O Amazon Leo deu um passo concreto para sair do papel no Brasil: a Anatel homologou o roteador L1LA10, peça central do serviço de internet via satélite que a Amazon vai vender por aqui em parceria com a Sky.

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Neste artigo
  1. Como é o roteador do Amazon Leo homologado no Brasil?
  2. Quando o Amazon Leo começa a funcionar no Brasil?
  3. Amazon Leo vs Starlink: o que muda no mercado de internet via satélite?

Na prática, a homologação libera o uso do roteador do Amazon Leo em solo brasileiro, mas o serviço ainda não pode estrear de vez: a antena de satélite, chamada de ODU na documentação da empresa, continua sem certificação na agência. Sem essa peça, não há banda larga para o usuário final, o que coloca pressão extra sobre o cronograma de estreia já anunciado para o país.

Como é o roteador do Amazon Leo homologado no Brasil?

O L1LA10 é o hub doméstico do Amazon Leo: conecta a antena de satélite de um lado e distribui o sinal por Wi‑Fi e cabo do outro. O documento de homologação indica que o roteador traz Wi‑Fi 6 de duas bandas, conectividade Zigbee e Bluetooth Low Energy, este último usado para integração com aplicativo de configuração e possivelmente outros dispositivos da casa conectada.

Na traseira, o layout é direto, sem firula: são três portas. Uma RJ45 exclusiva para a ligação com a antena de satélite, outra RJ45 para uso da internet cabeada em um dispositivo ou switch e uma entrada C6 para o cabo de energia. Ou seja, nada de modem integrado para banda larga terrestre: o L1LA10 existe para falar com o kit via satélite e só isso.

Segundo fotos de certificação na FCC, o roteador tem cerca de 17 cm de largura e profundidade. É grande para padrões de roteador doméstico e não deve ser leve: quase metade do volume interno é ocupada por uma fonte de 140 W, e a estrutura é toda em metal. A Amazon usou chips da Qualcomm em praticamente tudo: QCA8081 para as portas Ethernet, QCN6112 como rádio de 5 GHz e o SoC IPQ5018, com dois núcleos Cortex‑A53, fazendo o papel de cérebro do aparelho.

Quando o Amazon Leo começa a funcionar no Brasil?

No papel, o relógio já está rodando. A Anatel deu um prazo para o início da operação comercial do Amazon Leo no Brasil que termina em 29 deste mês; se nada acontecer até lá, a Amazon precisa pedir um novo adiamento. A empresa já testou o serviço em duas cidades brasileiras no ano passado, mas ainda não abriu contratação para o público.

O plano oficial é entrar no país via Sky, que será responsável por vender os planos de banda larga fixa por satélite ainda em 2024. Em encontro com jornalistas, o presidente da Sky afirmou que os serviços Amazon Leo estarão disponíveis a partir de 2026, começando pela região Sul do Brasil, com expansão gradual em direção à linha do Equador — movimento alinhado ao ritmo de implantação da constelação em baixa órbita.

A Amazon já colocou em órbita cerca de 153 satélites em baixa órbita terrestre (LEO) e trabalha para chegar a uma constelação de 3.236 unidades posicionadas a aproximadamente 630 km da superfície, com mais de 80 lançamentos. A empresa fala em velocidades de até 400 Mb/s para residências e 1 Gb/s para empresas, com latência comparável à fibra, usando enlaces ópticos entre satélites e antenas em banda Ka. Nada disso, porém, vale aqui sem o aval final da Anatel para a antena do kit residencial.

Com o L1LA10 liberado, o Amazon Leo se aproxima de um mercado hoje dominado pela Starlink. A concorrente de Elon Musk é o maior provedor de banda larga via satélite no Brasil e já aparece como o 12º maior provedor de banda larga fixa do país. Na prática, consumidores de áreas rurais e remotas têm hoje basicamente uma opção de baixa órbita; a entrada da Amazon tende a mexer em preço e cobertura, especialmente onde fibra e rádio não chegam.

O Amazon Leo vai atuar em duas frentes. Na banda larga fixa, a parceria com Sky e DirecTV Latin America cobre Brasil, Argentina, Colômbia, Chile, Equador, Peru e Uruguai, com promessa de preços considerados acessíveis pela empresa e suporte local em português no caso brasileiro.

Painel de apresentação do serviço Amazon Leo de internet via satélite
Amazon Leo é a marca comercial do antigo Project Kuiper para internet via satélite na América Latina (Imagem: reprodução/tecmundo.com.br)

Em paralelo, a Amazon quer lançar uma constelação de até 5.105 satélites para conexão direta entre satélites e smartphones, usando espectro da Globalstar, que a companhia concordou em comprar.

Nessa segunda frente, o objetivo é permitir chamadas de voz, mensagens, acesso à internet e serviços de emergência em regiões sem cobertura móvel, em disputa direta com SpaceX, AST SpaceMobile e Lynk Global. O início da implantação desses satélites voltados a celulares está previsto para 2028, enquanto o serviço fixo via antena de quintal deve estrear nas primeiras faixas de cobertura ainda este ano. A Anatel, por enquanto, só carimbou o roteador; a verdadeira briga começa quando a antena aparecer no sistema de homologações.