A Qualcomm confirmou no Snapdragon Summit 2026 que fechou acordo com a Samsung para fabricar novos processadores no processo de 2 nanômetros, destinados a celulares, tablets, notebooks e outros dispositivos. Quem anunciou foi Chris Patrick, vice-presidente sênior e chefe da divisão de celulares, que chamou a Samsung de parceira global mais forte da empresa.
Adicione ao Google NotíciasO peso da notícia está em quem sai de cena. Os Snapdragon de topo vinham sendo produzidos pela TSMC, a maior fabricante de chips do mundo, e a Qualcomm não explicou por que dividiu a produção. Para o consumidor, a mudança não altera nada no curto prazo — o efeito aparece na disponibilidade e no preço dos aparelhos de 2027 em diante, quando o 2 nm chegar ao mercado.
O que as duas vão fazer juntas
Além da fabricação, as empresas trabalham em soluções de processamento de inteligência artificial nos chips da linha Snapdragon e na chegada da memória LPDDR6 aos aparelhos móveis — padrão que promete resolver limitações técnicas de sinalização e gerenciamento de canais de memória, hoje um dos gargalos para rodar modelos de IA no próprio celular.
O contrato não teve prazo divulgado, o que deixa aberta a dúvida mais relevante: se a Samsung Foundry assume parte de uma geração específica ou se vira fornecedora permanente ao lado da TSMC.
De rival a fornecedora
A Samsung passou anos no caminho oposto. A empresa fabricava o próprio processador, o Exynos, usado para padronizar seus aparelhos premium, e chegou até a geração de 3 nm com tecnologia própria — com desvios pontuais, como a parceria com a AMD para a parte gráfica. Os chips Snapdragon aparecem nos Galaxy desde o S23, e o Snapdragon Wear Elite já equipa o Galaxy Watch 9 e o Watch Ultra 2; agora a relação inverte de lado também na fábrica.
Para a Samsung Foundry, é o tipo de cliente que faltava. A divisão vinha atrás da TSMC em rendimento de produção nos nós avançados, e ter a Qualcomm assinando o 2 nm é o aval técnico que a operação buscava — o mesmo raciocínio que já levou a Microsoft a fechar acordo com a fabricante coreana.
O que muda para quem compra celular
Nada agora: os Snapdragon 8 Elite Gen 6 anunciados nesta semana seguem no processo atual. O 2 nm começa a chegar na geração seguinte, e a existência de dois fornecedores tende a reduzir o risco de escassez — foi a dependência de uma única fábrica que encareceu chips nos últimos ciclos. O que ainda não se sabe é se a Qualcomm vai dividir a mesma geração entre TSMC e Samsung, prática que no passado gerou aparelhos com desempenho e consumo diferentes vendidos sob o mesmo nome.




