O Instagram anunciou nesta segunda-feira (26) o teste dos Features, formato de vídeo longo e horizontal, com até 90 minutos, publicado direto no app. Segundo o TechCrunch e o TheWrap, o teste começou com criadores no Brasil, antes de chegar aos Estados Unidos.
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- Quem pode postar vídeo de 90 minutos no Instagram
- Clips as Reels: até oito cortes levam ao vídeo completo
- Mosseri era contra vídeo longo no Instagram, e o IGTV explica o receio
- Monetização: Instagram não divide receita, e o YouTube repassa 55%
- Séries, lives e quando o vídeo longo chega a todos no Brasil
A mudança mira podcasters, humoristas e outros criadores que hoje publicam o programa inteiro no YouTube e usam o Instagram só como vitrine de cortes. Para quem assiste, o efeito é ver episódios completos no mesmo feed dos Reels. Para quem publica, a conta ainda não fecha: a Meta não tem plano de dividir a receita de anúncios desses vídeos.
O anúncio veio num vídeo publicado no próprio Instagram por Adam Mosseri, chefe da rede social, e Tessa Lyons, vice-presidente de produto. Os Features aparecem no feed principal e na aba Explorar, e o app de TV do Instagram vai dar prioridade a eles.
Quem pode postar vídeo de 90 minutos no Instagram
O grupo de teste é pequeno. Segundo a porta-voz Megan Buckley, em declaração ao The Verge, os Features chegam a um número limitado de criadores nos EUA, com alguns no Brasil também. O TechCrunch e o TheWrap vão além e dizem que o teste começou no Brasil e agora se estende a criadores selecionados nos EUA ainda em outubro.
Na prática, um brasileiro pode já ter esbarrado num vídeo longo e horizontal no feed sem saber que era um experimento. Publicar é outra história. A Meta não divulgou quantos criadores brasileiros participam, quem são, qual foi o critério de seleção nem se há como pedir acesso. Também não há data para a abertura geral.
Para o resto dos usuários, nada muda por enquanto. O teto de 90 minutos vale só para as contas escolhidas, e o Reels segue com os limites de sempre: até onde se sabe, a câmera do app grava clipes de no máximo 90 segundos, e o upload pela galeria aceita mais, num limite que já mudou mais de uma vez. A empresa diz testar diferentes durações máximas; 90 minutos é o limite mais alto entre elas.
Clips as Reels: até oito cortes levam ao vídeo completo

O formato longo vem acompanhado de um segundo teste, o Clips as Reels, que também estreou no Brasil. O criador recorta trechos do vídeo completo e os publica como Reels; quem assiste ao corte é levado ao episódio inteiro. De acordo com o TheWrap, até oito clipes podem apontar para um mesmo vídeo longo.
É a lógica que podcasters já usam hoje com links para o YouTube, só que sem sair do app. Mosseri resumiu a ideia: "O que o time vem desenvolvendo, e que temos o prazer de mostrar, é uma forma de fazer o vídeo curto e o vídeo longo serem simbióticos".
A outra ponta é a televisão. O espectador pode salvar um Feature no celular para assistir depois no app de TV do Instagram. A empresa também testa usar o celular como controle remoto e uma aba Friends, que mostra o que os amigos estão assistindo. O app de TV estreou na Amazon Fire TV nos EUA em dezembro de 2025, chegou depois ao Google TV e às TVs Samsung e deve ganhar versão para Apple TV ainda este mês. Mosseri admitiu que acertar a experiência na TV "vai levar algum tempo".

Mosseri era contra vídeo longo no Instagram, e o IGTV explica o receio
A virada surpreende por vir de quem vem. "Por muito tempo, fui contra fazer vídeo longo no Instagram", disse Mosseri no vídeo. O argumento dele sempre foi que conteúdo curto como o Reels gera mais compartilhamentos e mensagens diretas entre amigos, e que vídeo longo tiraria tempo dessa troca. Segundo o TechCrunch, foi Tessa Lyons, defensora da mudança, quem o convenceu a tentar de novo.
"Tentar de novo" é literal. O Instagram já apostou em vídeo longo com o IGTV, app separado criado em 2018 e encerrado em 2022. A diferença agora é que o vídeo longo vive dentro do app principal, no mesmo feed em que o usuário já passa o tempo, e não num aplicativo à parte.
Lyons faz questão de dizer que o formato curto continua no centro. "O Reels vai continuar sendo parte essencial do Instagram. Mas quando você quiser se aprofundar nos criadores que ama e no conteúdo que eles fazem, deveria poder fazer isso no Instagram", afirmou no anúncio.
Monetização: Instagram não divide receita, e o YouTube repassa 55%
O ponto fraco da proposta é o dinheiro. O YouTube repassa 55% da receita de anúncios aos criadores do Programa de Parceria e diz ter pago mais de US$ 100 bilhões a criadores, artistas e empresas de mídia em quatro anos. O Instagram não paga por visualização: o criador ganha sobretudo com contratos de marcas, um pouco com assinaturas de fãs e, em escala pequena, com um programa de bônus por desempenho.
Mosseri explicou o motivo sem rodeios no Colin and Samir Show, programa sobre a economia dos criadores. "Hoje, no Instagram, você recebe principalmente de marcas. Algumas pessoas recebem de fãs. Ainda temos um pequeno programa baseado em desempenho, mas gastamos muito mais do que recuperamos, então não faz sentido ampliar, porque estamos só queimando capital", disse.
Questionado pelo TechCrunch, um porta-voz da Meta não fechou a porta: "É cedo para compartilhar um modelo de monetização de longo prazo, mas estamos explorando formas de os criadores ganharem com marcas, fãs e com o Instagram, incluindo incentivos baseados em desempenho". Anúncio dentro dos Features não foi descartado nem confirmado. Para um criador que vive de AdSense, isso pesa mais que qualquer recurso novo: sem repasse, o episódio completo continua rendendo mais no YouTube.
O tamanho do rival ajuda a entender a pressa. Pelo terceiro ano seguido, o YouTube foi o serviço mais assistido na TV dos EUA e, em agosto de 2026, bateu recorde com 15,8% de todo o uso de televisão no país, mais que o dobro da Netflix, segundo a Nielsen.
Séries, lives e quando o vídeo longo chega a todos no Brasil
Os Features fazem parte de um pacote maior. O Instagram testa desde a primavera americana um hub de séries no perfil do criador, para organizar Reels em episódios, com criadores selecionados nos EUA, na Índia e no México, e quer levar o recurso a mais países até o fim do ano. O Brasil não está nessa lista, embora tenha sido o laboratório dos vídeos longos. A rede também prepara mais visibilidade para as transmissões ao vivo, inclusive exibindo lives na aba Reels para quem não segue o criador.
Ficaram sem resposta a data de liberação geral, a chegada ou não de anúncios e detalhes técnicos como resolução máxima, tamanho de arquivo e reprodução em segundo plano. O próximo passo concreto no calendário é o app para Apple TV, previsto para este mês, junto com a ampliação do teste dos Features para criadores americanos.



