O Google abriu ao público nesta quarta-feira (7) o SynthID Detector, site gratuito que verifica se uma imagem, um vídeo ou um áudio foi gerado por inteligência artificial do Google ou de parceiros como OpenAI, NVIDIA e Kakao. A ferramenta, em synthid.com, funciona no Brasil, mas por enquanto só em inglês.

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Neste artigo
  1. 180 bilhões de imagens e vídeos já levam a marca
  2. Login obrigatório e cota diária
  3. O que o detector não enxerga

O site não é um detector universal de IA. Ele procura uma marca d'água invisível específica, e um resultado "não detectado" não prova que o arquivo é real: conteúdo de geradores que não usam o SynthID simplesmente passa batido.

180 bilhões de imagens e vídeos já levam a marca

O SynthID não tenta adivinhar se uma foto "parece" artificial. A marca é embutida de propósito no momento da geração, nos pixels de imagens e vídeos e nas frequências do áudio, e o detector só confere se esse sinal está lá. Em vídeo e áudio, o site aponta os trechos marcados.

Segundo o Google, mais de 180 bilhões de imagens e vídeos e o equivalente a 240 mil anos de áudio já carregam a marca. Em maio deste ano eram 100 bilhões. Ela é aplicada por ferramentas como Nano Banana, Veo, Lyria, Gemini, Flow e Vids, e pelos parceiros. A Apple entra "em breve", sem data.

"Com o novo SynthID Detector, qualquer pessoa pode verificar facilmente se uma imagem, um vídeo ou um áudio foi feito com IA do Google ou de nossos parceiros", escreveu Pushmeet Kohli, vice-presidente de Ciência e Iniciativas Estratégicas do Google DeepMind.

Login obrigatório e cota diária

Para usar, é preciso entrar com conta Google, Apple ou ChatGPT. Os termos de uso preveem uma cota diária de verificações, cujo número o Google não informa, e proíbem criar contas extras para driblar o limite. O arquivo é processado e apagado logo depois do resultado; o site guarda só uma assinatura digital dele por 24 horas, para controlar a cota.

Cada arquivo pode ter até 100 MB. O detector aceita imagens em formatos como JPG, PNG, WebP, HEIC e GIF, áudio em WAV, MP3, AAC e FLAC, e vídeo em MP4, MOV e WebM, este último ainda marcado como prévia. Texto ficou de fora, embora o portal restrito apresentado no Google I/O de 2025 aceitasse esse formato.

Quem preferia português já tinha uma alternativa: desde novembro de 2025, dá para checar a marca d'água SynthID pelo Gemini, que hoje recebe mais de 1 milhão de consultas por dia somadas às do Search e do Chrome, segundo o Google.

O que o detector não enxerga

O próprio Google lista as limitações no FAQ do site. Conteúdo de IA pode dar "não detectado" se tiver sido criado por um modelo sem SynthID, seja de empresa que não é parceira, seja anterior à adoção da marca, ou se tiver passado por modificações pesadas que degradam o sinal. A empresa admite ainda que, "em casos muito raros", o detector pode acusar marca onde ela não existe, sem divulgar taxas de erro.

Midjourney, Meta e Microsoft não estão na lista de parceiros. As duas últimas usam padrões próprios de identificação. O Google descreve o SynthID como "uma camada importante" de verificação de origem, e não como garantia isolada.

A principal pendência é a Apple: em junho, a empresa anunciou que as imagens do novo Image Playground sairiam com a marca SynthID, mas ela segue listada apenas como parceira "em breve", sem data para o detector começar a reconhecê-las.