O Starship alcançou a órbita nesta segunda-feira (28) no seu voo 14 e, pela primeira vez, levou carga real em vez de uma simulada: o estágio superior liberou os 26 primeiros satélites Starlink V3, a geração que vai sustentar as conexões de gigabit da rede. A SpaceX afirma ter feito contato com todos os 26 depois da separação.

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Neste artigo
  1. Por que o Falcon 9 não dava conta
  2. O teste que ainda estava por vir
  3. O que vem depois da capacidade

Para quem usa Starlink, o efeito direto é de capacidade. Cada satélite V3 acrescenta 1 Tbps — dez vezes o que entrega um V2 — e só este primeiro lote amplia a capacidade da rede em cerca de 3%. Assinantes empresariais com as antenas Performance Gen 3 podem começar a usar os novos satélites em algumas semanas.

Por que o Falcon 9 não dava conta

O V3 é grande: duas toneladas por unidade e, com os painéis abertos, tamanho comparável a um Boeing 737. É por isso que a nova geração ficou presa ao Starship — o Falcon 9, que sustentou a constelação atual de cerca de 11 mil satélites, nunca conseguiria lançá-los em quantidade útil. Elon Musk afirma que a constelação V3 completa vai entregar mais de 100 vezes a banda da rede de hoje.

Os voos anteriores ficaram no caminho: em julho, o voo 13 soltou 20 satélites V3 em trajetória suborbital, e eles queimaram na atmosfera cerca de 20 minutos depois. Esta missão é a primeira planejada para durar horas, com várias órbitas a cerca de 275 km de altitude.

O teste que ainda estava por vir

Depois de liberar a carga, o Ship 41 tinha de fazer a queima de desaceleração com um único motor Raptor e tentar uma reentrada controlada, com queda no Pacífico a oeste do Chile — segundo a SpaceX, após três horas em órbita. O propulsor 21 ficou encarregado da queima de retorno, feita sobre um ponto no mar do Golfo.

Três dos satélites carregam câmeras voltadas para o escudo térmico do Starship, enviando imagens para os engenheiros. É um passo na direção do objetivo seguinte: trazer o estágio superior de volta ao local de lançamento. Se as metas deste voo forem cumpridas, a SpaceX planeja tentar capturar o estágio superior em uma missão futura.

O que vem depois da capacidade

A empresa pretende repetir os lançamentos até a constelação V3 ter escala suficiente para sustentar o Starlink Mobile, serviço de telefonia 5G direto para celulares comuns, sem antena. No Brasil, onde o Starlink já opera com autorização da Anatel e é a principal alternativa de banda larga em área rural, o ganho de capacidade tende a aparecer primeiro como menos queda de velocidade nos horários de pico — o gargalo que a rede acumulou ao crescer mais rápido que a infraestrutura em órbita.