O Google lançou nesta quinta-feira (5) o Gemini Omni 1.2 Flash, nova versão do seu modelo de vídeo com IA. Cada clipe agora pode ter até 15 segundos, contra 10 na versão anterior, e o preço na API caiu 30%, para US$ 0,07 por segundo em 720p, segundo o anúncio oficial do Google.

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Neste artigo
  1. Gemini Omni Flash: clipes de 15 segundos e edição rodada a rodada
  2. Preço do Gemini Omni Flash: quanto custa um clipe em reais
  3. Gemini Omni é gratuito? Onde o Omni 1.2 Flash já funciona
  4. Da Havaianas à Picsart: quem já usa o Gemini Omni 1.2 Flash
  5. O que o Google ainda não resolveu no Omni 1.2

A mudança chega a públicos diferentes de formas diferentes. Quem tem conta Google pode gerar clipes de 15 segundos no Google Vids sem pagar nada a mais. No app Gemini, a liberação começa pelos assinantes do Google AI Ultra, o plano mais caro da empresa. Desenvolvedores e empresas pagam por segundo de vídeo, em dólar.

O Gemini Omni foi apresentado no Google I/O de 19 de maio como o modelo do Google para gerar e editar vídeo a partir de texto, imagem ou outro vídeo. A versão 1.1 Flash já permitia editar por conversa, mas travava os clipes em 10 segundos. A 1.2 é a primeira a ganhar disponibilidade geral (GA) na Gemini API e no Google Cloud, com contrato de nível de serviço (SLA) e reserva de capacidade para empresas.

Gemini Omni Flash: clipes de 15 segundos e edição rodada a rodada

A duração passa a ser escolhida em passos de um segundo, de 3 a 15 segundos. Na prática, um anúncio curto de rede social ou um explicativo de produto cabe numa única geração. "15 segundos significam uma cena completa de uma vez", disse Shivam Rastogi, vice-presidente de engenharia da invideo, no blog do Google Cloud.

A edição em conversa agora funciona em clipes longos. Dá para pedir, rodada a rodada, a troca do produto ou do fundo, outra iluminação, outro clima, outro ângulo de câmera ou outra proporção de tela, sem gerar o vídeo do zero. Numa demonstração, o Google troca cinco vezes seguidas o fundo de uma cena com dois personagens de armadura, mantendo atuação e enquadramento.

O modelo também aceita mais tipos de referência na mesma geração: imagens de personagem, produto ou estilo, clipes de movimento de até 3 segundos e amostras de áudio. Segundo o Google, rostos, roupas, tipografia de embalagem e cores de marca se mantêm entre ângulos de câmera. Com a foto de uma modelo e de três looks, o exemplo oficial gera uma prova virtual de 15 segundos com giros de 360 graus. As referências de áudio, porém, só funcionam para quem está numa lista de acesso liberada pelo Google, detalhe que aparece numa nota de rodapé do blog do Cloud.

O Google também cita sincronia labial mais precisa, vozes distintas por personagem e movimentos de câmera contínuos, como voos no estilo drone FPV, com menos cortes secos. A demonstração mais vistosa atravessa as portas e a cúpula do Panteão, em Roma, num só plano. Personagens e objetos, diz a empresa, deformam menos do primeiro ao último quadro.

Preço do Gemini Omni Flash: quanto custa um clipe em reais

Exemplo de edição em conversa no Gemini Omni 1.2 Flash: cena original e quatro versões com o fundo trocado por comandos de texto
Divulgação/Google (Imagem: reprodução)

Na API, um clipe de 15 segundos em 720p sai por US$ 1,05. Pelo desconto anunciado, o Omni 1.1 Flash custava cerca de US$ 0,10 por segundo, ou US$ 1,50 por clipe do mesmo tamanho (cálculo do tekimobile a partir dos 30%). O Google Cloud fala em "economia similar" nas outras resoluções, sem detalhar os valores.

Em conversão direta, a cerca de R$ 5,04 por dólar, cada segundo em 720p custa uns R$ 0,35, e o clipe de 15 segundos, uns R$ 5,30. É uma estimativa: não existe preço oficial em reais, a cobrança no Google AI Studio e no Google Cloud é feita em dólar, e a conta não inclui IOF nem impostos.

O próprio Google sugere um fluxo para gastar menos. Primeiro, rascunhos rápidos em 360p ou 720p. Depois, os detalhes são corrigidos com uma edição seguinte, em vez de regerar o clipe inteiro. Só os melhores resultados vão para 1080p ou 4K. "O modo rascunho nos deixa iterar conceitos em minutos e depois renderizar em 4K para dramas de IA prontos para TV", afirmou Narek Hayrapetyan, chefe de produto e parcerias da Picsart.

Arte do Google Cloud para o Gemini Omni 1.2 Flash com quadros de vídeos gerados pelo modelo
Divulgação/Google (Imagem: reprodução)

Gemini Omni é gratuito? Onde o Omni 1.2 Flash já funciona

O Google distribui o modelo por seis portas diferentes, e as condições mudam bastante de uma para outra:

OndePara quemO que o Google confirmou
Google VidsQualquer conta Google ou assinatura WorkspaceClipes de 15 segundos sem custo adicional
FlowQuem usa os apps do GoogleDireção de cenas e edições em várias rodadas
App GeminiAssinantes do Google AI UltraVídeos de 15 segundos, em liberação gradual
Gemini API e Google AI StudioDesenvolvedoresGA, US$ 0,07 por segundo em 720p
Google Cloud (console e API)EmpresasGA, com SLA e Provisioned Throughput
Google Ads (Asset Studio)AnunciantesCampanhas em vídeo, via Asset Studio

No app Gemini, só o Ultra aparece na lista. O Omni original foi anunciado em maio para assinantes dos planos Plus, Pro e Ultra, mas o Google não disse se a versão 1.2 chega ao Plus e ao Pro, nem quando. Na tabela em dólar revisada no I/O, o AI Plus custa US$ 8 por mês, o AI Pro, US$ 20, e o Ultra vai de US$ 100 a US$ 200. O comunicado também não menciona países, e nada confirma se a liberação no app já vale para o Brasil.

No Flow, a situação de quem não paga é nebulosa. "O Google não disse explicitamente se os usuários gratuitos terão acesso a todos os recursos do Omni 1.2 Flash no Flow", observou Karandeep Singh Oberoi, do Android Authority. O texto oficial fala em "dirigir cenas e edições em várias rodadas" para todos, sem citar cotas ou créditos.

Da Havaianas à Picsart: quem já usa o Gemini Omni 1.2 Flash

Adobe Firefly, Figma Weave, Runway, Krea, Picsart, Photoroom e a agência Monks estão entre os parceiros que já usam o Omni 1.2 Flash. Runway e Krea usam o modelo do Google em seus produtos. A Picsart diz que, com a disponibilidade geral, poderá levar o modelo a mais de 100 milhões de criadores; a Photoroom o usa no gerador de anúncios em vídeo a partir de fotos de produto. "A versão 1.2 traz vídeos de 15 segundos, um dos pedidos mais frequentes dos usuários", disse Matt Rouif, CEO da empresa.

Há um caso brasileiro na vitrine. A Porto Rocha, estúdio criativo cofundado por Felipe Rocha, aparece no anúncio com um projeto para a Havaianas. "Com o Omni, conseguimos transformar a imaginação em mundos que dá para explorar de verdade", afirmou Rocha. "A Havaianas sempre carregou esse mesmo senso de alegria e descoberta, levando a criatividade brasileira para gente do mundo todo."

Kevin Larson, diretor criativo da Monks, chamou o Omni de "nosso motor preferido para VFX confiável e geração de vídeo controlável". Do lado da segurança, todo vídeo gerado sai com a marca-d'água invisível SynthID, que permite identificar o conteúdo como sintético. A Resemble AI, empresa especializada em detectar deepfakes, elogiou a consistência dos personagens e a naturalidade da fala "em todas as línguas que testamos".

O que o Google ainda não resolveu no Omni 1.2

A empresa admite limites. Segundo o anúncio, o desenvolvimento continua para melhorar ação esportiva rápida, mudanças rápidas de roteiro e física complexa, justamente as cenas que costumam denunciar um vídeo feito por IA. Nenhuma das fontes traz teste independente comparando o Omni 1.2 com Veo, Sora ou Kling; as comparações publicadas pelo Google são todas contra o próprio Omni 1.1.

Também faltam cotas diárias, créditos do Flow, limites no Vids e o preço do upscale para 1080p e 4K. Para testar sem custo extra, o caminho confirmado hoje é o Google Vids, com clipes de 15 segundos e uma conta Google ou uma assinatura Workspace.