A Meta passou a usar sistemas de IA para filtrar interações suspeitas no WhatsApp e no Messenger, disparando alertas em tempo real sobre possíveis golpes antes de a vítima entregar dados ou acesso ao celular.

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Neste artigo
  1. O que muda no WhatsApp com a triagem por IA contra golpes?
  2. Como funciona a detecção de golpes por IA no Messenger?
  3. Que outros usos de IA a Meta está colocando contra golpes?

Na prática, a Meta incluiu avisos em sessões de compartilhamento de tela e em pedidos de vinculação de dispositivo no WhatsApp, além de um fluxo opcional de revisão por IA no Messenger que analisa mensagens recentes marcadas como potencial golpe. Segundo a empresa, esses recursos já estão em fase de liberação e vêm ligados por padrão, com foco declarado em usuários considerados mais vulneráveis, como idosos e pessoas com menos familiaridade com apps de mensagem.

O que muda no WhatsApp com a triagem por IA contra golpes?

No WhatsApp, a Meta mira dois vetores de golpe que se espalharam nos últimos anos: clonagem de conta por QR code/código de vínculo e roubo de dados sensíveis em sessões de compartilhamento de tela durante videochamadas.

Em um dos lados, o app passa a exibir um aviso de vinculação suspeita de dispositivo. A Meta descreve que criminosos pressionam a vítima a informar o número de telefone, o código de vinculação recebido no WhatsApp ou a escanear um QR code sob um falso atendimento, um suporte técnico improvisado ou uma oferta urgente. Com base em "sinais comportamentais" que indicam que aquele pedido de vínculo é típico de golpe, o WhatsApp agora mostra um alerta na tela, identifica a origem da solicitação e avisa que aquilo pode ser uma tentativa de fraude, recomendando que o usuário pense duas vezes antes de autorizar o acesso.

No outro lado, entra em cena o aviso em compartilhamento de tela durante chamadas de vídeo com desconhecidos. A Meta afirma que, quando o usuário tentar compartilhar a tela com alguém que não está salvo na lista de contatos, o WhatsApp exibirá um pop-up destacando o risco de exposição de senhas de uso único, dados bancários e outras informações sensíveis, alvos preferenciais de golpistas.

Tela do WhatsApp exibindo aviso ao tentar compartilhar a tela com desconhecido
Novo aviso no WhatsApp alerta sobre riscos ao compartilhar a tela com estranhos durante chamadas de vídeo (Imagem: reprodução/indianexpress.com)

Essa função se soma a uma proteção já existente no app contra convites duvidosos de desconhecidos em grupos, criando uma barreira extra antes de a tela inteira do aparelho ser exibida para estranhos.

Essas mudanças atingem diretamente um tipo de golpe recorrente no Brasil: o golpista se apresenta como suporte bancário, funcionário de empresa, técnico de operadora ou parente em apuros, leva a vítima para uma chamada e, a partir dali, tenta arrancar acesso remoto ao aparelho, códigos de autenticação em duas etapas, tokens de banco ou senhas temporárias enviadas por SMS.

Como funciona a detecção de golpes por IA no Messenger?

No Messenger, a Meta está testando um modelo de proteção em duas camadas. A primeira roda no próprio dispositivo: um sistema de análise comportamental tenta identificar mensagens suspeitas vindas de contas desconhecidas, olhando para padrões típicos de golpe — como ofertas de emprego estranhas, propostas financeiras agressivas, pedidos de adiantamento de dinheiro ou roteiros já mapeados de engenharia social.

Quando essa camada local marca uma conversa como potencialmente perigosa, o app exibe um aviso e oferece a opção de o usuário compartilhar trechos recentes do chat com um serviço de IA em nuvem para revisão de golpe. A empresa enfatiza que essa etapa depende de consentimento explícito: o envio das mensagens para análise quebra, naquele conteúdo específico, a lógica de cifragem de ponta a ponta, porque a IA precisa ler o texto para interpretar o contexto da conversa.

Depois da análise, o sistema de IA apresenta uma explicação de por que aquela interação foi classificada como de risco, lista golpes parecidos já catalogados e sugere ações objetivas, como bloquear ou denunciar a conta envolvida. Segundo a Meta, essa abordagem foi desenhada pensando em perfis mais vulneráveis, que costumam cair em armadilhas como serviços falsos de reforma residencial, sites fraudulentos de perdão de dívidas de governo ou golpistas que se passam por atendimento de companhias aéreas, bancos e outras empresas conhecidas, usando logos copiados e scripts de conversa prontos.

A Meta também diz ter usado IA para remover mais de 21 mil páginas no Facebook que se apresentavam como suporte oficial sem autorização, copiando linguagem, imagens e logotipos de canais legítimos. A empresa afirma que a mesma classe de técnicas agora ajuda a detectar esses golpes mais cedo, inclusive quando surgem primeiro em mensagens diretas, antes de virarem páginas públicas, anúncios ou campanhas de spam em massa.

Que outros usos de IA a Meta está colocando contra golpes?

Para além de WhatsApp e Messenger, a Meta expande sistemas de IA para detectar impersonação de celebridades, figuras públicas e marcas. Segundo a empresa, os modelos cruzam sinais como texto, imagens usadas em posts, bios enganosas, URLs associados e conexões suspeitas com perfis públicos para identificar fanpages e anúncios que exploram rostos famosos ou logotipos de empresas em esquemas de investimento e cripto sem autorização dos donos da imagem.

A mesma infraestrutura abastece um filtro de links enganosos e domínios que imitam sites legítimos. De acordo com a Meta, a IA analisa o destino de URLs com mais contexto e reconhece páginas que copiam visual e layout de bancos, e-commerces e serviços variados, mudando letras e detalhes mínimos no endereço, com a meta declarada de proteger "milhares de marcas" contra esse tipo de fraude digital que se apoia em clones quase perfeitos de sites conhecidos.

No back-end, a empresa alega ter removido, apenas em 2025, mais de 159 milhões de anúncios de golpe globalmente, 92% deles derrubados antes de qualquer denúncia de usuário, e diz ter desativado 10,9 milhões de contas em Facebook e Instagram ligadas a centros criminosos de scam espalhados por diferentes países. Em uma operação recente com forças de segurança internacionais no Sudeste Asiático, investigadores da Meta teriam desabilitado mais de 150 mil contas atreladas a redes de golpe que iam de "prisões digitais" falsas por vídeo a promoções de investimentos cripto fraudulentos tocadas por quadrilhas que exploram vítimas e também trabalhadores em regime de semiescravidão.

Na camada de anunciantes, a empresa está ampliando o processo de verificação de anunciantes e afirma que pretende chegar ao fim de 2026 com 90% da receita de anúncios vindo de contas verificadas, contra 70% hoje. A lógica é reduzir o espaço para que golpistas comprem mídia em massa se passando por empresas legítimas, usando nomes parecidos e sites clones. No front de educação, a Meta cita campanhas como a "Scams se Bacho", feita em parceria com órgãos de segurança indianos para ensinar usuários a reconhecer golpes em canais oficiais, anúncios e mensagens privadas — um recorte de atuação que se soma às ações técnicas e que já aparece em materiais públicos sobre segurança digital da companhia.