A Perplexity liberou nesta quinta-feira (5) os Teammates, agentes de IA que recebem uma função fixa, trabalham em segundo plano 24 horas por dia e conversam com colegas pelo Slack. O recurso está em fase de testes e, segundo a central de ajuda da Perplexity, só funciona para assinantes individuais do plano Max, que custa US$ 200 por mês (cerca de R$ 1 mil em conversão direta), e apenas na versão web.

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Neste artigo
  1. Como os Teammates trabalham: thread fixa, computador próprio e vários agentes em paralelo
  2. Engenheiro de plantão, gestor de anúncios e QA: os papéis que a Perplexity mostra
  3. Perplexity Teammates é gratuito? Custa US$ 200 por mês e gasta créditos
  4. Segurança dos agentes: permissões no Slack e no GitHub ficam com o usuário
  5. Teammates contra Claude Cowork e ChatGPT Work, e o que ainda não tem data

Para o público brasileiro, o recado principal é quem fica de fora. Muita gente chegou à Perplexity pelo Pro gratuito de um ano oferecido pela Vivo, e esse plano não abre os Teammates: a empresa diz com todas as letras que a prévia é para o Max, "não para o Pro". Free, Enterprise Pro e Enterprise Max também ficam sem acesso por padrão.

Os Teammates são a evolução do Perplexity Computer, o agente que a empresa lançou em fevereiro de 2026, e rodam sobre a mesma infraestrutura. Projetos, skills e memória criados no Computer passam para o novo agente. A diferença está na postura: o Computer executa uma tarefa quando recebe o pedido, enquanto o Teammate assume uma responsabilidade contínua e age quando algo acontece, sem esperar o próximo prompt. "Teammates are AI agents that own ongoing work" ("Teammates são agentes de IA que assumem trabalho contínuo"), resume a documentação oficial.

Como os Teammates trabalham: thread fixa, computador próprio e vários agentes em paralelo

Cada Teammate ganha um nome, um papel e uma única conversa permanente na barra lateral, ao lado dos projetos e do histórico. Essa thread nunca fecha. Nela o usuário lê o que o agente está fazendo, o que terminou e quando, pede um status ou muda o plano em linguagem natural, como faria com um colega.

Por trás, cada agente roda em um computador e um navegador próprios na nuvem, com sessão e cookies isolados. Isso permite usar sites que não têm integração oficial e até testar um site do começo ao fim. O dono pode acompanhar a área de trabalho do agente e assumir o controle quando quiser.

Em projetos grandes, o Teammate vira gerente. A Perplexity descreve o fluxo assim: ele quebra a meta em tarefas, identifica o que pode correr em paralelo, abre agentes adicionais (cada um com o seu computador), reúne e confere os resultados e devolve o trabalho pronto para revisão, seja um relatório, um pull request ou uma mudança de configuração. Depois da entrega, pode continuar monitorando e fazer ajustes.

O gatilho vem das automações. Um agente pode ter agenda ("toda segunda-feira") ou disparar quando chega uma mensagem nova, e observa as ferramentas conectadas, como Slack, GitHub e Linear. Dá para marcá-lo como app nos canais do Slack, onde ele responde, recebe tarefas de colegas e cobra pessoas. O modelo de linguagem é escolhido por agente: o padrão é o Claude Opus 5.5, da Anthropic, e os agentes que um Teammate abre herdam esse modelo, a não ser que o usuário indique outro. A própria empresa sugere um modelo mais forte para planejar e outro mais barato para o trabalho de rotina.

Engenheiro de plantão, gestor de anúncios e QA: os papéis que a Perplexity mostra

Arte oficial do caso de uso 'engenheiro de plantão' dos Perplexity Teammates, com monitor exibindo código e profissional reclinado de fones
Divulgação/Perplexity (Imagem: reprodução)

O exemplo que abre a página do produto é um engenheiro de plantão. O usuário escreve: "Take my on-call shift tonight. When an alert fires, pull the logs and traces, find the root cause, and put up a PR with the fix and a rollback plan… Only page me if a fix needs approval or you can't isolate the cause within 15 minutes." Em português: assuma meu plantão, ache a causa de cada alerta, abra um PR com a correção e um plano de reversão, e só me acione se a correção precisar de aprovação ou se a causa não aparecer em 15 minutos.

Na demonstração, o agente se conecta aos monitores do Datadog, lê os últimos 20 PRs integrados para copiar o estilo e, às 11h42, identifica erros 502 numa API de cobrança depois de um deploy, com a causa na configuração. O PR fica parado esperando o aval humano. A Perplexity insiste nesse ponto: as decisões ficam com as pessoas, e as críticas são notificadas ao usuário.

Os outros papéis exibidos são um gestor de anúncios, uma assistente de pesquisa jurídica que compara um contrato com os termos padrão e devolve as alterações sugeridas, um gerente de loja e um agente de QA. Teammates do mesmo projeto compartilham contexto e trocam mensagens, então um agente de desenvolvimento pode passar a correção para o de QA testar no desktop e no celular. Na prática, o produto mira equipes de software e marketing, não o usuário que quer resumir notícias.

Perplexity Teammates é gratuito? Custa US$ 200 por mês e gasta créditos

O Max sai por US$ 200 mensais ou US$ 2.000 no plano anual, o equivalente a cerca de US$ 167 por mês. A Perplexity não divulga preço oficial em reais para o plano; na conversão direta, a mensalidade passa de R$ 1 mil, e a compra no cartão internacional ainda soma IOF. O Pro, que dá acesso ao Perplexity comum, custa US$ 20 e não inclui os agentes.

Há uma pegadinha que parte da cobertura deixou passar. Os Teammates não exigem assinatura extra além do Max, mas não são ilimitados: consomem a cota mensal de créditos do plano. Segundo a central de ajuda, projetos complexos gastam mais, principalmente com agentes em paralelo, arquivos ou bases de código grandes e automações frequentes. O consumo aparece na página Usage da conta, onde também dá para comprar créditos e ligar a recarga automática. A empresa não informa quantos créditos um Teammate gasta por tarefa, o que torna difícil estimar o custo real de manter um agente de plantão o mês inteiro.

Segurança dos agentes: permissões no Slack e no GitHub ficam com o usuário

Arte oficial do caso de uso gestor de anúncios dos Perplexity Teammates: profissional organiza garrafas coloridas sobre mesa de madeira ao lado de quadro com fotos de produto
Divulgação/Perplexity (Imagem: reprodução)

Um agente que lê canais, abre PRs e manda mensagens em nome de alguém precisa de acesso amplo. A Perplexity diz que os Teammates usam os plugins e skills já instalados pelo usuário, com as mesmas permissões, e que as credenciais salvas ficam criptografadas: "Teammates cannot view them" ("os Teammates não conseguem vê-las"). A conversa de cada agente é visível só ao dono; quando compartilhada, os outros apenas leem.

O site americano TechRepublic faz a ressalva que falta no anúncio: a Perplexity descreveu como funcionam permissões e supervisão, mas o lançamento "não estabelece com que confiabilidade cada salvaguarda funciona em uso real". Nenhum teste independente foi publicado até agora. Para quem for testar, a própria documentação aponta os cuidados:

  • no GitHub, liberar só os repositórios de que o agente precisa;
  • revisar as permissões pedidas antes de aprovar a conexão do Slack;
  • definir no papel do agente quando ele deve acionar uma pessoa;
  • acompanhar o gasto de créditos na página Usage nas primeiras semanas.

Teammates contra Claude Cowork e ChatGPT Work, e o que ainda não tem data

A Perplexity entra num terreno disputado. A Anthropic tem o Claude Cowork e o Claude Duet, e a OpenAI oferece o ChatGPT Work, todos voltados a tarefas que se estendem no tempo. O diferencial que a Perplexity vende é o agente que trabalha por automação, com computador isolado e orquestração de outros agentes, usando inclusive modelos dos concorrentes, como o próprio Claude.

Ficam pendências. Os apps de iOS, Android e o aplicativo de desktop vão receber os Teammates "em breve", sem data. As contas Enterprise dependem de liberação do administrador. E nenhuma fonte diz como o agente se sai com instruções em português: todos os exemplos oficiais estão em inglês. A central de ajuda avisa ainda que o recurso "está em desenvolvimento" e que o comportamento pode mudar durante a prévia.