O WhatsApp começou a testar no iPhone um recurso que permite ao usuário criar e conversar com agentes de IA de terceiros dentro do próprio aplicativo — não os assistentes da Meta, mas bots ligados a qualquer serviço externo. A função apareceu na versão 26.37.10.70 do WhatsApp Beta para iOS, distribuída pelo TestFlight, depois de ter surgido no Android na beta 2.26.35.3. Cada conta pode criar até cinco agentes, com nome e foto próprios, e o app gera uma chave de API para conectar o bot ao serviço que vai responder por ele. O detalhe importante: essas conversas não têm criptografia de ponta a ponta, porque o conteúdo passa por um servidor da Meta antes de chegar ao desenvolvedor do agente.
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Como o recurso funciona
A criação é feita na área de configurações do WhatsApp: o usuário define nome e imagem de perfil do agente e conclui o cadastro. O app então gera a chave de API, que precisa ser colada no serviço responsável pelo bot para fechar a conexão — é o mesmo modelo usado por plataformas de automação. Para copiar a chave, basta tocar em "Ver chave de API" dentro da conversa; como ela dá controle total sobre o agente, não deve ser compartilhada, e o próprio chat permite redefini-la a qualquer momento. Depois disso, o bot aparece como uma conversa comum na lista, e a interação acontece como com qualquer contato.
O acesso do agente é limitado: ele enxerga apenas o que for enviado naquela conversa, sem alcançar outros chats, contatos ou arquivos de mídia guardados no celular. Conversas com agentes também não aceitam mensagens temporárias. Os cinco agentes por conta funcionam como uma cota: para conectar um sexto serviço, é preciso apagar um dos existentes, e a chave do agente removido deixa de valer.
O que muda em relação ao que já existe
Bots de IA no WhatsApp não são novidade no Brasil — dezenas de serviços operam hoje pela API oficial para empresas, que exige conta comercial verificada, aprovação da Meta e, em geral, um intermediário que cobra por mensagem. O que o teste propõe é outra coisa: um agente pessoal, criado em minutos pelo usuário comum, conectado ao serviço que ele escolher, sem passar por cadastro de empresa. É o formato que o Telegram oferece desde 2015 com o BotFather, e que transformou o rival em plataforma de automação — daí a leitura de que a Meta está copiando o concorrente.
A ressalva da criptografia
O ponto que merece atenção é a segurança. O WhatsApp vende a criptografia de ponta a ponta como sua principal característica, e ela continua valendo para conversas entre pessoas e chamadas. Nas conversas com agentes de terceiros, porém, o conteúdo é processado fora dessa proteção: passa pela infraestrutura da Meta e segue para o servidor de quem opera o bot. Na prática, tudo o que for digitado ali — incluindo dados pessoais, documentos ou senhas enviados por descuido — é legível por pelo menos duas empresas além de você. A recomendação é tratar o chat com um agente como se fosse um formulário na internet, não como uma conversa privada. Vale lembrar que o mesmo já acontece com o Meta AI dentro do app: a conversa com o assistente não é criptografada de ponta a ponta, e a diferença aqui é que o destinatário dos dados passa a ser uma empresa desconhecida, escolhida pelo próprio usuário.
Quando chega para todo mundo
Por enquanto, o recurso está com uma parcela limitada dos participantes do programa beta no iOS, com distribuição gradual e restrita a alguns países, e também aparece em versões de teste no Android. Não há previsão de lançamento na versão estável nem confirmação de que ele chegará ao Brasil — maior mercado do WhatsApp fora da Índia, e onde a Meta costuma liberar novidades de automação mais cedo justamente pelo volume de uso comercial. Recursos em beta às vezes são abandonados antes de chegar ao público geral, então vale acompanhar sem contar com data. Para entrar no teste, é preciso ter uma vaga no TestFlight do WhatsApp para iOS, que abre e fecha conforme a Meta amplia o grupo; no Android, a inscrição é feita pela própria página do app na Play Store, quando há vagas.



