A OpenAI lançou nesta segunda-feira (26) o GPT-6.1 Terra, o modelo intermediário da sua linha, com preço na API de US$ 1 por milhão de tokens de entrada e US$ 5 de saída, cerca de metade do que custava o GPT-5.6 Terra. Desde hoje ele está no ChatGPT Work e no Codex para assinantes Plus, Pro, Enterprise e Edu.
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O Terra é o modelo pensado para o trabalho do dia a dia, e por isso a troca afeta dois públicos. Quem assina o ChatGPT ganha um modelo mais capaz que gasta menos da franquia do plano. Para empresas e desenvolvedores brasileiros que pagam a API em dólar, a conta de automações em volume cai bastante: leitura de notas fiscais, preenchimento de formulários, atendimento. Os planos Free e Go ficam de fora.
O que a OpenAI anunciou no GPT-6.1 Terra
A empresa descreve o novo modelo como "rápido e eficiente", capaz de combinar "raciocínio visual detalhado e uso preciso do computador, com escrita mais clara e natural". Os exemplos dados pela própria OpenAI são tarefas de expediente: redigir propostas, interpretar desenhos técnicos, preencher formulários e editar vídeos.
A linha da OpenAI hoje tem quatro classes, da mais barata à mais cara: Luna, Terra, Sol e Astra. Na rodada do GPT-6, em setembro, saíram Astra, Sol e Luna, e o Terra só agora ganha a sua versão 6.1. O GPT-6.1 Sol chegou cerca de quatro semanas antes. Zac Hall, do 9to5Mac, brincou com o nome em inglês do modelo ("Earth"): "Earth is so back".
Na API, o modelo atende pelo nome gpt-6.1-terra e tem janela de contexto de 1,05 milhão de tokens, saída máxima de 128 mil tokens e conhecimento até 1º de junho de 2026, segundo a página do modelo na documentação da OpenAI. No Codex, a janela é de 500 mil tokens, contra 272 mil do GPT-5.6 Terra.
Quanto custa o GPT-6.1 Terra na API

A OpenAI diz que o preço padrão é "50% menor" que o do GPT-5.6 Terra e do GPT-6.1 Sol. A conta exata é um pouco diferente conforme a comparação. Contra o Sol, o Terra custa exatamente metade nos dois sentidos. Contra o Terra anterior, a entrada cai 50%, a entrada em cache cai 75% e a saída, a parte mais cara da tabela, cai 58%, de US$ 12 para US$ 5.
| Modelo (preço por milhão de tokens) | Entrada | Entrada em cache | Saída |
|---|---|---|---|
| GPT-6.1 Terra (novo) | US$ 1,00 | US$ 0,05 | US$ 5,00 |
| GPT-5.6 Terra (anterior) | US$ 2,00 | US$ 0,20 | US$ 12,00 |
| GPT-6.1 Sol | US$ 2,00 | US$ 0,10 | US$ 10,00 |
| GPT-6 Luna | US$ 0,10 | US$ 0,01 | US$ 0,50 |
| Claude Sonnet 5.5 (Anthropic) | US$ 2,00 | — | US$ 10,00 |
Há duas letras miúdas. A escrita em cache custa US$ 1,25 por milhão de tokens com retenção de 30 minutos e US$ 2,50 com retenção de 12 horas. E prompts com mais de 272 mil tokens de entrada pagam o dobro na entrada e 1,5 vez na saída, valendo para a requisição inteira. Quem pretende usar o contexto de 1 milhão de tokens deve fazer essa conta antes.
A comparação com a Anthropic é a mais direta: o site alemão The Decoder chama o Terra de "o concorrente mais próximo da linha Sonnet, pela metade do preço". A OpenAI não divulgou preço em reais. A cobrança na API é feita em dólar.
Desempenho do GPT-6.1 Terra: nota do Astra por uma fração do custo
O principal número da OpenAI vem do Agents' Last Exam, benchmark da própria empresa com tarefas profissionais feitas no computador. Em esforço médio, o Terra marca 57,6%, 15 pontos acima do GPT-5.6 Terra (42,6%), a US$ 0,29 por tarefa contra US$ 0,84. Empata com o GPT-6 Astra, que tira os mesmos 57,6% mas custa US$ 4,82 por tarefa. A OpenAI também diz que o Terra termina as tarefas "mais de três vezes mais rápido" que o Astra e o Sol.
Em esforço máximo, o Terra chega a 60,0%, a US$ 1,01 por tarefa. O Claude Opus 5.5, da Anthropic, continua com a maior nota da tabela, 63,2%, mas custa US$ 8,82 por tarefa, cerca de nove vezes mais. Na prática, o Terra não supera o melhor modelo do mercado. Entrega resultado próximo por uma fração do preço, o que pesa para quem roda milhares de tarefas por mês.
Em programação, o salto sobre a geração anterior é grande. No Terminal-Bench 4.0, o Terra resolve 50,3% das tarefas em esforço máximo, mais que o dobro dos 21,5% do GPT-5.6 Terra. A própria OpenAI faz a ressalva: "Para as tarefas de programação mais complexas, o GPT-6.1 Sol e o GPT-6 Astra continuam sendo a melhor escolha".
A Artificial Analysis, que faz testes independentes, confirma a tendência, com números menores. No Intelligence Index, o Terra em esforço máximo fica 6 pontos acima do GPT-5.6 Terra, a US$ 0,40 por tarefa contra US$ 1,40, e 4 pontos abaixo do Sol. No Coding Agent Index, marca 48, contra 54 do Sol e 31 do Luna.

Os dados de alucinação mudam conforme quem mede. No teste interno da OpenAI, feito com prompts escolhidos para induzir erro, a taxa de respostas erradas em esforço baixo cai de 53,6% para 16,7%, e em esforço máximo chega a 4,3%. No AA-Omniscience, da Artificial Analysis, o Terra chuta uma resposta em 38% das vezes em que não sabe, contra 88% do antecessor. As duas medições são privadas e não dá para compará-las entre si, mas apontam na mesma direção.
GPT-6.1 Terra em teste independente e o selo "Crítico" em cibersegurança
Minutos depois do lançamento, o site Nerdschalk rodou três tarefas no Codex CLI, em esforço médio, três vezes cada. O Terra acertou as 9 execuções, com tempo mediano total de 27,6 segundos, contra 49,7 segundos do Sol (também 9 de 9) e 38,1 segundos do Luna (6 de 9). O próprio site ressalva que a amostra é pequena, as tarefas foram criadas por ele e ficaram de fora uso do computador, edição de vídeo e textos longos.
Um detalhe chama a atenção no anúncio. Mesmo sendo o modelo intermediário, o Terra atinge o limiar "Crítico" de cibersegurança do Preparedness Framework, a escala de risco da OpenAI, e por isso herda as proteções criadas para o GPT-6 Astra. Segundo o system card, a defesa contra injeção indireta de prompt (instruções maliciosas escondidas em páginas e arquivos que o agente lê) sobe de 96,2% para 98,8%.
GPT-6.1 Terra no Brasil: quem tem acesso no ChatGPT e no Codex
"A partir de hoje, o GPT-6.1 Terra está disponível para todos os usuários Plus, Pro, Enterprise e Edu no ChatGPT Work e no Codex", diz a OpenAI. Não há lista de países nem menção específica ao Brasil. Três pontos merecem atenção:
- Free e Go ficam de fora: não aparecem entre os planos contemplados. A página do modelo na API também marca o nível gratuito da API como não suportado.
- ChatGPT Work e Codex, não o chat comum: o anúncio não fala da conversa tradicional do ChatGPT, onde o GPT-6 ainda está sendo liberado aos poucos.
- Business não está na lista: o GPT-6.1 Sol foi liberado também para o plano Business, mas o anúncio do Terra não cita esse plano.
No Codex CLI, o modelo só aparece para seleção a partir da versão 0.159.0. Sobre a franquia, a OpenAI afirma que a mesma cota "cobre mais tarefas" do que com o GPT-5.6 Terra e "substancialmente mais" do que com o Sol ou o Astra, mas não diz quantas mensagens ou tarefas a mais isso representa. A empresa também não informou quando o Terra chega ao chat comum nem aos planos que ficaram de fora.
Os detalhes estão no anúncio oficial da OpenAI e na análise da Artificial Analysis.




