Vinte e seis ex-funcionários da Meta, dona das redes sociais Facebook, Instagram e WhatsApp, entraram com uma ação judicial na Califórnia acusando a empresa de usar sistemas de inteligência artificial para selecionar desproporcionalmente trabalhadores com deficiência, licença médica ou grávidas para demissões em massa realizadas em maio de 2026.

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Segundo o processo, obtido pela Reuters e reportado por veículos como G1, Forbes Brasil e Olhar Digital, a Meta teria utilizado uma "constelação de sistemas" de IA para avaliar produtividade, uso de ferramentas de IA e indicadores de desempenho dos funcionários, sem considerar adequadamente afastamentos médicos ou limitações decorrentes de condições de saúde.

Entre as ferramentas citadas estão o assistente interno "Metamate", sistemas de monitoramento de teclas digitadas, cliques e histórico de navegação, além de painéis que medem o uso de tokens de IA. Esses dados teriam sido usados para gerar pontuações que impactaram diretamente quem seria demitido.

Os autores da ação alegam que tais práticas violam leis federais e estaduais dos Estados Unidos que proíbem discriminação contra trabalhadores com deficiência e que utilizam licença médica protegida, como a Lei de Licença Familiar e Médica e a Lei de Direitos Familiares da Califórnia. A ação foi protocolada no tribunal federal de Oakland, abrangendo autores de seis estados e do Distrito de Colúmbia.

Em resposta, a Meta negou as acusações, afirmando que as decisões sobre gestão de pessoal foram e continuam sendo tomadas por pessoas, não por inteligência artificial. A empresa não detalhou os processos internos usados para avaliação dos funcionários durante os cortes.

As demissões envolveram cerca de 8 mil funcionários, aproximadamente 10% da força de trabalho global da Meta, que tinha quase 79 mil empregados no fim de 2025. Essa reestruturação faz parte de um esforço para aumentar investimentos em inteligência artificial, com previsão de gastos entre US$ 115 bilhões e US$ 135 bilhões em 2026, focados em infraestrutura, data centers e aquisição de chips, incluindo um acordo bilionário com a AMD.