O preço que as fabricantes cobram das montadoras por um SSD TLC de 256 GB saltou de cerca de US$ 33,30 no terceiro trimestre de 2025 para US$ 134,20 no mesmo período de 2026, alta de 303% em doze meses, segundo levantamento publicado neste domingo (25) pelo Notebookcheck. E a curva não parou: a consultoria TrendForce prevê mais 15% a 20% nos contratos de memória NAND até dezembro.

Adicione ao Google Notícias
Neste artigo
  1. De US$ 33 para US$ 134: o que mede o salto de 303%
  2. Preço do SSD de 1 TB no varejo chega a quatro vezes a mínima
  3. Por que o SSD aumentou de preço: data centers de IA compram a NAND
  4. Preço do SSD vai subir mais: TrendForce prevê 15% a 20% até dezembro
  5. Quando o preço do SSD vai baixar: alívio só a partir do fim de 2027

O número é de preço de contrato, o valor negociado entre a fabricante de memória e a montadora, e não o da prateleira. Mas é dele que sai o custo de SSDs avulsos, notebooks, PCs montados, consoles e celulares com mais armazenamento. Com a Black Friday marcada para 27 de novembro, nenhum dos sinais do mercado aponta para queda de preço nos próximos meses.

De US$ 33 para US$ 134: o que mede o salto de 303%

A conta fecha: US$ 134,20 divididos por US$ 33,30 dão 4,03 vezes o valor de um ano atrás. No último trimestre, foram cerca de 20%. No SSD de 512 GB, o contrato foi de aproximadamente US$ 62,40 para US$ 252 no mesmo intervalo. Em conversão direta e sem impostos, a R$ 5,20 (o dólar projetado pelo boletim Focus para o fim de 2026), o drive de 256 GB passou de cerca de R$ 173 para R$ 698 no atacado; o de 512 GB, de R$ 324 para R$ 1.310.

O próprio Notebookcheck avisa no corpo do texto: "These figures refer to contract prices rather than retail prices" (os números se referem a preços de contrato, não de varejo). Não é o aumento do SSD na loja.

Há uma segunda ressalva, e ela pesa. O Notebookcheck não é a origem do dado: ele cita o site Tech Insider, que atribui os valores a "um rastreador de preços de contrato do setor" sem dizer qual. A TrendForce, referência mais citada em preço de memória, não aparece como autora desse número. Vale como ordem de grandeza.

Preço do SSD de 1 TB no varejo chega a quatro vezes a mínima

Cinco SSDs NVMe M.2 de marcas diferentes (Crucial, WD_Black e Lexar) lado a lado sobre fundo azul-claro
Reprodução/HWBusters (Imagem: reprodução)

Na loja, a alta é menor que no contrato, mas é grande. Nos Estados Unidos, o SSD NVMe PCIe 4.0 de 1 TB mais barato encontrado por um rastreador de mercado em 11 de outubro custava cerca de US$ 144 (uns R$ 749 em conversão direta). O Samsung 990 Evo Plus de 1 TB aparecia por volta de US$ 237, segundo o Notebookcheck, contra uma mínima anterior de US$ 59. Drives de 2 TB para o consumidor oscilam entre US$ 160 e US$ 250, de 75% a 150% acima de 2025, de acordo com um relatório citado pelo Tech Insider.

ItemAntesDepoisVariação
Contrato SSD TLC 256 GBUS$ 33,30 (3º tri/2025)US$ 134,20 (3º tri/2026)+303%
Contrato SSD 512 GBUS$ 62,40 (3º tri/2025)US$ 252 (3º tri/2026)cerca de 4x
Samsung 990 Evo Plus 1 TB (varejo EUA)US$ 59 (mínima anterior)~US$ 237 (out/2026)cerca de 4x
WD_Black SN8100 1 TB, PCIe 5.0 (varejo EUA)US$ 139,99 (dez/2025)US$ 319,99 (jan/2026)+129%
Samsung 990 Pro 1 TB (varejo EUA)US$ 144,99US$ 199,99 (jan/2026)+38%

Para o Brasil, as fontes desta reportagem não trazem levantamento equivalente de preço em loja. Como o Brasil importa o armazenamento que consome, a alta em dólar chega somada a imposto de importação e margem de distribuidor.

SSD NVMe M.2 Kioxia Exceria Plus G4
Reprodução/Club386 (Imagem: reprodução)

Por que o SSD aumentou de preço: data centers de IA compram a NAND

NAND é o chip de memória flash em que SSDs, pendrives e celulares guardam os dados. A demanda disparou com os data centers de inteligência artificial, que compram SSDs corporativos QLC de alta capacidade e usam armazenamento para o KV cache, a memória de contexto das conversas que acelera as respostas dos modelos. A TrendForce espera que a demanda por SSD empresarial, medida em capacidade, cresça mais de 80% em 2026. Só a plataforma Rubin, da Nvidia, pode consumir mais de 115 milhões de TB de NAND até 2027, segundo estimativas citadas pelo HWBusters.

A oferta encolheu antes. Na fase de preços baixos de 2022 e 2023, as fabricantes desligaram linhas: a SanDisk aposentou cerca de 560 mil wafers por mês e opera hoje com capacidade de NAND cerca de 30% abaixo do pico de 2022, segundo o Notebookcheck. Samsung e SK hynix ainda deslocam recursos para DRAM e HBM, as memórias dos servidores de IA. Por isso RAM e SSD encarecem juntos notebooks e PCs.

O efeito aparece nas carteiras de pedidos. A SK hynix, segundo relatos do setor, já alocou toda a produção de NAND até o fim de 2026; a Micron tem mais de 75% do volume esperado para o ano fiscal de 2027 comprometido. Em janeiro, em Seul, Shunsuke Nakato, diretor-gerente da divisão de memória da Kioxia, disse que "a produção deste ano já está vendida" e que ampliar a fabricação no curto prazo é "fisicamente impossível", porque fábrica nova leva anos. Ele também disse: "Os dias de SSDs de 1 TB baratos, por cerca de 7.000 ienes (US$ 45), acabaram", segundo o Digital Daily, reproduzido pelo Club386.

Preço do SSD vai subir mais: TrendForce prevê 15% a 20% até dezembro

A sequência trimestral mostra um mercado que subiu o ano inteiro, em ritmos diferentes. Pelas previsões da TrendForce compiladas pelo Tech Insider, os contratos de NAND subiram 55% a 60% no primeiro trimestre, 70% a 75% no segundo e 10% a 15% no terceiro. A freada do meio do ano, segundo a consultoria, veio de clientes mais reticentes em comprar; a oferta continuou apertada. Para o quarto trimestre, a previsão volta a acelerar, para 15% a 20% sobre o trimestre anterior, puxada pelo SSD corporativo. Para esse segmento, Notebookcheck e Tech Insider falam em 23% a 28%, faixa que não aparece nas demais fontes consultadas.

Na prática, o preço sobe mais devagar em alguns trimestres, mas nenhuma previsão para 2026 aponta queda. A Black Friday de 27 de novembro cai no meio de um trimestre de reaceleração, com o custo das fabricantes ainda em alta. Promoção pode aparecer, mas a volta aos preços de 2025 não.

Quando o preço do SSD vai baixar: alívio só a partir do fim de 2027

A nova capacidade de SK hynix e Micron só deve aumentar a oferta de forma relevante entre meados e o fim de 2027, segundo o Notebookcheck. A Kioxia aposta na fábrica de Kitakami, no Japão. Há leituras mais pessimistas: o CEO da Phison, fabricante de controladoras de SSD, já falou em escassez de NAND que pode durar até uma década.

Para quem precisa comprar agora, a margem de manobra está no tipo de SSD. Modelos SATA e NVMe PCIe 3.0 custam menos, e a diferença entre um PCIe 4.0 e um 5.0 pesa pouco no uso doméstico; o SN8100, um PCIe 5.0, subiu 129%. Escolher a capacidade que de fato será usada, em vez de 2 TB por garantia, pesa mais hoje do que há um ano.

Os próximos sinais chegam nesta semana: a SK hynix divulga resultados em 28 de outubro, a SanDisk em 29 e a Kioxia em 30. O que as três disserem sobre os contratos de 2027 vai mostrar se os 303% foram o pico ou só mais um degrau.