OpenAI resolveu bater de frente com a Apple: depois de ser acusada em um processo de roubo de segredos industriais, a empresa publicou um texto chamado “Apple is getting this wrong” e expôs conversas internas para tentar desmontar a narrativa do iPhone-maker.

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Neste artigo
  1. O que está acontecendo entre Apple e OpenAI?
  2. O que a OpenAI diz em “Apple is getting this wrong”?
  3. Apple está com problema? E a história de estar ‘perdendo clientes’?
  4. A Apple está processando mais alguém? E o que acontece agora?

No post, a OpenAI chama o processo da Apple de “descuidado, agressivo e estranhamente pessoal” e nega ter usado funcionários ex-Apple para captar informações confidenciais. A startup atribui o que a Apple chama de acesso indevido a falhas no próprio controle de permissões internas, que deixariam ex-funcionários com acesso ativo a arquivos mesmo após saírem da companhia.

O que está acontecendo entre Apple e OpenAI?

Sim: a Apple está processando a OpenAI. A gigante de Cupertino abriu uma ação em julho acusando a criadora do ChatGPT e dois ex-funcionários — Chang Liu e Tang Yew Tan — de roubo de segredos comerciais ligados a hardware, incluindo dados detalhados sobre produtos ainda não lançados, apresentações de engenharia e especificações proprietárias.

Chang Liu, ex-engenheiro de iPhone, é acusado pela Apple de acessar e baixar dezenas de arquivos confidenciais após deixar a empresa, usando um computador corporativo não devolvido e explorando uma vulnerabilidade de autenticação para continuar entrando no armazenamento em nuvem interno. Já Tang Tan, ex-vice-presidente de design de produto (iPhone, AirPods, Apple Watch), teria orientado candidatos ainda empregados na Apple a levar “peças reais” para entrevistas na OpenAI, usando o processo seletivo para extrair mais informações sensíveis, segundo a acusação.

A Apple pediu ao tribunal uma liminar (preliminary injunction) para impedir Liu, Tan, a própria OpenAI e a empresa io Products de acessar, adquirir, usar ou divulgar esses supostos segredos enquanto o caso tramita. A Apple alega que sofrerá “dano irreparável” sem essa medida.

Logo da Apple na frente de prédio de escritórios
Escritório da Apple, que acusa ex-funcionários de levarem segredos industriais para a OpenAI (Imagem: reprodução/engadget.com)

O que a OpenAI diz em “Apple is getting this wrong”?

No texto público, a OpenAI tenta virar o jogo. A empresa afirma que a Apple omitiria contexto ao acusar Chang Liu de acessar dados depois da saída: segundo a OpenAI, a própria Apple admitiu que funcionários ainda dentro da companhia é que procuraram Liu, já ex-colaborador, pedindo ajuda para localizar esses arquivos. A startup diz que a Apple tenta jogar a culpa em um tal de “residual access”, mas que isso é consequência de a própria Apple não gerenciar bem os acessos quando alguém sai da empresa.

Na prática, escreve a OpenAI, ex-funcionários “que tentam fazer a coisa certa” ainda conseguem abrir arquivos da Apple porque o acesso não foi cortado, às vezes sem saber que ainda têm permissão ativa. Sobre Tang Tan, a defesa é mais seca: a OpenAI afirma que Tan sempre deixou claro para o time que a empresa não quer e não deve usar informação confidencial de outras companhias.

A OpenAI também nega que tenha ignorado os primeiros sinais de alerta da Apple. A Apple diz ter tentado contato em fevereiro e não ter obtido resposta; a OpenAI rebate dizendo que a empresa “agora admite” que seus advogados externos enviaram e-mails para a pessoa errada, confundindo dois sobrenomes asiáticos, e que nunca falaram com o general counsel da OpenAI de fato. No post, a startup publicou logs de iMessage e e-mails entre Liu e colegas da Apple, além de trocas entre os times jurídicos, como tentativa de comprovar essa versão.

Apple está com problema? E a história de estar ‘perdendo clientes’?

O caso levanta as dúvidas óbvias: “tem algo errado com a Apple agora?” e “a Apple está perdendo clientes?”. O que existe, por enquanto, é um contencioso jurídico pesado com uma gigante de IA, não um recall de produto ou apagão de serviço. A Apple acusa a OpenAI de roubar segredos para turbinar planos de hardware com IA, e pede liminar que, se concedida, pode atrapalhar o desenvolvimento de dispositivos que a OpenAI estaria preparando.

Rumores citados no mercado falam em hardware de consumo com IA, como um dispositivo portátil com câmeras e sensores, longe de ser “substituto de iPhone”, mas suficientemente ambicioso para mexer com o domínio da Apple em eletrônicos de massa. A Apple, por sua vez, já é vista como atrasada em IA em relação a rivais, apesar da vantagem de Apple Silicon e memória unificada que agrada entusiastas de modelos locais.

Sobre clientes, o processo não traz dado nenhum de queda de base instalada ou migração em massa para concorrentes. Não há sinal, nos documentos citados, de que a Apple esteja “perdendo clientes” por causa dessa disputa com a OpenAI. O impacto, por enquanto, está nos bastidores: reputação, disputa por talento e ritmo de inovação em IA e hardware. A briga real é por controle de tecnologia estratégica, não por fila vazia em loja.

A Apple está processando mais alguém? E o que acontece agora?

Nas peças citadas, o alvo principal é claro: OpenAI, Chang Liu, Tang Tan e a io Products, empresa comprada pela OpenAI e fundada por Tan em parceria com Jony Ive e outros ex-nomes de peso da Apple. Ou seja, a ação não é um tiro isolado em um ex-funcionário qualquer; é um ataque direto a um grupo que hoje está no centro da estratégia de hardware da OpenAI.

A OpenAI, em seu post, classifica o pedido de liminar da Apple como “baseado em informações falsas” e “completamente desnecessário”, porque, segundo a empresa, ela não teria nem desejaria possuir qualquer segredo industrial da Apple. Ao publicar conversas e e-mails em blog público em vez de limitar a resposta às peças no tribunal, a OpenAI tenta jogar o caso no colo da opinião pública — escolha de comunicação arriscada, mas coerente com a estratégia de visibilidade agressiva da empresa.

Juridicamente, estamos só no começo. A liminar é o passo inicial de um processo que, segundo análises do mercado citadas no dossiê, pode durar meses ou anos até decisão ou acordo. Se a liminar sair do jeito que a Apple quer, a pesquisa e os planos de hardware de consumo da OpenAI ficam sob forte pressão. Se o juiz negar, a Apple recebe um recado indigesto sobre como administra o próprio acesso interno. Em qualquer cenário, o post “Apple is getting this wrong” já virou peça central de uma disputa que extrapola o tribunal.