O Google começou a liberar um jeito mais direto de controlar o Discover e o Google News: agora você passa a literalmente “conversar” com o feed e a ajustar o briefing de áudio por tópico, em vez de depender só da telemetria e do botão de “menos matérias como esta”.
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Na prática, o Google está encaixando no Discover uma interface baseada em prompt, em que você escreve, em linguagem natural, quais assuntos e links quer ver com mais ou menos frequência. A empresa afirma que o feed passa a reagir em tempo real a esses comandos, registra as preferências e ainda devolve perguntas de acompanhamento para afinar o que aparece na tela.
Como funciona o novo chat para personalizar o Google Discover?
O ajuste por chat surge ao tocar no botão de três pontos de uma matéria ou em um cartão dedicado que leva à nova interface. A partir dali, você descreve o que quer: mais de determinado tema, menos de outro, ou até tipos específicos de links. Segundo o Google, o Discover passa a “entender, nas suas palavras” os tópicos que importam e reorganiza o feed com base nessas instruções.
Esse ajuste não fica congelado depois do primeiro uso: o Discover altera o que mostra “on the fly” e guarda o histórico de comandos, o que, se operar como a empresa descreve, ajuda a escapar daquele efeito de bolha acidental de ver o mesmo assunto se repetindo por dias só porque houve um único clique. O Google começou a testar essa abordagem no ano passado e agora afirma que o rollout acontece “nos próximos dias”. Ainda não há cronograma detalhado nem recorte de países divulgado.

Para quem já se irritava com o feed — usando apenas bloquear fonte, seguir assunto ou o slider genérico de interesse — a virada é grande: sai o ajuste escondido em telas de configuração dispersas, entra algo mais próximo de conversar com um agente Gemini sobre recomendações, só que embutido diretamente no Discover.
O que muda no briefing de áudio do Google News?
O outro pedaço da atualização atinge o Listen do Google News. O aplicativo já entrega um briefing diário em áudio gerado por IA, mas agora o Google abre mais o painel de controle: você passa a escolher tópicos específicos dentro de macrocategorias como Headlines, Business, Entertainment & lifestyle, Sports e Science & technology, entre outras.
Em cada categoria, dá para cavar mais fundo. No bloco de entretenimento, por exemplo, o Google News permite separar por Artes & Design, Movies, Music, Theater e TV. A seleção define o que entra no seu resumo diário, em vez de depender apenas do algoritmo decidindo o que “é relevante para você”. É um ajuste fino que se encaixa no Listen tab lançado em 2025, que já trazia briefings curtos com playback completo (play, pausa, pular, velocidade) e links explícitos para as matérias originais.
Nesse cenário, a novidade recai menos sobre o volume de IA envolvida e mais sobre controle de grade: o usuário escolhe o cardápio, o resumo automático só organiza. O Google não menciona integração nativa de transcrição desses briefings dentro do app público; os testes com botão de transcript continuam enterrados em código, sem qualquer garantia de chegada a todos os usuários.
O que é o novo botão de ‘Preferred Sources’ para publishers?
O terceiro anúncio mira diretamente nos veículos. O Google passa a oferecer um botão interativo de “Preferred Sources” para embutir nos sites. Quando o leitor clica, a publicação entra na lista de fontes preferidas daquela pessoa e o Google o redireciona de volta para o ponto exato em que ele estava na página do publisher.
Esse selo de preferência vale para pelo menos três superfícies: o carrossel de Top Stories na Busca, os AI Overviews e o chamado AI Mode, a camada mais conversacional de Search baseada em Gemini 3.5 Flash. Em tese, funciona como um pedido explícito do veículo para o leitor: “me priorize quando o Google resumir coisas para você”, sem interromper a navegação do site com pop-up ou onboarding próprio.
É também um gesto político: enquanto o Google enche buscas e feeds de IA, tenta em paralelo sinalizar que ainda existe um canal oficial para o usuário marcar quais fontes considera confiáveis. A reação agora recai sobre os grandes veículos — se vão espalhar mais um botão da empresa em páginas próprias ou tratar essa proposta como mais um elo de dependência na distribuição via Google.
Chegada, limitações e o que ainda falta esclarecer
O Google fala em liberação “nos próximos dias” para a personalização via chat no Discover, mas não detalha países, plataformas ou se o recurso fica preso à conta logada principal de cada usuário — ponto sensível para quem alterna perfis no Android. O ajuste de áudio do Google News também chega sem cronograma global, repetindo um padrão conhecido da empresa: o Listen tab, por exemplo, estreou com foco em EUA e rollout lento para outras regiões.
Outra lacuna relevante: o Google não explica como essas novas preferências se cruzam com o perfil de dados que já monta a partir de buscas, histórico de YouTube, localização e afins. Se o chat do Discover virar só mais uma camada em cima de um modelo que insiste em repetir o mesmo assunto porque houve um único clique, o ganho é limitado. Se o sistema tratar esses comandos como sinal forte, o usuário avançado passa a ter uma forma menos frustrante de treinar o feed.
Enquanto isso, publishers ganham um botão de “Preferida” integrado a Search, AI Overviews e AI Mode, mas continuam sem clareza sobre o peso desse selo no ranking em comparação com sinais tradicionais como histórico de cliques, autoridade e frescor. O detalhe segue ausente do release oficial do Google.




