A BYD revelou no Salão de Chengdu, na China, a terceira geração do Tang, SUV elétrico vendido aqui como BYD Tan, com até 850 km de autonomia e recarga de 10% a 70% em cerca de 5 minutos, segundo a marca.
Adicione ao Google NotíciasNeste artigo
O novo BYD Tan deixa de ser um SUV 7 lugares e passa a oferecer cinco assentos, mesmo crescendo em todas as dimensões. A BYD também migra o modelo para a segunda geração da bateria Blade e adota uma arquitetura elétrica mais avançada, com tecnologia de recarga ultrarrápida e pacote de assistência à condução baseado em LiDAR. A estreia comercial na China está prevista para o quarto trimestre de 2026; não há confirmação para o Brasil.
O que muda no tamanho e no interior do novo BYD Tan?
Na fita métrica, a mudança aparece logo. O novo Tan mede 5,045 m de comprimento, 1,980 m de largura e 1,760 m de altura, com entre-eixos de 2,950 m. São proporções de SUV grande, acima do modelo atual vendido no Brasil. Mesmo assim, a terceira geração foi apresentada como um SUV de cinco lugares, abandonando a configuração 2+3+2 que ajudou a definir o Tan brasileiro como opção elétrica familiar de sete assentos.

Essa decisão vem de um rearranjo claro da linha. Na China, a BYD ampliou a gama com o Tang L (também chamado Da Tang em algumas referências), um SUV ainda maior, de 5,26 m de comprimento, 3,13 m de entre-eixos e sete lugares em arranjo 2+2+3. Com isso, o novo Tan desce um degrau na hierarquia e foca em espaço generoso para duas fileiras, enquanto o Tang L e o Da Tang assumem o papel de SUVs de sete lugares mais sofisticados.
No Brasil, isso cria um dilema concreto: o Tan atual é vendido com sete lugares e ocupa uma posição importante no topo da linha elétrica da marca. Se a BYD decidir trazer o novo Tan, terá de explicar ao cliente local por que o modelo que sempre foi vitrine de espaço perderia justamente a terceira fileira.
Nova Blade Battery, autonomia de até 850 km e recarga em 5 minutos
O maior salto está no conjunto elétrico. O novo BYD Tan adota a segunda geração da Blade Battery, com opções de 88,7 kWh e 105,8 kWh de capacidade. De acordo com a BYD, as autonomias declaradas variam entre 730 km, 830 km e 850 km pelo ciclo chinês CLTC. Esses números não são comparáveis diretamente à medição PBEV do Inmetro, que usa um protocolo bem mais rigoroso; servem mais para indicar a direção da evolução do carro do que para confronto um a um com o Tan brasileiro de 430 km oficiais.
Mais relevante que a capacidade é a recarga. A BYD equipa o novo Tan com a tecnologia Flash Charging e afirma que o SUV consegue ir de 10% a 70% de bateria em cerca de cinco minutos, em condições ideais de temperatura e usando carregadores de altíssima potência. Para chegar a 97%, o tempo informado é de aproximadamente nove minutos. Na prática, isso aproxima a parada para recarga do ritual de abastecer um carro a combustão, mas esbarra em um gargalo óbvio: a infraestrutura. No Brasil, carregadores com potência compatível ainda são raros.
Em termos de desempenho, uma das versões já registradas na China traz motor elétrico de 300 kW (408 cv) no eixo traseiro e velocidade máxima de 250 km/h. A BYD ainda não detalhou as configurações com tração integral e segundo motor dianteiro, nem divulgou tempos oficiais de 0 a 100 km/h para a nova geração.
Suspensão pneumática, LiDAR e o pacote de tecnologia do SUV
O Tan de terceira geração também avança no hardware de chassi e nos sistemas de assistência. O SUV passa a usar suspensão pneumática DiSus-A, com câmaras duplas e um sistema capaz de analisar previamente as condições do piso para ajustar o comportamento da suspensão. A proposta é que câmeras identifiquem irregularidades e permitam que o conjunto se prepare antes de as rodas chegarem ao buraco, elevando o nível de conforto em relação ao Tan brasileiro atual, que usa suspensão eletrônica semi-ativa DiSus-C.

Na parte de segurança e condução assistida, o novo Tan sai de fábrica com o sistema God's Eye B, que combina LiDAR no teto com câmeras e radares. Segundo a BYD, esse conjunto permite condução assistida em vias urbanas e rodovias, além de estacionamento automatizado. Como em todo carro chinês que cogita vir ao Brasil, uma coisa é o hardware, outra é o que o software local e a homologação vão liberar de fato.
Na China, o Tan ainda ganha papel de vitrine para a nova bateria Blade de segunda geração, a mesma que a empresa divulga como capaz de oferecer cerca de 1.000 km de autonomia em veículos mais leves. Isso reforça o uso do SUV como palco para tecnologia da marca, assim como o Tan sempre foi no Brasil, só que agora com foco ainda maior em eletrônica embarcada.
Preço e disponibilidade
Na China, o novo Tan tem preço de pré-venda entre 250.000 e 320.000 yuans, algo entre R$ 184,5 mil e R$ 236,2 mil em conversão direta, a depender da versão. As vendas locais estão previstas para começar no primeiro semestre de 2026 ou, em outra comunicação da própria BYD, no quarto trimestre de 2026, o que mostra que o cronograma ainda pode oscilar nos bastidores.
No Brasil, nada muda por enquanto. A BYD não confirmou a terceira geração do Tan para o mercado nacional. O SUV elétrico de sete lugares segue à venda por aqui com bateria Blade de 108,8 kWh, autonomia oficial de até 430 km pelo Inmetro, 517 cv, tração integral e preço na casa dos R$ 530 mil, dependendo da fonte e do momento. A única certeza, por enquanto, é que o modelo que inaugurou a ofensiva de carros de passeio da marca no país terá um sucessor bem diferente lá fora — e a BYD ganhou mais uma peça para reorganizar sua oferta de SUVs grandes por aqui quando decidir apertar esse gatilho.



