O Claude passou a gravar uma marca d'água invisível também no texto de modelos mais antigos, e não há opção para desligar. Segundo a página de ajuda da Anthropic, Claude Mythos 5, Opus 4.7 e Sonnet 4.6 marcam tudo o que escrevem desde 3 de novembro; em 16 de novembro entram Opus 4.6, Opus 4.5, Sonnet 4.5 e Haiku 4.5, de acordo com e-mail enviado a clientes da API e relatado pelo The Decoder e pelo Notebookcheck.
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A mudança vale no Brasil. A marca é aplicada no próprio modelo, então aparece no app, no Claude Code, no Cowork, na API e em qualquer serviço de terceiros que use esses modelos, inclusive via AWS, Google Cloud e Microsoft Foundry. Quem escreve, traduz ou estuda com o Claude entrega agora um texto com um padrão estatístico que só a Anthropic e as organizações autorizadas por ela conseguem ler.
Quando a empresa anunciou a marca d'água em agosto, só saíam marcados os modelos lançados depois de 2 de agosto de 2026. A novidade alcança modelos que muita gente ainda usa: o Sonnet 4.6 e o Opus 4.7 seguem em uso e o Haiku 4.5, barato, é comum em apps de terceiros.
Quais modelos do Claude marcam o texto e desde quando
A tabela oficial já mostra Mythos 5, Opus 4.7 e Sonnet 4.6 com marca de texto; na Amazon Bedrock, a implantação termina até 10 de novembro. Os quatro modelos da segunda leva ainda aparecem sem marca de texto, o que bate com a data informada aos clientes.
| Modelo | Marca no texto desde |
|---|---|
| Fable 5.1, Fable 5, Mythos 5.1, Opus 5.5, Opus 5, Opus 4.8, Sonnet 5.5, Sonnet 5, Haiku 5.5 | Lançamento ou 1º/9 |
| Mythos 5, Opus 4.7, Sonnet 4.6 | 3/11/2026 (Bedrock até 10/11) |
| Opus 4.6, Opus 4.5, Sonnet 4.5, Haiku 4.5 | 16/11/2026 (segundo e-mail a clientes) |
O Opus 4.6 destoa. Ele estava previsto para 3 de novembro e foi empurrado para o dia 16; segundo o The Decoder, a Anthropic confirma o adiamento sem dar motivo. O atraso chamou atenção porque, na avaliação do veículo, o Opus 4.6 segue como o melhor modelo de escrita da empresa, à frente até do Opus 5.5.
Por que não dá para desligar a marca d'água do Claude

A origem é europeia. O Artigo 50 da Lei de IA da União Europeia, em vigor desde 2 de agosto, exige que conteúdo gerado por IA seja marcado de forma legível por máquina, e a Anthropic assinou em julho o código de prática do setor, com cerca de 190 signatários. Para sistemas que já estavam no mercado, a Comissão Europeia dá prazo até 2 de dezembro, e a multa, segundo a FAQ da Comissão, pode chegar a 15 milhões de euros ou 3% do faturamento global. Daí a pressa com os modelos antigos.
A obrigação é da UE, mas a marca vale para todo mundo. "Estamos aplicando a marca globalmente no lançamento porque ainda não temos uma forma durável de limitá-la por região", escreveu a Anthropic no explicador oficial. Nem a página de ajuda nem a documentação para desenvolvedores descrevem como desativar, e o The Decoder e o Notebookcheck afirmam que o cliente não pode desligar a marca. O Brasil não tem obrigação equivalente; o usuário daqui herda a regra europeia.
No e-mail aos clientes, a empresa afirma que a marca "não contém informação sobre o usuário, sua organização ou suas conversas com o Claude". Diz também que nada muda no preço, no formato das respostas ou na qualidade, que o impacto na velocidade é desprezível e que quem usa a API não precisa alterar código.

Como funciona a marca d'água do Claude e quando ela some
A técnica é uma variante do SynthID-Text, do Google DeepMind, descrito na Nature em 2024. Quando várias palavras caberiam igualmente bem, o modelo usa uma chave secreta e as palavras anteriores para escolher, em vez de um sorteio comum. Para quem lê, parece aleatório; quem tem a chave enxerga o padrão. "Nada é adicionado ao texto e não há caracteres ocultos", diz a Anthropic.
Por depender de escolhas, a marca é mais densa em texto longo e livre. Trechos factuais e código ficam com marca rala (depois de "2 + 2 =" só cabe "4"), mas comentários de código podem carregá-la. Revisão só de gramática dificilmente marca o texto; tradução feita pelo Claude marca, porque todas as palavras foram escolhidas por ele. Edição leve provavelmente não apaga o sinal, e uma reescrita completa apaga, caso em que, segundo a empresa, "é discutível se o texto ainda pode ser descrito como gerado por IA".
Há uma brecha na API. Nos modelos 4.6, a marca só é confiável com temperature, top_p e top_k no valor padrão. "Se você depende da marca d'água para sua própria conformidade, mantenha essas configurações nos valores padrão", orienta o e-mail. Segundo o The Decoder, a restrição vale para os quatro modelos da segunda leva. Os apps do Claude não oferecem esses controles.
Como verificar a marca d'água: quem consegue checar um texto do Claude
Hoje, ninguém do público. A API de detecção de texto está em prévia privada, liberada por formulário a reguladores, polícia, imprensa, checadores, pesquisadores, instituições de ensino e sociedade civil da UE, além de empresas que precisam cumprir a lei. A Anthropic planeja ampliar o acesso "ao longo do tempo", sem data.
A ferramenta gratuita que existe, o Claude Content Checker, lê apenas arquivos: imagens PNG, JPEG e SVG criadas pelo Claude levam Content Credentials (padrão C2PA) nos metadados, que podem ser removidos, como explica a página de ajuda da Anthropic. Texto colado ali não é verificado. Detectores populares, como o Pangram, também não leem a marca: segundo a Anthropic, eles procuram cacoetes de estilo.
Mesmo quem tem acesso recebe só um indício. A página de ajuda define a marca detectada como "um sinal de que o conteúdo foi processado pelo Claude, mas não é totalmente conclusivo": a pessoa pode ter usado o modelo só para traduzir ou resumir. A ausência de marca também não prova autoria humana, e a Anthropic não publicou taxa de acerto nem de falso positivo.
ChatGPT e Grok também marcam, mas com regras mais brandas
A OpenAI anunciou em 5 de outubro o textGrain, ligado por padrão só no ChatGPT e no Codex na União Europeia; na API, vem desligado. O Google usa o SynthID-Text no Gemini. A xAI liga a marca na API do Grok neste 7 de novembro, com opção para administradores desligarem. Cada empresa usa a própria chave: o detector do Google não lê a marca do Claude.
Há críticos. O blogueiro John Gruber, segundo o The Decoder, argumenta que escolher palavras por chave, e não por adequação, degrada a precisão; a Anthropic discorda, e nenhum lado apresentou dado independente. Em agosto, segundo o AI Chat Daily, um desenvolvedor publicou em cerca de quatro horas um removedor que reescreve o texto com outro modelo, mas nenhuma dessas ferramentas foi validada contra o detector oficial.
Na prática, quem usa o Claude num trabalho com regra de "sem IA" deve contar que rascunho e tradução saem marcados, enquanto revisão gramatical quase não deixa rastro. A próxima etapa é 16 de novembro; o prazo europeu para todo o setor termina em 2 de dezembro.




