contextos.


Este debate sobre o Projeto The Line destaca que grandes projetos urbanos precisam considerar a adaptação às particularidades locais antes de serem replicados em contextos diferentes. A experiência brasileira em iniciativas de tecnologia digital, como o avanço em soluções de IA para saúde pública, revela que a inovação precisa ir junto com políticas públicas consistentes para gerar benefícios duradouros, como discutido em matérias recentes sobre implantação de IA em hospitais.

Enquanto o The Line propõe um ideal futurista, projetos nacionais devem focar em sustentabilidade prática e inclusão social para garantir que a evolução urbana acompanhe as necessidades reais da população.

André atua como jornalista de tecnologia desde 2009 quando fundou o Tekimobile. Também trabalhou na implantação do portal Tudocelular.com no Brasil e já escreveu para outros portais como AndroidPIT e Techtudo. É formado em eletrônica e automação, trabalhando com tecnologia há 26 anos.