Os celulares da Xiaomi vão ficar mais caros nos próximos ciclos de lançamento, e a própria empresa já admite que o aumento será considerável por causa da alta nos chips de memória.
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A Xiaomi vem repetindo o mesmo recado com pouca margem para interpretação: executivos de alto escalão afirmam que os custos de memória DRAM e NAND dispararam, o que pressiona o valor de produção de cada smartphone. O presidente do grupo, Lu Weibing, diz que os consumidores deverão ver um aumento considerável nos preços de varejo a partir do próximo ano, enquanto o gerente de produtos da Redmi, Hu Xinxin, fala em aumento inevitável nos preços dos aparelhos por causa da escalada nos chips de memória.
Por que a Xiaomi diz que os celulares vão subir de preço?
A causa não é mistério: memória ficou cara. A Xiaomi aponta a alta global dos chips de memória como o principal vilão. Fabricantes como Samsung e SK Hynix redirecionam capacidade para memórias de alta largura de banda usadas em data centers de inteligência artificial, reduzindo a oferta de DRAM e NAND para smartphones. Com menos componente disponível e margens mais gordas no lado da IA, o preço unitário da memória para celular sobe forte.
Lu Weibing afirma que a pressão de custos será muito maior no próximo ano do que no atual, e que parte desse impacto precisa chegar ao varejo. A empresa diz tentar absorver parte da pancada, mas admite que isso não compensa tudo. Hu Xinxin descreve o efeito como um aumento vertiginoso dos preços dos chips de memória usados nos aparelhos, que já elevou o custo unitário dos produtos. A própria Xiaomi relata que configurações padrão de memória ficaram bem mais caras em relação ao ano anterior.
O problema não é novo: ainda em 2021, o então presidente Xiang Wang já alertava que a falta de chips aumentava os custos de produção e que, em alguns casos, parte desse aumento teria que ser repassada ao consumidor. A diferença é que agora a empresa fala em ciclo prolongado de pressão, alimentado pelo boom da IA.
Quais linhas da Xiaomi já tiveram reajuste e quem sofre mais?
A alta não está mais no campo da ameaça. A Xiaomi já reajustou preços de vários modelos na China. Em agosto de 2026, a empresa elevou os valores de smartphones das linhas Redmi Turbo 5, Redmi K90 e Xiaomi 17 em até 500 yuans. Em conversão direta aproximada, isso coloca aumentos na casa de dois dígitos percentuais: o Redmi Turbo 5 subiu cerca de 13%, enquanto o Xiaomi 17 Pro Max teve alta de pouco mais de 8%.

Segundo a marca, o motivo é o mesmo: o custo dos chips de memória. A empresa afirma que configurações com 12 GB de RAM e 512 GB de armazenamento ficaram quase quatro vezes mais caras em comparação com anos anteriores, o que simplesmente explode a conta dos modelos mais cheios de RAM e armazenamento. Esse cenário obrigou a Xiaomi a revisar a política de preço agressivo que ajudou a construir a fama de custo-benefício da marca.
Os modelos de entrada são os que mais sofrem. A própria Xiaomi reconhece que os aparelhos mais baratos sentem mais o impacto da memória inflada, já que trabalham com margens de hardware apertadas. Pesquisas de mercado citadas pela empresa apontam que justamente os celulares de entrada devem ser os mais afetados pela crise de componentes, enquanto as fabricantes tendem a concentrar fichas em topos de linha, onde ainda existe espaço para absorver parte do custo sem matar o produto.
Quando esse aumento chega para o consumidor e o que esperar para o Brasil?
Hu Xinxin sinaliza que o reajuste deve aparecer já no próximo trimestre, quando os novos lotes de celulares da Xiaomi chegarem com componentes comprados mais caros. Lu Weibing projeta que a pressão sobre os custos de memória será ainda mais pesada no ano que vem em comparação com este ano, e fala em um período mais difícil dos últimos dez anos para o setor.
A empresa não divulga percentuais globais específicos por linha, mas o recado é direto: a Xiaomi trata a alta dos chips de memória como estrutural, não como um soluço pontual de algumas semanas. A marca já confirmou dois ciclos de reajuste no mercado chinês somente em 2026, ambos atrelados à memória RAM mais cara. Em paralelo, executivos como Lei Jun falam em tendência de aumento gradual nos preços dos celulares nos próximos anos se a escassez de memória persistir.
Para o Brasil, não há anúncio oficial de reajuste em reais, mas a lógica é a mesma: boa parte do portfólio vendido formalmente por aqui — incluindo Redmi Note, POCO intermediários e até a série Xiaomi 15T — replica plataformas e configurações usadas na China. Quando a memória que equipa esses aparelhos encarece lá fora, a fatura chega nas remessas que abastecem a loja oficial e o varejo local. Quem está de olho em Xiaomi, Redmi ou POCO para os próximos meses precisa considerar que o "custo Xiaomi" passa a acompanhar a inflação da IA.




