O Nintendo Switch 2 foi desbloqueado por software pela primeira vez — e quem fez boa parte da caça à falha foi o Codex, agente de programação da OpenAI.

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Neste artigo
  1. Um aplicativo do Switch 1 foi a porta de entrada
  2. O que o agente da OpenAI fez na bancada
  3. O que o ns2jb faz — e o que ele não faz

O exploit se chama ns2jb e é do pesquisador de segurança Sammy Hajhamid, que assina como pepsipu. Ele roda código nativo dentro do sistema do console sem nenhum chip soldado, o que abre caminho para homebrew e para modificar jogos exclusivos do aparelho. E some assim que o console é reiniciado.

Um aplicativo do Switch 1 foi a porta de entrada

A brecha não está no Switch 2, e sim no SmileBASIC, aplicativo de criação de jogos vendido na eShop e feito para o console anterior. Hajhamid descreve um estouro de inteiro de 32 bits no comando que remove itens de um vetor: com os parâmetros certos, a operação copia memória no deslocamento errado e deixa vazar para a área do usuário um ponteiro guardado nos metadados do buffer. Daí saem leitura e escrita fora dos limites, e a cadeia termina no fs, o módulo de sistema que cuida dos arquivos do console.

O aplicativo continua à venda por US$ 24,99 na loja americana — algo como R$ 126 na conversão direta pelo dólar desta quinta-feira.

O que o agente da OpenAI fez na bancada

Hajhamid montou um aparato para deixar a IA trabalhar sozinha. Dois JetKVMs mandam comandos de controle pela USB e capturam a imagem pela HDMI; um interruptor Bluetooth da Amazon aperta o botão de energia quando o console trava. A ideia, escreve ele, era que o Codex desbloqueasse o Switch 2 sem a participação dele.

Enquanto uma frente do agente tentava explorar o WebKit no Switch 2, outra atacava o SmileBASIC no Switch 1 — e foi essa que achou o estouro de inteiro. O jailbreak levou cerca de duas semanas. O mod de Mario Kart World que serviu de demonstração, com Cinnamoroll, Hatsune Miku, Peter Griffin e o Red de Angry Birds, saiu em um dia. No repositório, Hajhamid agradece ao Codex por empacotar os exploits para distribuição e emenda que ele mesmo não leu o pacote distribuído.

O que o ns2jb faz — e o que ele não faz

Pelo texto do autor, o exploit executa código nativo como qualquer módulo de sistema comum e como o fs, o que serve para homebrew, modificação de jogos, backup de saves e acesso a periféricos. O desbloqueio é tethered: não há acesso ao kernel, não há firmware personalizado e nada sobrevive a um reinício. A documentação diz com todas as letras que a demonstração não instala firmware customizado nem persistência.

Também não é coisa que se faça com o console na mão. As instruções exigem SmileBASIC 4.4.9, software de sistema 23.0.1 e um computador com Node.js 22 ou mais novo na mesma rede, e o computador precisa ficar acordado até o fim da execução. O próprio autor registra que o teste físico de 21 de outubro só passou na terceira tentativa: as duas primeiras pararam nas verificações e se desfizeram.

Nada disso fica gravado no aparelho. Um Switch 2 anunciado como já desbloqueado e pronto para usar não existe hoje: o exploit vive na memória até o próximo reinício e precisa ser refeito do zero depois.

O que falta para um desbloqueio de verdade não mudou — acesso ao kernel e alguma forma de persistência, duas coisas que o ns2jb não entrega. O SmileBASIC, por sua vez, seguia à venda na eShop na tarde desta quinta.