Quase metade dos brasileiros já desembolsa mais de R$ 100 por mês com assinaturas, num momento em que o modelo de cobrança recorrente se infiltra em praticamente todo tipo de serviço.
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Segundo levantamento da Vindi em parceria com a Opinion Box, 29% dos brasileiros gastam entre R$ 101 e R$ 200 em assinaturas mensais, enquanto 17% já estão na faixa de R$ 201 a R$ 500. Só 19% conseguem manter esse gasto abaixo de R$ 50. A pesquisa ouviu 1.040 pessoas de todas as regiões do país entre junho e julho de 2026.
Quanto os brasileiros gastam com assinaturas por mês?
Os números mais recentes colocam o brasileiro médio muito longe da sensação de “só mais um streaming baratinho”. Na pesquisa da Vindi, a maior fatia dos entrevistados, 29%, concentra os gastos mensais com assinaturas entre R$ 101 e R$ 200. Logo depois aparece um grupo volumoso: 17% comprometem de R$ 201 a R$ 500 todo mês apenas com mensalidades recorrentes.
Na outra ponta, só 19% declaram gastar menos de R$ 50 com esse tipo de serviço. No meio do caminho, 47% dizem ter mantido estável o valor gasto com assinaturas nos últimos 12 meses, enquanto 35% aumentaram a conta e apenas 18% conseguiram cortar algo. Em outro recorte de pesquisa conduzida pela Vindi com 1.659 pessoas, metade dos participantes (50,6%) afirmou assinar ou pagar recorrentemente de 6 a 10 serviços, e 69% disseram gastar mais de R$ 100 por mês com assinaturas e mensalidades.
Esse patamar encaixa com um estudo da Bango, empresa de monetização de canais digitais, que calculou um tíquete médio de cerca de R$ 118 por mês em assinaturas digitais no Brasil, o que dá R$ 1.416 ao ano. A média acompanha esse “quase 50%” que já passou da barreira dos R$ 100 mensais.
Quais serviços mais pesam na fatura recorrente?
Streaming domina a conversa, mas não é o único responsável pela fatura mensal. No recorte mais recente da Vindi, 79% dos entrevistados citaram serviços de streaming entre as assinaturas que pagam hoje. Internet fixa aparece logo atrás, em 77% das respostas, e contas de eletricidade entram no pacote de “assinaturas digitais” para 74% dos participantes.

Serviços de música também aparecem com força, com 55% dos brasileiros assinando alguma plataforma do tipo. Cursos online entram em 33% das respostas, enquanto serviços relacionados à alimentação fazem parte da rotina de 42% dos entrevistados. O universo fitness também entrou de vez no boleto recorrente: 44% mencionam plataformas como academias, programas corporativos ou apps do tipo como parte dos gastos mensais.
Olhar para a conta só pelo lado digital distorce o quadro. Outro levantamento da Vindi mostrou que contas de consumo e telecomunicações aparecem em 99,6% das respostas, à frente até do entretenimento audiovisual, citado por 95,6% dos consultados. Nesse recorte, 82,9% pagam serviços de música e 71,8% algum tipo de entretenimento adicional. No agregado, a média de assinaturas digitais no país é de 3,8 por pessoa, de acordo com a Bango.
Brasileiro sabe o quanto gasta? E a tendência é gastar mais?
A resposta curta: brasileiro gasta muito, controla mal e projeta ampliar a conta. A Vindi identificou que 51% dos entrevistados esperam aumentar as despesas com assinaturas nos próximos cinco anos. E 22% já preveem que, em apenas 12 meses, vão pagar mais do que hoje. Só 18% conseguiram reduzir algo recentemente.
Parte do quadro vem da falta de visibilidade. Em pesquisas anteriores, a própria Vindi havia apontado que muita gente não sabe com precisão quanto gasta com serviços recorrentes nem quantos serviços assina. Outros estudos reforçam o mesmo cenário: a Bango apurou que 32% dos brasileiros pagam por pelo menos uma assinatura que não usam e que 63% se dizem incomodados por não conseguir gerenciar tudo em um só lugar.
A sensação de descontrole se soma aos reajustes. Um levantamento sobre streaming de vídeo mostrou que, apenas para assinar Netflix, Prime Video e Globoplay, o gasto mensal saiu de R$ 77,70 em 2019 para R$ 95,70 em 2022, alta de 23,2%. Quem tenta assinar praticamente todos os serviços grandes de filmes e séries no Brasil chega a uma conta de até R$ 268 por mês — e isso sem incluir plataformas de nicho.
Quem está ganhando com essa febre de assinaturas?
Enquanto o consumidor aperta o orçamento, o modelo recorrente engorda o caixa de quem cobra. A Vindi afirma que, entre mais de 6 mil empresas clientes que atuam com recorrência, o volume de vendas cresceu 65% entre 2019 e 2020. No mesmo período, negócios que não operam com assinatura teriam avançado 28%. Para a empresa, a diferença evidencia como o fluxo previsível de receita todo mês ajuda a planejar e segurar caixa.
O apetite do público impulsiona formatos mais agressivos. Segundo a Bango, 73% dos consumidores querem uma plataforma única para gerenciar todas as assinaturas e 69% gostariam de pagar tudo numa só fatura mensal. A empresa vê nesse comportamento a base para o chamado “super bundling”, em que uma operadora ou banco empacota vários serviços em um único pagamento. Na pesquisa, 51% dos brasileiros disseram preferir que esse tipo de pacote venha da operadora móvel, 28% do provedor de internet e quase metade aceitaria esse papel dos bancos ou carteiras digitais.
Enquanto uma parte relevante do país já passa dos R$ 100 por mês em assinaturas, 73% dos respondentes da pesquisa da Bango admitem que não conseguem pagar por todos os serviços que gostariam. A distância entre desejo e limite do cartão de crédito vira terreno fértil para mais pacotes, mais bundles e mais assinaturas pagas e esquecidas.




