A Claro começou a bloquear, na própria rede, ligações de números associados a golpes e telemarketing em massa — antes que o celular do cliente toque. O recurso, batizado de Claro Chamada Segura, é gratuito e está sendo ativado automaticamente para toda a base móvel da operadora, nos planos pré-pago, controle e pós-pago. Os clientes vêm sendo avisados por SMS desde domingo (13), e quem não quiser o filtro pode desligá-lo pelo link enviado na mensagem.
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A diferença para os aplicativos que identificam chamadas suspeitas no aparelho é o lugar em que o bloqueio acontece. Como a análise roda na infraestrutura da Claro, a ligação enquadrada nos critérios do sistema é interrompida ainda na rede — não há aviso de "provável golpe" na tela, porque a chamada simplesmente não chega. Não é preciso instalar nada nem mudar configuração: a proteção vale a partir do momento em que a operadora liga o filtro na linha.
Como o filtro decide o que bloquear
A tecnologia foi desenvolvida internamente pela Claro e mira números que fazem um volume massivo de ligações e apresentam indícios de uso fraudulento da rede — o padrão típico de centrais que disparam chamadas automáticas para milhares de pessoas atrás de uma vítima. O critério divulgado até agora é o comportamento do número, não o conteúdo da conversa. A operadora não detalhou os limites usados nem informou quantas chamadas já foram barradas.
O aviso chega numa mensagem de texto da própria Claro, com o link para desativar o serviço; não há código USSD nem opção no aplicativo Minha Claro divulgados até agora. Se você não recebeu SMS, a proteção pode ainda não ter chegado à sua linha — a liberação é gradual, e a operadora não deu uma data para concluir a base inteira.
Quem preferir receber todas as ligações precisa fazer a exclusão ativa (opt-out) pelo link do SMS. Quem apagou a mensagem pode recorrer aos canais de atendimento da Claro, que devem explicar o funcionamento do mecanismo. O modelo é o mesmo que a Anatel exigiu das operadoras: ativação para todos os perfis de plano, com possibilidade de desligar.
Vivo saiu na frente, e a Anatel manteve o modelo
A Claro é a segunda grande operadora a adotar um bloqueio desse tipo. A Vivo lançou o Vivo Anti-Spam cerca de um ano e meio antes e enfrentou reclamações de rivais e do setor de telemarketing: a TIM argumentou à Anatel que os critérios poderiam barrar contatos legítimos, e a Associação Brasileira de Telesserviços (ABT) questionou se as regras eram amplas ou discricionárias demais. Em agosto de 2026, a agência considerou o mecanismo regular e manteve o aval, recomendando às operadoras princípios de proporcionalidade, transparência, auditabilidade e reversibilidade na aplicação dos filtros. A TIM, de acordo com o Minha Operadora, prepara uma ferramenta equivalente.
O bloqueio na rede se soma ao Não Me Perturbe da Anatel, que impede o telemarketing das próprias operadoras e de bancos cadastrados, e aos filtros do celular — no Android, há quatro formas de bloquear chamadas e SMS de golpe que continuam valendo para o que escapar do sistema da Claro. A vantagem do filtro da operadora é alcançar quem nunca configurou nada: o cliente do pré-pago com um Android básico recebe a mesma proteção que o do pós-pago.
O que ainda não está claro
Dois pontos ficam em aberto. O primeiro é a transparência: a Claro não publicou os critérios de bloqueio nem um canal para que um número legítimo — uma clínica que confirma consultas, uma escola que avisa os pais — conteste um enquadramento indevido, justamente a preocupação que a ABT levou à Anatel no caso da Vivo. O segundo é o alcance: o filtro mira chamadas em massa, e golpes feitos de números "limpos", com poucas ligações, tendem a passar — e o sistema não cobre SMS nem mensagens de WhatsApp, que hoje concentram boa parte das tentativas. Para esses, a orientação segue a de sempre — desconfiar de ligação que pede código, senha ou transferência, e desligar.



