O Google começou a liberar um jeito mais direto de controlar o Discover e o Google News: agora você passa a literalmente “conversar” com o feed e a ajustar o briefing de áudio por tópico, em vez de depender só da telemetria e do botão de “menos matérias como esta”.

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Neste artigo
  1. Como funciona o novo chat para personalizar o Google Discover?
  2. O que muda no briefing de áudio do Google News?
  3. O que é o novo botão de ‘Preferred Sources’ para publishers?
  4. Chegada, limitações e o que ainda falta esclarecer

Na prática, o Google está encaixando no Discover uma interface baseada em prompt, em que você escreve, em linguagem natural, quais assuntos e links quer ver com mais ou menos frequência. A empresa afirma que o feed passa a reagir em tempo real a esses comandos, registra as preferências e ainda devolve perguntas de acompanhamento para afinar o que aparece na tela.

Como funciona o novo chat para personalizar o Google Discover?

O ajuste por chat surge ao tocar no botão de três pontos de uma matéria ou em um cartão dedicado que leva à nova interface. A partir dali, você descreve o que quer: mais de determinado tema, menos de outro, ou até tipos específicos de links. Segundo o Google, o Discover passa a “entender, nas suas palavras” os tópicos que importam e reorganiza o feed com base nessas instruções.

Esse ajuste não fica congelado depois do primeiro uso: o Discover altera o que mostra “on the fly” e guarda o histórico de comandos, o que, se operar como a empresa descreve, ajuda a escapar daquele efeito de bolha acidental de ver o mesmo assunto se repetindo por dias só porque houve um único clique. O Google começou a testar essa abordagem no ano passado e agora afirma que o rollout acontece “nos próximos dias”. Ainda não há cronograma detalhado nem recorte de países divulgado.

Interface do Google Discover com botão de menu em três pontos para personalização
Nova interface do Discover permite entrar em um modo de prompt para ajustar o feed em tempo real (Imagem: reprodução/9to5google.com)

Para quem já se irritava com o feed — usando apenas bloquear fonte, seguir assunto ou o slider genérico de interesse — a virada é grande: sai o ajuste escondido em telas de configuração dispersas, entra algo mais próximo de conversar com um agente Gemini sobre recomendações, só que embutido diretamente no Discover.

O que muda no briefing de áudio do Google News?

O outro pedaço da atualização atinge o Listen do Google News. O aplicativo já entrega um briefing diário em áudio gerado por IA, mas agora o Google abre mais o painel de controle: você passa a escolher tópicos específicos dentro de macrocategorias como Headlines, Business, Entertainment & lifestyle, Sports e Science & technology, entre outras.

Em cada categoria, dá para cavar mais fundo. No bloco de entretenimento, por exemplo, o Google News permite separar por Artes & Design, Movies, Music, Theater e TV. A seleção define o que entra no seu resumo diário, em vez de depender apenas do algoritmo decidindo o que “é relevante para você”. É um ajuste fino que se encaixa no Listen tab lançado em 2025, que já trazia briefings curtos com playback completo (play, pausa, pular, velocidade) e links explícitos para as matérias originais.

Nesse cenário, a novidade recai menos sobre o volume de IA envolvida e mais sobre controle de grade: o usuário escolhe o cardápio, o resumo automático só organiza. O Google não menciona integração nativa de transcrição desses briefings dentro do app público; os testes com botão de transcript continuam enterrados em código, sem qualquer garantia de chegada a todos os usuários.

O que é o novo botão de ‘Preferred Sources’ para publishers?

O terceiro anúncio mira diretamente nos veículos. O Google passa a oferecer um botão interativo de “Preferred Sources” para embutir nos sites. Quando o leitor clica, a publicação entra na lista de fontes preferidas daquela pessoa e o Google o redireciona de volta para o ponto exato em que ele estava na página do publisher.

Esse selo de preferência vale para pelo menos três superfícies: o carrossel de Top Stories na Busca, os AI Overviews e o chamado AI Mode, a camada mais conversacional de Search baseada em Gemini 3.5 Flash. Em tese, funciona como um pedido explícito do veículo para o leitor: “me priorize quando o Google resumir coisas para você”, sem interromper a navegação do site com pop-up ou onboarding próprio.

É também um gesto político: enquanto o Google enche buscas e feeds de IA, tenta em paralelo sinalizar que ainda existe um canal oficial para o usuário marcar quais fontes considera confiáveis. A reação agora recai sobre os grandes veículos — se vão espalhar mais um botão da empresa em páginas próprias ou tratar essa proposta como mais um elo de dependência na distribuição via Google.

Chegada, limitações e o que ainda falta esclarecer

O Google fala em liberação “nos próximos dias” para a personalização via chat no Discover, mas não detalha países, plataformas ou se o recurso fica preso à conta logada principal de cada usuário — ponto sensível para quem alterna perfis no Android. O ajuste de áudio do Google News também chega sem cronograma global, repetindo um padrão conhecido da empresa: o Listen tab, por exemplo, estreou com foco em EUA e rollout lento para outras regiões.

Outra lacuna relevante: o Google não explica como essas novas preferências se cruzam com o perfil de dados que já monta a partir de buscas, histórico de YouTube, localização e afins. Se o chat do Discover virar só mais uma camada em cima de um modelo que insiste em repetir o mesmo assunto porque houve um único clique, o ganho é limitado. Se o sistema tratar esses comandos como sinal forte, o usuário avançado passa a ter uma forma menos frustrante de treinar o feed.

Enquanto isso, publishers ganham um botão de “Preferida” integrado a Search, AI Overviews e AI Mode, mas continuam sem clareza sobre o peso desse selo no ranking em comparação com sinais tradicionais como histórico de cliques, autoridade e frescor. O detalhe segue ausente do release oficial do Google.