A OpenAI afirma que o ChatGPT já recebe cerca de um quinto do volume de buscas do Google. O número foi dito por Adam Fry, líder de produto de consumo do ChatGPT, num evento da empresa em Nova York na segunda-feira (2), e veio sem a metodologia que permitiria conferi-lo.
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- O que Adam Fry disse no evento da OpenAI em Nova York
- Um quinto do quê: o que a OpenAI conta como busca no ChatGPT
- ChatGPT vs Bing: Microsoft levou mais de uma década para chegar a 3%
- Google responde com IA na busca e admite receita menor
- Anúncios no ChatGPT, crescimento e o que a OpenAI ainda não mostrou
Se a conta estiver certa, o hábito de perguntar ao chatbot em vez de digitar no buscador saiu do nicho e ganhou escala de massa. Isso interessa a quem usa o ChatGPT no dia a dia e, mais ainda, a quem vive de tráfego de busca: sites, lojas e criadores que dependem do clique vindo do Google e do Bing. Mas a comparação mistura duas réguas diferentes, e a OpenAI não respondeu em público às perguntas que separam um dado de uma peça de marketing.
O que Adam Fry disse no evento da OpenAI em Nova York
A declaração saiu numa conversa no palco com o jornalista Alex Kantrowitz, durante um jantar organizado pela própria OpenAI. Fry disse: "O volume de consultas do tipo busca no ChatGPT é hoje aproximadamente um quinto do volume de consultas do Google". A transcrição foi publicada pelo Big Technology, newsletter de Kantrowitz, e repercutida por The Verge e 9to5Google.
O executivo explicou a mudança de uso. No começo, as pessoas iam ao ChatGPT para ajuda com texto e programação, coisas que ninguém "busca". No último ano, passaram a perguntar sobre pessoas, lugares e produtos que exigem informação atualizada, além de dúvidas de finanças e saúde, e nesses casos o assistente faz uma pesquisa na web. "É basicamente qualquer coisa para a qual o usuário teria ido a um buscador tradicional, mas agora decide ir ao ChatGPT", disse.
Fry ainda lembrou que, até pouco tempo atrás, o chatbot respondia que a pergunta estava "depois da minha data de treinamento". Segundo ele, a busca começou "cerca de um ano e meio atrás". A data não bate com o calendário: o ChatGPT Search foi lançado em 31 de outubro de 2024, há dois anos, como registra o 9to5Google.
Um quinto do quê: o que a OpenAI conta como busca no ChatGPT

Para a OpenAI, uma busca é toda consulta do usuário que resulta numa pesquisa na web, segundo o The Verge. Pedir a definição de um termo ou uma explicação simples de como fazer algo fica de fora. Na versão de Fry citada pelo 9to5Google: "Toda vez que você faz uma pergunta e o sistema vai pesquisar na web, isso é uma busca".
O problema está no outro lado da divisão. Fry não revelou de onde tirou o volume de consultas do Google usado na conta, e a parte pública da entrevista não traz o período medido nem o número absoluto de buscas do ChatGPT. Sem essas três informações, o "20%" não pode ser verificado por ninguém de fora.
Há uma segunda dúvida, mais técnica. Uma conversa no ChatGPT tem idas e vindas: o usuário pode mandar 20 mensagens sobre a mesma viagem, e várias delas podem disparar pesquisas na web. Kantrowitz perguntou exatamente isso, se cada mensagem conta como uma busca ou se a conversa inteira vale uma. A resposta de Fry ficou na parte paga da entrevista. O critério muda o resultado: no Google, cada pesquisa digitada é uma consulta, e a OpenAI não explicou se o ChatGPT usa a mesma régua.
| Número declarado pela OpenAI no evento de 2/11 | Valor |
|---|---|
| Volume de buscas do ChatGPT em relação ao Google | cerca de 20% (um quinto) |
| Usuários ativos por semana | de 1 bilhão para 1,2 bilhão em cerca de 60 dias |
| Imagens criadas por semana | 1,5 bilhão |
| Usuários semanais do modo de voz (ditado e conversa) | 250 milhões |
| Fonte do volume do Google, período e número absoluto | não divulgados |
ChatGPT vs Bing: Microsoft levou mais de uma década para chegar a 3%
A comparação que dá peso ao anúncio é com a Microsoft. No julgamento antitruste do Google, em 2023, Satya Nadella disse que o Bing tinha cerca de 3% de participação de mercado depois de mais de uma década de investimento, como recorda o The Verge. Se o "20%" da OpenAI se confirmar, o ChatGPT chegou muito mais rápido a um patamar que o Bing não alcançou em anos, embora sem metodologia aberta a comparação seja frágil.
A ironia é que parte dessa disputa passa pela própria Microsoft. Segundo o The Verge, a OpenAI provavelmente usa o Bing para uma fatia significativa das pesquisas do ChatGPT, ao lado de um índice próprio. O veículo menciona ainda especulações de que algumas consultas seriam encaminhadas ao Google, sem confirmação.
A declaração trata de volume de consultas. Dizer que o ChatGPT "tem 20% do mercado de buscas" vai além do que a OpenAI afirmou.
Google responde com IA na busca e admite receita menor
As matérias publicadas até agora não registram resposta do Google ao número. A empresa já trata o ChatGPT como concorrente sério: na fase de remédios do processo antitruste, descreveu a IA como possível força disruptiva e argumentou que o chatbot da OpenAI poderia competir com ele de verdade, segundo o The Verge.
A resposta prática veio dentro da própria Busca. O Google expandiu os AI Overviews, criou o AI Mode e passou a exibir resultados personalizados com visualizações e gráficos, enquanto reduz os links convencionais para sites de terceiros, de acordo com o The Verge. Em 29 de outubro, a empresa reconheceu enfrentar "monetização menor" com a expansão da IA na Busca, em meio à queda das ações e à chegada de anúncios ao AI Mode, conforme o 9to5Google.
Para quem publica na internet, os dois movimentos apontam para o mesmo lado: menos cliques saindo do buscador para os sites. Cada pergunta respondida dentro do ChatGPT, ou dentro do resumo de IA do Google, é uma visita que pode não acontecer.
Anúncios no ChatGPT, crescimento e o que a OpenAI ainda não mostrou

O número chega num momento conveniente para a OpenAI, que começou a vender publicidade no ChatGPT. Fry disse que "a maioria das pessoas não parece se importar com os anúncios" e que a empresa "poderia estar fazendo isso ainda mais", segundo o 9to5Google, citando o Verge. Um volume de buscas comparável ao do Google é exatamente o argumento que um vendedor de anúncios quer levar aos anunciantes.
No mesmo jantar, o executivo disse que os usuários "adoram" a personalização do assistente e falou da chamada "Intelligent UI", nome que a OpenAI dá às respostas com elementos visuais e interativos dentro do chat. Também falou do plano de unir os modos Chat e Work do ChatGPT e do custo de manter o assistente pessoal Dots. Sobre o ritmo de crescimento, resumiu: "O crescimento é gigantesco".
Nenhuma das fontes traz dado do Brasil, seja de volume de buscas, seja de usuários. O que falta para o "um quinto" deixar de ser uma frase de palco é a OpenAI publicar o critério de contagem e a base de comparação com o Google. Até agora, não há post oficial da empresa sobre o número.




