Android ainda responde por cerca de 75% das vendas de smartphones no mundo em 2026, mas a disputa por país mostra um quadro bem menos confortável.

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Neste artigo
  1. Quanto Android ainda domina — e quem segura a bronca
  2. Onde o Pixel 10a realmente vende bem?
  3. Pixel cresce, mas continua pequeno fora do Japão

Segundo dados de vendas da Counterpoint Research, Android manteve 75% de participação global em volume no segundo trimestre de 2026, contra 20% do iOS e 5% do HarmonyOS da Huawei. Um ano antes, Android tinha 79%, ou seja, perdeu quatro pontos para o iPhone e um para a Huawei no intervalo de doze meses, em meio a uma crise de memória RAM e NAND que encareceu celulares de entrada e intermediários.

Quanto Android ainda domina — e quem segura a bronca

O domínio de Android segue folgado em números absolutos, mas estacionado. A participação recuou de 79% para 75% em um ano, enquanto iOS avançou para 20% e HarmonyOS, focado na China, chegou a 5%. A própria Counterpoint credita parte da resistência do sistema do Google à série Galaxy S26, em especial ao modelo Ultra, que segurou a barra durante a crise de componentes, num cenário em que fabricantes chinesas recuaram no segmento de entrada por causa dos custos.

No recorte por fabricantes, Samsung retomou a liderança global com 23% de market share em unidades no Q2 2026, à frente da Apple. A empresa de Cupertino ficou com 21%, mas cresceu em dois dígitos ano contra ano, puxada pela linha iPhone 17, ainda o modelo mais embarcado do planeta. Xiaomi, vivo e OPPO aparecem na sequência, sentindo bem mais o impacto da alta de memória e da necessidade de reajustar preços em mercados emergentes para manter margem.

Gráfico de participação de mercado global de smartphones no segundo trimestre de 2026
Participação de fabricantes no mercado global de smartphones em Q2 2026, com Samsung na liderança segundo a Counterpoint (Imagem: reprodução/counterpointresearch.com)

O tombo no volume total é pesado: estimativas citadas por relatórios de mercado indicam queda de 11% nas remessas globais no mesmo trimestre, o menor nível para um segundo trimestre desde 2013. Nesse cenário, Google virou ponto fora da curva. A linha Pixel 10, incluindo o 10a, puxou alta de 16% nos embarques, segundo a mesma Counterpoint, ainda que a marca continue fora do top 5 global em volume e siga restrita a poucos mercados.

Onde o Pixel 10a realmente vende bem?

Quando o recorte sai de sistema operacional e passa para aparelhos específicos, o mapa muda completamente. Um levantamento da Counterpoint sobre os cinco smartphones mais vendidos em grandes mercados em 2025 mostra que a série iPhone 17 ocupa o topo em quase todos, mas um modelo Android de nicho escapa da sombra: o Google Pixel 10a, e só no Japão.

No Japão, o Pixel 10a apareceu logo atrás do iPhone 17 e do 17E, respondendo por 7% de todas as vendas de smartphones no segundo trimestre. É o único país em que um Pixel entra na lista dos cinco mais vendidos e, na prática, o único mercado em que Google deixa de ser coadjuvante nas estatísticas por modelo. O dado também marca uma virada em relação ao Pixel 9a, que não figurava entre os mais vendidos do país no mesmo período do ano anterior e ficava preso a faixas menores de participação.

Esse desempenho tem contexto: Japão é um dos poucos mercados em que Android voltou a ganhar espaço em cima do iOS nos últimos anos, com avanço de marcas como Google e Samsung e recuo de fabricantes locais como Sharp em alguns segmentos. O Pixel 10a se encaixa justamente na faixa de preço em que promoções de operadora ainda definem muita compra e onde a escassez de memória afetou menos o tíquete mais baixo, deixando o aparelho em posição confortável frente a rivais diretos.

Pixel cresce, mas continua pequeno fora do Japão

Fora do Japão, o retrato é bem menos favorável para o hardware do Google. No mercado dos Estados Unidos, dados da Omdia para o primeiro trimestre de 2026 mostram que Apple e Samsung ainda formam um duopólio, com 60% e 24% de share, respectivamente. Pixel aparece em quarto lugar, com apenas 3% de participação – estável em relação ao ano anterior – mesmo com o lançamento da série Pixel 10 e maior presença em canais de operadora.

A Omdia relata que os embarques de Pixel caíram 7% ano contra ano nos EUA e atribui o recuo diretamente à linha Pixel 10, que “não conseguiu replicar o momento” da família Pixel 9. Segundo o instituto, a situação só não teria sido pior porque o Pixel 10a chegou mais cedo que o 9a no calendário, apoiado em promoções agressivas de operadoras e descontos por troca de aparelho. Em paralelo, Motorola foi quem mais cresceu no mesmo período, com alta de 18% nas remessas e share subindo de 9% para 11%, impulsionada pelos novos Moto G, que avançaram justamente nas faixas onde Pixel patina.

No agregado global, Google ainda aparece como destaque positivo em 2026 dentro de um mercado em queda, com alta de 16% nos embarques da linha Pixel 10 em meio a um tombo de dois dígitos na indústria. O limite continua sendo distribuição: enquanto iPhone é vendido em pelo menos 128 países, os Pixel 10 chegam oficialmente a pouco mais de vinte, o que trava qualquer ambição de brigar de igual para igual com Apple e Samsung em volume e deixa a história do 10a concentrada, por ora, nas prateleiras japonesas.