O último eclipse de 2026 será lunar, tecnicamente parcial, mas com mais de 90% da Lua mergulhada na sombra da Terra e um visual muito próximo de um eclipse total.
Adicione ao Google NotíciasNeste artigo
Sim, o eclipse lunar parcial da noite de 27 para 28 de agosto será visível no Brasil inteiro, do começo ao fim. O disco lunar terá mais de 90% da superfície escurecida, com estimativas que apontam cerca de 96% de cobertura ou magnitude de 0,93, dependendo do método de cálculo. É esse grau de cobertura que dá ao fenômeno a famosa “cara de total”.
Por que um eclipse parcial vai parecer quase total?
O rótulo “parcial” aqui engana um pouco. A diferença para um eclipse total fica presa a uma faixa muito fina da Lua que permanece fora da umbra, ainda iluminada diretamente pelo Sol. Em termos práticos, tanto o índice de cerca de 96% de superfície coberta quanto a magnitude de 0,93 mostram que quase todo o disco lunar entra na sombra mais escura da Terra, com só um filete escapando.
Esses dois números descrevem aspectos diferentes do fenômeno: a porcentagem de 96% se refere à área total da superfície da Lua que ficará escura; já a magnitude próxima de 0,93 leva em conta o quanto dessa área é cortado por uma linha reta no diâmetro lunar. A diferença nasce só da forma de medir, não de alguma mudança real no que aparece no céu.
Mesmo com o escurecimento forte, o evento não entra na categoria de “Lua de Sangue”, que exige eclipse total. Uma borda discreta do disco continua recebendo luz direta do Sol, suficiente para manter a classificação como parcial — ainda que, para quem só der uma olhada rápida, pareça “total demais” para esse carimbo burocrático.
Como será a visibilidade do eclipse no Brasil?
O Brasil entra com vantagem na observação desse eclipse. Em praticamente todas as regiões, a Lua cruza a madrugada em altura grande no céu, o que reduz a interferência de prédios, árvores e montanhas no horizonte. Nas capitais, a elevação fica entre 59 e 85 graus em relação ao solo, com o satélite se aproximando bastante do zênite em parte do país.
Quem estiver nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste verá a Lua quase no topo da abóbada celeste no auge do fenômeno, praticamente sobre a cabeça. No Sudeste e no Sul, a dica prática é direta: mirar para o norte, onde o astro estará alto e simples de localizar durante a fase parcial mais escura.
Essa combinação de trajeto e altura afasta a necessidade de correr para o interior ou para mirantes específicos. Um quintal, uma laje, uma praça ou qualquer ponto com um pedaço de céu aberto serve para acompanhar o avanço da sombra sobre as crateras lunares — e a experiência melhora se for possível se afastar de prédios muito altos grudados no campo de visão.

Que horas será o eclipse e quanto tempo dura?
Considerando o horário de Brasília, o show começa ainda na noite de quinta-feira (27). A fase penumbral discreta, em que a Lua só perde um pouco de brilho, começa às 22h23. A partir das 23h33, o cenário muda: é quando se inicia a fase parcial mais evidente, com a “mordida” da sombra da Terra surgindo nítida no disco.
O ápice está marcado para 1h12 da madrugada de sexta-feira (28), momento em que o escurecimento atinge o máximo e a cobertura passa de 90% da superfície lunar. Nessa hora, a Lua tende a exibir tons escuros que vão do castanho ao vermelho-acobreado, variando conforme o estado da atmosfera terrestre naquele momento.
A fase parcial principal termina por volta das 2h52, restando apenas a penumbra mais suave, que se estende até pouco depois das 4h da manhã. Quem ficar até o fim acompanha praticamente toda a curva clássica de um eclipse total: entrada na sombra, máxima escuridão e saída gradual, só que com uma borda iluminada que não some em nenhum instante.
Por que a Lua fica vermelha e é seguro observar?
A coloração avermelhada da Lua durante o eclipse nasce na atmosfera da Terra. Quando a luz do Sol atravessa as camadas de ar, as ondas azuis são espalhadas em todas as direções; as componentes vermelhas e alaranjadas sofrem um desvio leve e conseguem contornar o planeta, alcançando a superfície lunar mesmo dentro da sombra.
É o mesmo mecanismo que pinta o pôr do sol de vermelho. Fatores como poeira, poluição, fumaça e umidade alteram o brilho que chega até a Lua: ar mais limpo tende a render um tom vermelho-acobreado mais intenso e marcado; atmosfera carregada puxa tudo para um aspecto mais opaco e apagado.
Diferentemente de um eclipse solar, olhar para um eclipse lunar não causa dano aos olhos. Não há necessidade de óculos com filtro especial nem de equipamento caro. Binóculos e pequenos telescópios funcionam como um extra, realçando relevo, crateras e o avanço da linha de sombra.
A poluição luminosa das grandes cidades não impede a observação do fenômeno, embora reduza um pouco o contraste para quem pretende fazer fotos melhores. Para registrar imagens mais caprichadas, vale procurar locais mais escuros; o verdadeiro problema é outro: tempo fechado. Nuvens carregadas, neblina forte ou chuva no horário do ápice continuam sendo o único patch imprevisível capaz de estragar esse “quase total” preparado para o Brasil.




